Mais uma época da NFL começa, e como fiel seguidor e espectador assíduo dos jogos transmitidos na televisão, decidi aventurar-me na mais recente iteração do jogo mais famoso de futebol americano. Embora o jogo já esteja disponível há algum tempo, este é o momento ideal para explorar alguns dos seus aspetos mais relevantes e oferecer uma perspetiva que pode interessar tanto a quem já está familiarizado com a modalidade como àqueles que ainda não tiveram a oportunidade de a descobrir. O futebol americano tem vindo a crescer consideravelmente na Europa, com destaque para países como a Alemanha, Espanha e França. Com este aumento de popularidade, é natural que o interesse por jogos que simulam a experiência do desporto também venha a crescer ao longo dos próximos anos. No entanto, é importante destacar que, atualmente, o Madden NFL 25 é o único jogo que oferece uma representação global e realista da principal liga de futebol americano, sendo a escolha predominante para os fãs do desporto.

O Madden NFL 25 proporciona uma experiência bastante aproximada daquilo que é um jogo de futebol americano, colocando-nos no centro da ação no maior palco que este desporto tem para oferecer. A forma como nos envolvemos com o jogo depende das nossas preferências, já que nos é dada uma vasta gama de opções e modos de jogo. Para os jogadores que apenas querem experimentar sem grande complexidade, existe a possibilidade de optar por uma jogabilidade mais simples, com uma abordagem mais arcade. Por outro lado, os jogadores que dominam as regras e os pormenores técnicos do futebol americano podem mergulhar numa simulação completa e extremamente detalhada. Este jogo, à semelhança do que acontece com o EA Sports FC, tem uma grande ênfase no modo online e na estrutura Ultimate Team. Ao colocar este assunto em evidência, é importante analisarmos o impacto que isto tem na experiência geral de jogo.
Um dos principais problemas que estes jogos enfrentam atualmente é precisamente o foco excessivo no modo Ultimate Team. Com a ausência de concorrência direta nos títulos da EA Sports, a empresa domina o mercado, mas isso acaba por resultar numa experiência de jogo que pode ficar aquém das expectativas para quem procura apenas uma diversão casual. Depois de jogar a edição do ano anterior, senti que estava essencialmente a jogar o mesmo jogo, apenas com uma atualização no número do ano. Este problema não se limita apenas ao Madden NFL, mas estende-se a muitos dos títulos produzidos pela EA Sports. Embora o jogo seja massivo em conteúdo, essa mesma vastidão torna difícil o acesso a uma partida rápida, o que é frustrante. Quando iniciei esta nova edição, fui imediatamente levado para o Ultimate Team, de forma tão automática que me perguntei se o jogo ainda oferecia modos solo para simplesmente me divertir, sem ter de me preocupar com o sistema de cartas. A dificuldade em encontrar um simples modo 1vs1 local é absurda, e isso comprometeu seriamente a minha experiência de jogo. Esta situação é, infelizmente, comum a outros títulos de desporto recentes, como o EA Sports FC e o NBA 2K.

Esta é uma questão preocupante. Onde estão os jogos que, com metade do orçamento de produção e gráficos menos realistas, conseguem proporcionar uma experiência verdadeiramente divertida? A definição de diversão para os criadores destes jogos parece ter sido distorcida pela busca de lucro fácil. Apesar das reclamações constantes, ano após ano, os jogadores continuam a investir grandes quantias de dinheiro em jogos que, francamente, não justificam esses gastos. É uma bola de neve que foi criada e que, infelizmente, não parece ter fim à vista. Acredito que a NFL deveria continuar a licenciar este tipo de jogos, oferecendo uma experiência online completa para os jogadores que apreciam esse estilo de jogo. No entanto, faz falta uma maior diversidade de estúdios com acesso à licença, para que possam criar experiências distintas e únicas. Neste momento, estamos presos a uma mecânica de jogo que é claramente desfavorável para os consumidores, e a verdade é que muito pouco é feito para mudar esta situação.
Deixando de lado esta crítica à atual estrutura dos jogos de desporto, é justo falar dos momentos mais positivos que encontrei nesta nova edição. Qualquer um dos modos solo oferece uma experiência sólida e revela o potencial inexplorado que o jogo ainda possui. Desde os treinos até aos jogos propriamente ditos e à gestão de uma equipa, existe um bom leque de opções para os jogadores. No entanto, a gestão de uma equipa, por exemplo, não é o modo ideal para iniciantes, já que requer um conhecimento profundo do futebol americano que vai muito além do que acontece dentro das quatro linhas. Ainda assim, o jogo faz um trabalho razoável ao explicar muitos dos aspetos do desporto, o que pode ser útil para quem está a começar. Além disso, o Madden NFL sempre se destacou por fornecer dicas e sugestões durante as partidas, o que facilita a vida de quem não está completamente familiarizado com as regras. Assim, é possível que qualquer jogador, independentemente da sua experiência, se envolva de forma natural em cada partida, evoluindo do modo mais simples para desafios mais exigentes à medida que ganha confiança.

No entanto, Madden NFL 25 não se limita apenas a recriar a experiência do jogo em campo. Ele coloca-nos no centro dos maiores estádios da liga americana, e para quem acompanha minimamente o desporto, é fácil sentir-se em casa ao ver os estádios mais icónicos recriados com grande fidelidade, juntamente com as equipas e os jogadores oficiais. A jogabilidade, como seria de esperar, é outro dos pontos fortes do jogo. Permite-nos executar jogadas reais com grande precisão, graças a controlos intuitivos e a uma curva de aprendizagem acessível. A personalização das jogadas e a exploração dos playbooks são aspetos que enriquecem a experiência, oferecendo uma profundidade notável. A gestão de uma franquia e a sua ascensão até ao Super Bowl é outro ponto de interesse, embora a sua complexidade possa afastar alguns jogadores mais casuais.
Com tudo isto, é inevitável que o Madden NFL 25 me tenha deixado aborrecido mais rapidamente do que eu esperava. A insistência no modo Ultimate Team acaba por marginalizar quem procura outras formas de jogar. É triste ver como um jogo que, há 20 anos, nos cativava durante uma temporada inteira sem precisar de modos online, hoje em dia, se tornou refém de mecânicas que incentivam o jogador a gastar dinheiro em cartas e microtransações. Não é que o jogo não tenha qualidade, mas falta-lhe aquele toque de diversão mais imediata que tantas vezes nos leva a querer voltar. Falta-lhe algo que nos faça saltar para dentro do mundo virtual de forma mais natural e menos frustrante. Modos de jogo mais arcade, como o modo Rush no EA Sports FC 25, seriam um passo na direção certa.

Sinto-me dividido ao analisar esta nova edição de Madden NFL. Por um lado, o potencial é inegável. A qualidade gráfica, a fidelidade aos estádios, o som do público e a imersão geral são dignos de elogio. Por outro lado, o jogo carece de diversidade nas suas ofertas e está excessivamente focado num único modo de jogo que acabará por alienar uma parte significativa dos jogadores. Alguns poderão dizer: “Ah, mas isso é porque preferes futebol europeu!” No entanto, devo esclarecer que acompanho ambos os desportos com a mesma regularidade e aprecio-os igualmente. A minha crítica não é sobre a modalidade em si, mas sobre a estrutura dos videojogos que, infelizmente, se aplica tanto ao futebol americano como ao futebol europeu.
Em conclusão, espero sinceramente que ocorra uma mudança de paradigma nos próximos anos para estes jogos de desporto que tanto aprecio. Até lá, continuarei a explorar o que o Madden NFL 25 tem para oferecer, na esperança de encontrar algo mais além do que já experienciei até agora.