Marathon – o novo shooter da Bungie consegue sobreviver num mercado saturado?

Depois de um desenvolvimento turbulento, Marathon chegou finalmente ao mercado como a nova aposta da Bungie no género PvPvE de extração. Com um estilo visual marcante e um legado pesado para carregar, o jogo tenta conquistar espaço num mercado já saturado. Mas será suficiente para revitalizar o estúdio responsável por Halo e Destiny?

Depois de muitos solavancos ao longo do desenvolvimento, a PlayStation, em parceria com a Bungie, lançou finalmente Marathon, um jogo PvPvE de extração que tem dado muito que falar nos últimos anos. Seja por ser a próxima grande aposta do estúdio que nos trouxe séries icónicas como Halo e Destiny, seja pelos vários problemas que marcaram a sua produção. Muitas pessoas se encontram divididas quanto às expectativas relativas a este título, por um lado é um novo jogo da Bungie, por outro, é mais um jogo multiplayer de extração a entrar num mercado já muito saturado. Por isso fica a questão: será este um jogo capaz de salvar um estúdio histórico que se encontra numa situação bastante negativa? 

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Futurístico, mas sem nunca esquecer as suas raízes

Marathon apresenta algo que poucos irão poder negar, que é estilo (mesmo que parte dele tenha sido obtido de forma bastante controversa). Marathon mistura um lado bastante futurístico, mas ao mesmo tempo com elementos retro. Em certos momentos, algumas animações chegam até a lembrar segmentos de jogos da era Atari, enquanto evocam a atmosfera de títulos clássicos dos anos 90, como System Shock, e também não fugindo muito da estética do jogo original de 1994. 

O aspeto visual do jogo é sem dúvida um dos pontos positivos deste, acaba até mesmo por ser algo revigorante, numa altura em que muitos dos jogos que saem do mesmo género parecem quase todos iguais (isto é, no espaço AAA). 

Mas nem tudo é perfeito no que toca a este campo, pois é possível encontrar situações, quando andamos a explorar o mapa, onde vemos certas textures mal renderizadas. É verdade que é raro, mas elas existem e estragam um pouco a imersão.  

No que toca ao áudio, tenho de admitir que fiquei um pouco desiludido. Num jogo que conta com um elenco de luxo, com nomes como Ben Starr, Roger Clarck, Jennifer English, Neil Newbon, entre muitos outros, tenho de dizer que esperava mais e esperava que tivessem um papel mais ativo no jogo. 

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Problemas resolvidos a tempo e horas

Mas agora vamos ser francos, quem compra um jogo como Marathon dificilmente o faz por estes dois aspetos. O que realmente importa é a sua jogabilidade, o seu desempenho e, mais importante, se o jogo consegue ser suficientemente cativante para nos manter a jogar durante centenas de horas e largar os outros jogos já existentes no mercado, e aí, tenho de dizer que o jogo deixa a desejar. 

No que toca à performance, felizmente não tive grandes problemas durante o período pós-lançamento. Não notei quebras significativas de frames nem perdas de ligação aos outros jogadores durante as partidas. Mas antes do seu lançamento, há que dizer que a história já foi outra, pois houve várias ocasiões em que simplesmente não consegui jogar devido a problemas com os servidores, e pelos vistos não era o único nessa situação. Resta agora esperar que esses problemas tenham ficado no passado e que não voltem a surgir no futuro. 

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Um Planeta por Explorar

Marathon apresenta ao jogador uma história relativamente simples: existe um planeta habitável por explorar e várias fações procuram tirar proveito dessa descoberta. Para isso, oferecem ao jogador diferentes contratos, compostos por missões que terão de ser cumpridas ao longo das partidas. 

Ao completar estas missões, o jogador ganha a confiança dessas fações, sendo recompensado com melhorias, novos equipamentos e armas, permitindo assim evoluir e enfrentar desafios cada vez mais exigentes. 

Para cumprir estes objetivos, o jogador pode escolher entre sete classes diferentes, cada uma com as suas próprias vantagens: Destruidor, Assassino, Rastreador, Médico, Ladrão, Vândalo e Peão (sendo que esta última apenas pode ser utilizada no modo solo). Ao jogar sozinho, é complicado fazer o planeamento de qual é a classe mais apropriada, pois te irás juntar a uma equipa completamente aleatória, mas se jogares com amigos, a escolha de classe acaba por ganhar uma maior importância. 

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Em busca de boas companhias

Jogar sozinho é, sem dúvida, uma das maiores frustrações de Marathon. É algo que sinceramente desaconselho, pois este é claramente um jogo pensado para ser experienciado com amigos. 

Mesmo com o modo Solo a ser adicionado a pedido dos jogadores já durante o seu desenvolvimento, este acaba por não ser uma grande ajuda para os jogadores mais solitários, pois para além de ter o mesmo loot no mapa, também tem o mesmo número de inimigos, acabando por ser um pouco arrebatador, para jogadores menos experientes. 

Com isto, não quer dizer que o modo normal seja muito diferente. Muito dependerá da sorte no emparelhamento da equipa, pois quando cada jogador tem objetivos ou missões diferentes, a jogabilidade pode tornar-se algo caótica e pouco coordenada. 

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Um Loop Interminável

Neste momento, Marathon acaba por se tornar demasiado repetitivo. É verdade que isso faz, em parte, parte da natureza deste género de jogos, mas mesmo assim sente-se uma clara falta de variedade nas missões, algo que se mantém mesmo à medida que se avança na história. 

Grande parte dos objetivos resume-se a tarefas bastante familiares: eliminar um determinado inimigo ou um certo número de inimigos, fazer download de dados ou hackear um terminal específico, ou procurar um item concreto no mapa. Isto tudo, mas estando sempre a repetir-se ao longo de um número bastante limitado de mapas. Bastam poucas horas para uma pessoa se cansar. 

No início ficou a pergunta: será este o jogo capaz de tirar a Bungie da situação delicada em que se encontra? Infelizmente, não acredito que seja esse o caso. Marathon tem potencial, disso não há grandes dúvidas. No entanto, entra num mercado já bastante saturado, onde vários estúdios têm enfrentado dificuldades e onde novos jogos multiplayer acabam por desaparecer tão depressa quanto surgem. 

Por isso, é essencial que a Bungie comece a pensar em missões mais atrativas e que as implemente rapidamente de maneira a manter os jogadores interessados. Caso contrário, corre o risco de ver a sua comunidade desaparecer pouco tempo após o lançamento, o que poderá significar o fim prematuro de mais um multiplayer. 

Marathon

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Lançamento: 2026-03-05 Ano: 2026
Estúdio:
5
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Francisco Santos
Apaixonado por jogos e cinema. Tento partilhar essa paixão com as outras pessoas.

Colaboraram neste artigo

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