Um survival/horror com um take fresco mas retro que me levou fora da zona de conforto. Foi uma lufada de ar fresco de todos os AAA e principalmente ao ver as notícias dos grandes estúdios. Cada vez mais me apaixono com indies e este jogo é uma das razões para tal.
Um experiência fora da zona de conforto
Este foi um desafio para mim, visto que eu não sou o maior fã, tanto de jogos de terror (sim, tenho imenso medo) como de survivals. Mas, surpreendentemente, foi um jogo que me agradou bastante. É um jogo muito interessante e bem construído que qualquer jogador pode vir a apreciar. Apesar do aspeto de terror ser predominante, acho que não é debilitador para jogadores não fãs do género, é algo mais subtil e apenas em certas partes da estória e do mundo. Em relação aos survivals, apenas acho que geralmente é preciso um grind enorme para conseguir evoluir e obter novos itens ou infraestruturas, mas I Hate This Place consegue trazer uma parte mais suave ao grind. Tudo é adquirível apenas explorando o mapa e tudo é construído facilmente pois os recursos são abundantes, apenas é preciso esperar horas, mas são as horas do jogo e não horas reais, sendo possível ir à cama fazer “skip” do tempo.

Estética “Retro”
I Hate This Place apresenta algo que ainda não tinha visto, especialmente feito desta maneira. É a mistura perfeita entre uma estética retro com a estética de uma BD, que, incrivelmente, funciona na perfeição. Adorei como tem tudo o mesmo estilo, muito coerente e adorei especialmente a forma como abordaram os passos e os sons, visto ter um grande peso nas mecânicas de jogo. Adicionalmente, esta estética funciona muito bem também com o tema do jogo (terror) que se complementa, tanto pelas cores vibrantes, pelos ciclos dia/noite, pelos ambientes envolventes e pelos pequenos detalhes demonstrados ao longo do jogo. Mais uma vez, é uma lufada de ar fresco de todo o hiper-realismo presente na maioria dos “grandes” jogos. Penso ser direções artísticas como esta que elevam a qualidade dos jogos e que trazem algo novo e diferente, proporcionando uma experiência única as seus jogadores.
Não faças barulho!
Um jogo de terror como este obviamente que tinha de ter um sistema de deteção de som de modo a causar mais suspense aquando a travessia de zonas mais perigosas. No entanto, esta mecânica é apresentada de uma forma peculiar. Os inimigos são quase todos “cegos”, ou seja, só se guiam pelo som que o jogador ou o ambiente faz (quase como The Last of Us). Mas, o barulho não é apenas audível, mas também visível para o jogador, através das clássicas onomatopeias muito presentes nas BD, tais como “Crunch”, quando pisando em vidro, ou então o “Thud” quando andando normalmente. Mas este tem duas apresentações, uma a vermelho para sabermos quando os passos são audíveis pelos inimigos ou então a azul claro, representando os passos que não são detetados. Achei a incorporação destas onomatopeias clássicas uma excelente ideia que tenho a certeza vai ficar na memória para muita gente, especialmente para os grandes fã de BD.

Conclusão
Se estão à procura de um jogo curto e onde não têm de despender de muitas horas diárias para jogar, I Hate This Place é uma ótima escolha para quem gosta de desafios e de terror. Tem uma estória interessante e apelativa que impulsiona a vontade de jogar e concluir o jogo rapidamente. Apesar de ser também um crafting/survival, não achei necessidade de perder muito tempo nessa parte do jogo, apenas para fazer munições, o loot gerado pelo jogo permite fazer quase tudo sem grande necessidade de ter todas as infraestruturas. Um jogo muito bom e interessante que, pelo preço de 29.99€, compensa para quem não consegue gastar os 60/70€ e que um jogo muito bom.