Kirk Jones (Nanny McPhee) leva-nos numa viagem de emoções e descoberta em I Swear, protagonizado por Robert Aramayo, que poderão conhecer de séries como The Lord of the Rings: The Rings of Power, Game of Thrones ou filmes como Nocturnal Animals.
I Swear é baseado na história verídica de John Davidson. Diagnosticado, nos anos 80, com Síndrome de Tourette ainda durante a adolescência, acompanhamos toda a sua vida, desde o diagnóstico até à idade adulta no Reino Unido dos dias de hoje.

Segundo o website do Hospital CUF, a Síndrome de Tourette pode ser descrita como:
“A Síndrome de Tourette é uma perturbação neurológica crónica que se traduz na presença de determinados tiques (simples ou complexos), com início antes dos 18 anos de idade.
Os tiques são movimentos (tiques motores) e vocalizações (tiques vocais) sem sentido e fora do contexto, involuntários, rápidos e recorrentes. A sua frequência e intensidade são variáveis.
A Síndrome de Tourette é três vezes mais frequente nos homens do que nas mulheres. Estima-se que cerca de 1% da população sofra deste problema.”
A base do filme passa por fazer o espectador perceber que, apesar de atualmente a Tourette já ser uma condição relativamente conhecida, nem sempre foi assim. É uma condição que afeta e influencia profundamente a vida de quem vive com ela, assim como a das pessoas à sua volta. John vê-se ostracizado e abandonado pelo pai, incompreendido pela mãe e esquecido pelos irmãos. Com uma condição que nem ele próprio compreende na totalidade, resigna-se ao seu estado sem saber o que fazer para melhorar a sua situação.

A melhor forma de descrever I Swear é como uma experiência profundamente calorosa. Apesar dos momentos mais tristes, em que é inevitável sentirmos a dor de John, saímos da sala de cinema com um sorriso no rosto e com a esperança restaurada.
Mesmo para quem nunca teve qualquer contacto com a Tourette, é inevitável sentir que qualquer um de nós poderia passar pelas provações que John enfrenta. É fácil projetarmo-nos na personagem, muito graças a uma interpretação brilhante de Aramayo e a um guião que nos conduz de forma exemplar por toda a sua história.
Ao longo das suas duas horas de duração, nunca existem momentos mortos ou desnecessários. A narrativa flui naturalmente e é contada de forma clara e concisa.
I Swear é, sem dúvida, um filme que permanece connosco dias depois de o vermos. A nossa sensibilidade para com a Tourette sai claramente reforçada, e isso significa que o propósito de Jones é cumprido na perfeição.