Num parque de estacionamento deserto, Eddie (Bill Skarsgård) depara-se com a vítima perfeita para o próximo dos seus pequenos furtos – um SUV de luxo que, por acaso, estava destrancado. Ao entrar, rapidamente se apercebe que as portas se trancaram e ele não consegue sair. Quando o telefone toca e ele atende, quem fala é William (Anthony Hopkins), o dono do carro e um autoproclamado justiceiro, determinado a punir o rapaz por tentar assaltá-lo.

Um filme como “Locked” vai sempre sobreviver graças à sua habilidade de nos conseguir entreter com imagens de um ser humano a suplicar por ajuda, depois de se ver preso num carro. Nesse aspeto, creio que o faz de uma maneira criativa e genuinamente interessante. Admito que, durante a sua hora e meia de duração, o filme conseguiu manter-me investido na história, fazendo um excelente uso dos seus protagonistas, principalmente Bill Skarsgård, que carrega toda a narrativa.
Inspirado em diversas obras – logo nos instantes iniciais veio-me à lembrança “Saw” (2004), de James Wan – “Locked” sabe criar algo que, enquanto espectador já vi algumas vezes, mas fá-lo com pequenos pormenores que lhe confere algo novo e que nos deixa tensos, esperando o seu desenrolar. Creio que a direção de David Yarovesky é bastante competente e esforça-se ao máximo para nos fechar, com o protagonista, dentro do veículo. O que nem sempre é conseguido, pois o argumento de Michael Arlen Ross, por sua vez, não é tão inventivo e nem sempre consegue evitar a repetição de pequenas narrativas, não conseguindo inovar e, consequentemente, perdendo o espectador – na minha perceção – naqueles que deviam de ser os minutos cruciais da trama.

Anthony Hopkins traz um charme particular ao interpretar um vilão inicialmente simpático e com motivações válidas. No entanto, acaba subutilizado: o suspense em torno do seu rosto é quebrado sem um real avanço narrativo, o que soa irónico tendo em conta o peso do ator e a construção cuidadosa da sua personagem.
“Locked” bebe de muitas fontes de inspiração que nos são conhecidas e raramente vai apresentar-nos algo que nunca vimos, no entanto cumpre o seu propósito ao conseguir oferecer-nos boas cenas de ação, bons protagonistas e cenas tensas, de ficar colado ao ecrã, na ponta da cadeira.