A experiência 626, posteriormente chamada de Stitch (Chris Sanders), criada com o único propósito de destruir tudo em que toca, consegue fugir da Federação Intergaláctica e refugia-se no planeta Terra. Visando despistar o agente Pleakley (Billy Magnussen) e o seu criador Jumba (Zach Galifianakis), enviados para o nosso planeta com a missão de o levar de volta para o espaço, Stitch cria uma insólita ligação com Lilo (Maia Kealoha), uma irreverente rapariga havaiana.
“Lilo e Stitch”, um dos primeiros projetos que, já em 2018, a Disney tencionava transformar em live action, chega aos cinemas vinte e três anos após o alienígena nos ter conquistado a todos na famosa animação. E admito que, ao contrário da maior parte dos filmes do género, que nos são presenteados pela Disney com uma regularidade que ninguém pediu, este conseguiu conquistar-me (ou pelo menos, um pouco mais que os outros).

Os excelentes efeitos visuais, que dão vida aos aliens, quando combinados com a representatividade mantida pela Disney do povo havaiano e dos seus costumes e com as excelentes performances de Sydney Agudong e Maia Kealoha, conseguem transmitir ao espectador a mesma sensação que havíamos sentido ao ver a obra original, mantendo a essência da mesma. No entanto, o argumento de Chris Kekaniokalani Bright e Mike Van Waes permite-se alterar pequenas coisas na história que, a meu ver, não funcionaram. A liberdade que os criadores da obra original tinham para fazer funcionar certos elementos aqui perde-se, pois o espectador assume que o mundo que está a ver trata-se do mundo real, o que leva à falta de personagens importantes da animação e à alteração da forma como outros personagens agem de forma a que nós aceitemos que a história esteja a ser contada de maneira plausível.

“Lilo e Stitch”, de 2025, propõe-se a adaptar a sua história de forma a divertir os mais velhos, ao mesmo tempo que tenta passar aos mais novos a mesma sensação que a obra original nos passou em 2002. As subtis críticas sociais à “americanização” do Havai e as homenagens ao Elvis aqui são substituídas por novas narrativas que, embora na minha opinião, não consigam atingir a profundidade da animação, transformam a história, explorando a relação das irmãs e trazendo de volta Chris Sanders, voz do Stitch e criador da história original, para dar vida a este carismático personagem, que acredito que vá conquistar os corações das mais novas gerações, como conquistou há vinte e três anos atrás.