Horizon Zero Dawn Remastered é uma outra aposta da Playstation em trazer jogos famosos e exclusivos da consola, da antiga geração para a mais recente. A medida justifica-se na possibilidade de dar uma nova experiência imersiva aos jogadores, como gráficos aprimorados, de última geração, bastante polidos, que dão uma nova roupagem ao “clássico” ou servem como porta de entrada para que novos jogadores, que nunca jogaram Horizon, possam disfrutar de uma aventura colossal na mais recente tecnologia. Neste sentido, Horizon Zero Dawn Remastered é uma excelente escolha, tanto para os jogadores que já conhecem o jogo como para os novos, tratando-se, acima de tudo, de uma nova experiência!

Uma Jornada entre a Natureza e a Tecnologia
Desenvolvido pela Guerrilha Games, Horizon Zero Dawn trata-se de um jogo de ação e aventura que surpreendeu os jogadores e críticos pelo seu enredo inovador, gráficos impressionantes e mecânicas de jogo envolventes. Neste novo remaster, podemos considerar que todos os elementos supracitados foram refeitos e polidos, dando a ideia de que estamos a experienciar o jogo pela primeira vez.
Ambientado num futuro pós-apocalíptico, onde máquinas dominam a paisagem e a natureza reconquista o seu espaço, o jogador assume o papel de Aloy, uma jovem caçadora em busca de respostas sobra a sua identidade e os segredos do mundo em que vive. Embora o jogo tenha imensos pontos fortes, também apresenta algumas limitações, que não foram, de todo, exploradas ou refinadas neste remaster.

Entre uma narrativa inovadora e paradoxalmente genérica
O enredo de Horizon Zero Dawn, trata-se de um dos pontos mais fortes do jogo, segundo os críticos, desde o seu lançamento. A narrativa, de facto, envolve temas complexos, como a relação entre a natureza e a tecnologia, identidade e controlo sobre o próprio destino, entre outros aspetos. O mundo onde máquinas com forma de animais selvagens coexistem com tribos humanas, que parecem ter retornado a uma era primitiva, cria um ambiente visualmente encantador e conceitualmente instigante. Algo nunca visto e que se torna marca visual do próprio jogo, fazendo história do mundo dos videojogos. Foi uma agradável surpresa, poder voltar a este novo universo, como na primeira vez, e sentir as mesmas emoções, vibrar com a intensidade narrativa da história e sentirmos a adrenalina de uma épica caçada às máquinas.
Contudo, apesar da premissa inovadora, algumas críticas se levantam quanto à execução do enredo. Sentimos, muitas das vezes, que a história torna-se previsível em determinados pontos e que algumas personagens secundárias estão subdesenvolvidas. Tais aspetos poderiam, por norma, ser melhorados ou aprofundados (enquanto conteúdo bónus) no novo remaster, aspeto que não é, de todo, concretizado. Mesmo a Aloy, a protagonista, embora cativante, poderia ter uma maior complexidade emocional para tornar o seu desenvolvimento ainda mais interessante ao longo da narrativa, com consequências significativas nas escolhas de emoções que tomamos, ao longo da história. Ainda assim o mundo e enredo criados em Horizon Zero Dawn são envolventes o suficiente para manter o jogador focado, mesmo que algumas reviravoltas possam ser antecipadas.

Machina ex Deus – Design e estética visual
Um dos aspetos mais impressionantes de Horizon Zero Dawn é a qualidade do seu design visual. O jogo é absolutamente deslumbrante, com paisagens de tirar o fôlego que combinam elementos naturais com ruínas tecnológicas. As máquinas têm um design cuidadoso e imaginativo, que consegue transmitir tanto ferocidade quanto beleza. A flora e fauna, junto com os ciclos de dia e noite e as condições climáticas dinâmicas, contribuem para um universo imersivo. Neste novo remaster, todos os elementos ambientais foram aprimorados ao máximo. Podemos dizer que tirámos minutos de pausa para contemplar o cosmo criados pela desenvolvedora. Das paisagens mais bonitas, verdes e criativas que alguma vez já vimos a correr numa PS5, até ao momento, sem sombra de dúvida!
No entanto, correspondemos a nossa opinião com algumas críticas feitas ao design estético. A sensação do mundo “reconquistado” pela natureza é, sem dúvida, convincente, mas por vezes o nível de detalhe acaba sendo excessivo para os jogadores que priorizam uma experiência mais prática ou orientada para a ação. A densidade de elementos visuais, em algumas situações, pode se tornar opressiva e fazer o jogador se sentir sobrecarregado. Mesmo assim, a desenvolvedora conseguiu estabelecer um alto padrão gráfico que eleva a experiência de jogo e oferece uma ambientação rica em detalhes.

O problema do binómio “diversão & repetição”
Um outro grande ponto forte de Horizon Zero Dawn é o sistema de combate. Aloy usa uma variedade de armas e ferramentas para caçar as máquinas e lutar contra inimigos humanos. O jogador precisa usar estratégias inteligentes para derrubar diferentes tipos de máquinas, cada uma com habilidades e fraquezas únicas. Isso faz com que o combate seja, muitas vezes, uma experiência empolgante e desafiadora. A possibilidade de enfrentar criaturas mecânicas num ambiente de mundo aberto oferece uma liberdade que incentiva a criatividade e a experimentação por parte do jogador. No presente Remaster, não vimos grandes alterações ao produto original, a não ser uma maior fluidez nas movimentações da personagem.
Contudo, um ponto de crítica válido está na repetibilidade que o sistema de combate pode alcançar após várias horas de jogo, chegando mesmo a poder saturar o jogador. Embora existam muitos tipos de máquinas, o combate acaba por recair em padrões previsíveis. A falta de variedade nas armas e nas habilidades de Aloy pode tornar algumas batalhas cansativas, cujo mínimo erro pode custar caro ao jogador. Além disso, o sistema de progressão, que permite ao jogador desbloquear habilidades à medida que avança, é relativamente limitado. Após um certo ponto, não há uma sensação de evolução verdadeira, o que pode diminuir a motivação para explorar mais o jogo.

Um misto de algo muito rico e clichê
Horizon Zero Dawn oferece um vasto mundo aberto para exploração, cuja desenvolvedora investiu em detalhes que recompensam a curiosidade do jogador. As paisagens diversas, repletas de segredos e histórias ocultas, incentivam a exploração, enquanto as missões secundárias adicionam contexto e profundidade ao mundo do jogo.
No entanto, as missões secundárias são um ponto em que o jogo poderia ter se destacado ainda mais. Embora existam algumas bem desenvolvidas e interessantes, uma grande parte delas acaba por cair em tarefas genéricas de colheita ou caça, sem oferecer muito em termos de narrativa ou inovação. Isso cria uma sensação de que essas missões secundárias são um tanto “artificiais” ou feitas apenas para estender o tempo de jogo, em vez de enriquecer a experiência do jogador.

Inteligência artificial dos inimigos e desafios
Em comparação com o primeiro jogo, Horizon Zero Dawn Remaster destaca-se pelo aprimoramento do AI dos inimigos, tornando-os mais astutos e mais conscientes do que os rodeia, propondo um maior desafio aos jogadores. As máquinas têm reações dinâmicas, tornando o combate uma experiência empolgante e desafiadora, que exige planeamento e observação cuidadosa.
Contudo, a IA das personagens humanas deixa muito a desejar. Inimigos humanos, por exemplo, têm padrões previsíveis e raramente representam um grande desafio, o que pode tornar os combates com estes oponentes, menos interessantes. Esse contraste entre a IA das máquinas e dos humanos cria uma inconsistência que prejudica a sensação de imersão e desafio. Surpreende-nos o facto deste problema persistir, infelizmente, no remaster. É evidente que o foco da desenvolvedora esteve concentrada nas máquinas, mas uma maior atenção à AI humana teria tornado o jogo mais equilibrado, especialmente no atual remaster.

A Protagonista Aloy – única, apaixonante e complexa
Aloy é uma personagem complexa que traz uma perspetiva única ao mundo de Horizon Zero Dawn. Como uma pária em busca do seu lugar e identidade, ela é determinada, inteligente e corajosa, o que a torna uma protagonista interessante e digna de nota. A sua relação com o mundo ao seu redor e a sua curiosidade inata fazem com que o jogador também se sinta motivado a descobrir mais sobre os mistérios do jogo.
Ainda assim, é possível argumentar que a caracterização de Aloy, em alguns momentos, peca pela falta de desenvolvimento emocional mais profundo. Apesar da sua trajetória inspiradora, ela demonstra poucas mudanças emocionais ao longo do jogo, o que poderia ser mais explorado para tornar a sua jornada ainda mais convincente. Para um jogo com uma narrativa tão rica, uma protagonista com uma evolução emocional mais palpável poderia ter sido um diferencial tremendo, contudo, não queremos desmerecer a forma de como Aloy nos convida a sentir as suas emoções, que, na grande parte das vezes, pecam pelo tempo que o jogo nos dedica a tentarmos decifrá-las, pelos acontecimentos narrativos ou pelo ambiente em que nos encontramos.
No presente remaster, devemos também considerar a maneira de como várias feições humanas da personagem principal e secundárias foram aprimoradas, transparecendo uma maior humanização e detalhe técnico. Por outro lado, o cuidado nos adereços e cabelos das personagens também não ficou de parte. Ficamos maravilhados como vimos bocados de neve presos nos cabelos da Aloy, após rebolar no chão, que vão-se fragmentando à medida que vamos correndo.

Som, Música e Atmosfera – Melhor & Maior
A banda sonora de Horizon Zero Dawn é um componente essencial para criar a atmosfera do jogo. Composta por músicas que capturam a beleza e a tensão do mundo pós-apocalíptico, a banda sonora é bem-adaptada às situações e ajuda a intensificar as emoções do jogador. Os efeitos sonoros das máquinas e do ambiente, como o vento e o som da água, adicionam camadas de realismo à experiência, que foram aprimoradas e polidas no presente remaster.
Ainda assim, acreditámos que alguns jogadores podem sentir que a música, embora bem composta, não recebe o destaque necessário em certos momentos, especialmente nas missões secundárias e durante a exploração. Isso pode fazer com que a trilha pareça subutilizada, já que a sua capacidade de enriquecer a experiência do jogador acaba por ser limitada a cenas específicas e batalhas.

Veredito – Uma ótima opção para os veteranos e novos jogadores!
Não somos nada apologistas de Remasters. Não consideramos que proporcionar a mesma experiência, com gráficos melhorados para a nova geração de consolas seja uma medida importante, na atual crise que a indústria atravessa. Pegar em franquias como Horizon Zero Dawn e refazê-las para a atual geração de consolas é uma jogada que parece querer somente enriquecer a Playstation. Contudo, não podemos pensar tão negativa ou egoistamente! Devemos também considerar a quantidade de novos jogadores que, comprando uma PS5 gostariam de experimentar um dos diversos exclusivos da Playstation de renome, com gráficos atuais, polidos ao mais ínfimo pormenor, de maneria a potenciar uma nova grande aventura. Além de mais, para os jogadores que já possuam o jogo original da PS4, a Playstation permite a aquisição deste jogo por 10 euros em vez de 40 euros (preço total do jogo remaster). O próprio preço do jogo, que não é lançado na casa dos 70 ou 80 euros é um fator convidativo a comprar e experienciar (ou re-experienciar) esta aventura com a Aloy. Em suma, estamos muito contentes com o que este remaster nos refez passar, repensando igualmente na dimensão e importância dos remasters para a atual geração de consolas. É também importante recordar que o presente Remaster inclui o DLC Frozen Wilds, uma expansão que merece, igualmente, destaque no jogo.
Horizon Zero Dawn Remastered é um jogo ambicioso que conseguiu impressionar com a sua proposta e gráficos impressionantes. Embora apresente algumas limitações, principalmente em termos de repetibilidade nas mecânicas e inconsistências na IA, destaca-se como uma obra inovadora e imersiva. Aloy, a protagonista, é carismática, e o mundo pós-apocalíptico criado pela Guerrilla Games é fascinante, abordando de forma inteligente temas como tecnologia e natureza. Horizon Zero Dawn cumpre o papel de introduzir um universo único e oferece uma experiência cativante. No entanto, a presença de certos clichés e algumas limitações na jogabilidade impedem que o jogo atinja todo o seu potencial. Trata-se de um jogo memorável, que marcou o início de uma franquia promissora no mundo dos videogames e que adorámos revisitar com o atual remaster.
