Há uma altura em qualquer saga de terror em que o maior inimigo deixa de ser o monstro. Passa a ser a repetição. Insidious: O Longínquo chega ao sexto capítulo com uma vantagem importante: conhece perfeitamente o universo que tem nas mãos. O problema é que também parece demasiado confortável dentro dele.
Jacob Chase assume a realização e leva-nos novamente ao Além, mas desta vez através de uma nova família e de uma protagonista com uma capacidade particularmente perigosa: Gemma consegue atravessar para essa dimensão e trazer consigo aquilo que lá encontra. A premissa tem potencial para renovar a fórmula, mas o filme nem sempre sabe aproveitá-lo.

O problema não é o Além. É o que fazemos com ele.
O universo de Insidious continua a ter uma das melhores ideias do terror comercial recente. O Além permite brincar com espaço, percepção e medo de uma forma visualmente muito rica. Neste capítulo, existe ainda uma possibilidade interessante: trazer criaturas daquele mundo para o nosso.
É uma ideia que podia abrir portas para algo verdadeiramente diferente. Mas o filme prefere caminhar por terreno conhecido.
Há corredores escuros, aparições, sons repentinos e criaturas concebidas para provocar desconforto. Algumas sequências funcionam bastante bem, sobretudo quando o filme abandona o susto previsível e aposta no estranho. O problema é que esses momentos são demasiado espaçados.
O medo perdeu alguma força
Não me parece que falte competência a Jacob Chase. Pelo contrário. A realização sabe criar ambiente e existem algumas imagens visualmente inventivas. O problema está na dependência de mecanismos que a própria saga já utilizou repetidamente.
O filme quer parecer mais sombrio e mais sério, mas essa seriedade acaba por retirar alguma da diversão macabra que tornava os primeiros capítulos tão eficazes.
Quando um filme de terror começa a explicar demasiado a sua própria mitologia, existe um risco: aquilo que era misterioso passa a ser simplesmente informação.
E Insidious: O Longínquo sente esse peso.

Lin Shaye continua a ser uma mais-valia
Amelia Eve assume o protagonismo e consegue dar humanidade a Gemma, sobretudo nos momentos em que o filme abandona o espetáculo sobrenatural e se concentra na relação familiar.
Mas é Lin Shaye, no regresso como Elise Rainier, quem continua a trazer uma personalidade muito própria à franquia. A sua presença funciona quase como uma memória do que tornou Insidious especial.
O problema é que nem ela consegue compensar totalmente uma narrativa que parece demasiado consciente da própria fórmula.
Ainda há bons sustos
Seria injusto dizer que o filme não assusta. Assusta. Existem momentos eficazes, algumas ideias visuais interessantes e uma atmosfera suficientemente competente para justificar uma ida ao cinema.
Mas hoje já não basta aparecer uma criatura num corredor escuro.
O espectador conhece o truque.
E quando o filme não encontra uma maneira nova de o executar, a antecipação substitui o medo.
Vale a pena ver?
Para quem acompanha a saga, sim. Há novas personagens, uma expansão interessante do conceito do Além e momentos que recuperam parte da identidade sobrenatural da franquia.
Para quem esperava uma reinvenção, a resposta é menos entusiasmante.
Insidious: O Longínquo não destrói aquilo que a saga construiu. Também não o eleva particularmente.
É um capítulo competente, mas demasiado dependente do passado.
Para quem é este filme
Recomendado para: fãs de Insidious e espectadores que gostam de terror sobrenatural tradicional, com criaturas, atmosfera e sustos.
Pode não resultar para: quem procura uma reinvenção da fórmula ou um filme de terror verdadeiramente perturbador.