Marsupilami 2: Salsa Palombia prova que a nostalgia pode vir com uma agradável surpresa

Sem conhecer o primeiro jogo, mergulhamos em Marsupilami 2: Salsa Palombia e encontramos plataformas polidas, uma mecânica de troca de personagens viciante e muitos segredos por descobrir.

Um disclaimer necessário

Tenho de referir algo que é bastante importante para este arranque de análise. Considerem isto um disclaimer: desconhecia completamente que Marsupilami tinha tido um videojogo nesta geração de consolas. Mais do que isso, nem fazia ideia de que muitos consideram esse primeiro jogo um título de plataformas decente. Por isso, cheguei a esta sequela completamente vazio de expectativas.

Já com várias horas de jogo, perguntei-me: se isto é uma sequela, de que forma evoluiu em relação ao original? Sendo os dois jogos da mesma geração de consolas, terá sido sobretudo ao nível das mecânicas? No meio de tudo isto, o mais importante seria mesmo compreender o que andava a perder há anos.

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Uma nostalgia inesperada

Comecemos, então, tal como eu próprio comecei: olhando para este jogo como a primeira aventura com estas personagens em modo interativo. Marsupilami não me é estranho. Vi os desenhos animados em pequeno, e só relativamente há pouco tempo percebi que a personagem é da autoria de um dos grandes nomes da banda desenhada europeia. É curioso que, sendo miúdo, conheci várias histórias da BD europeia, como Tintin, Lucky Luke, Astérix ou Michel Vaillant, mas Marsupilami nunca me chegou por esse meio, sempre o conheci pela televisão. E adorava. Não perdia um episódio. Era divertido, único, com uma personagem icónica e difícil de esquecer.

Essa memória permanece até hoje, e descobrir este jogo foi uma dose de nostalgia com uma personagem de quem sempre gostei, num género que adoro. Foi a combinação perfeita para esta aventura.

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Qualidade que surpreende desde o início

Logo no arranque desta jornada, percebi rapidamente que havia aqui algo potencialmente interessante. Um jogo fluido, com animações extremamente bem conseguidas, e uma secção de plataformas bem desenvolvida e estruturada. A qualidade estava lá. O potencial estava lá. Mas como é que um jogo assim consegue este nível?

Esta pergunta surge porque é difícil encontrar jogos de plataformas 2D, fora dos já bem estabelecidos, capazes de oferecer uma experiência realmente interessante. Com exceção de Super Mario, Sonic e Rayman, o resto do género esconde pérolas que merecem ser exploradas, mas que muitas vezes falham nalgum aspeto: ou a secção de plataformas é pouco eficaz, ou as animações soam a barato, ou o ambiente do jogo não é nada chamativo. Marsupilami passa com distinção em todos estes pontos. Já vi quem diga que o primeiro jogo é um dos títulos de plataformas mais subestimados da geração, e começo a perceber porquê. Esta sequela corre o risco de cair no mesmo esquecimento, sobretudo por a licença já não estar tão presente na memória de muitos.

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Dois personagens, uma equipa: a mecânica que faz a diferença

A força do jogo está nas particularidades que chamam a atenção logo à partida, e que rapidamente percebi fazerem parte exatamente dessa evolução esperada de uma sequela. O jogo apresenta uma mecânica de dois personagens por nível, escolhidos de entre um trio disponível, cada um com uma forma diferente de jogar. Enquanto no primeiro jogo a personagem era escolhida no início de entre as três existentes, aqui levamos duas, que podemos trocar a qualquer momento.

Os níveis são desenhados especificamente para essas duas personagens, e, se quisermos apanhar todos os segredos, é preciso trabalhar em equipa. Isso pode ser feito em couch co-op, com cada jogador a atirar-se para a zona que melhor se adequa às suas habilidades, ou em modo solo, trocando de personagem a qualquer segundo.

Esta forma de trocar de personagem é, aliás, o aspeto mais interessante do jogo. No ecrã temos sempre apenas uma personagem visível, e ao trocar, ela transforma-se na outra disponível. Isto pode ser feito a qualquer momento, e a transição inclui uma pequena animação em câmara lenta que nos dá alguns segundos para nos prepararmos. É extremamente satisfatório atirar a personagem para uma zona que, à partida, causaria dano e nos faria perder uma vida, e, com uma troca rápida para a personagem imune a esse tipo de dano, seguir livremente a aventura. Está muito bem conseguido e funciona de forma espetacular.

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Dificuldade acessível a todos

Com os seus níveis de dificuldade, este título oferece diferentes formas de desafio para o jogador. Não é um jogo particularmente difícil, mas adapta-se bem a cada tipo de jogador, com um modo fácil de vidas infinitas para quem só quer desfrutar sem preocupações, ou para os mais novos, além dos modos normal e difícil, que acrescentam uma dose extra de complexidade aos níveis.

Essa complexidade não torna os níveis muito mais difíceis em si, mas o limite de vidas e o desafio de procurar todos os segredos tornam a experiência bem mais interessante. Esses desafios levam-nos a explorar todas as mecânicas a fundo, e a perceber como tirar partido da troca de personagem a qualquer momento. É um jogo com uma boa dose de segredos, mesmo que sigam sempre a mesma base: descobrir sete notas musicais, reunir pontos suficientes para ganhar três notas extra no final do nível, e superar o desafio escondido a meio do percurso. Depois, ainda é possível repetir o nível num modo de festa musical, para ganhar mais três notas. Com isto, cada nível transforma-se numa experiência duradoura. Mesmo não sendo um jogo longo, e mesmo conseguindo terminá-lo rapidamente se seguirmos apenas o caminho essencial, a experiência pode tornar-se bem mais extensa se decidirmos explorar tudo.

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Um mundo cheio de segredos

Cada nível foi construído ao detalhe, com segredos bem escondidos, mas ao alcance de quem prestar atenção. Recorrendo um pouco à magia de Super Mario, este título explora cada espaço do nível para nos incentivar a explorar. São níveis grandes, com um estilo alinhado com a localização em que nos encontramos. O hub dá-nos uma ideia daquilo que vamos encontrar em cada zona do jogo, e, ao entrar numa nova localização, percebemos rapidamente o estilo visual e o tipo de desafios que nos esperam, como, por exemplo, na cidade, onde o trânsito típico se torna um obstáculo claro. A eficácia dos saltos e dos movimentos das personagens torna tudo ainda mais agradável de jogar.

Nem perfeito, mas competente

O jogo não é perfeito, nem tão pouco o melhor título de plataformas de sempre, mas é muito competente naquilo que se propõe a oferecer. É um bom jogo, com mecânicas polidas, formas únicas e bem trabalhadas de viver cada nível, um aspeto cartoon que encaixa muito bem na temática, chefes desafiantes e peculiares, e bastante conteúdo para explorar.

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Podia ter maior variedade nos inimigos base, já que são praticamente os mesmos do início ao fim do jogo. Podia ter um hub ainda mais interligado, com um mundo mais detalhado e pronto a descobrir. Podia ter mais níveis secretos, para reforçar a longevidade. Podia ter muito mais, mas, como já referi, é competente naquilo a que se propõe, e isso é o essencial para transformar tudo numa experiência positiva.

Se, tal como eu, não conheciam esta aventura, fiquem atentos, porque talvez fiquem tão surpreendidos quanto eu fiquei. A Microids continua a dar cartas em lançamentos competentes, trazendo de volta uma fatia de mercado que praticamente desapareceu com a geração da PS3 e da Xbox 360: os jogos AA, que, sem orçamentos exorbitantes mas com mais recursos do que um estúdio indie, conseguem criar experiências como esta. Fico curioso quanto ao futuro desta franquia, porque me parece que ainda tem muito para contar.

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Marsupilami 2 - Salsa Palombia

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Lançamento: 2026-09-03 Ano: 2026
Saga/Série: Marsupilami
Distribuidora:
Estúdio:
8
Picture of Eduardo Rodrigues
Eduardo Rodrigues
Considero-me um geek da cabeça aos pés. Adoro uma boa leitura, apreciar a arte da BD e da Manga, ver de uma assentada aquela série ou anime incrível, ir ao cinema e devorar um filme e deliciar-me com uma aventura interativa nos videojogos e nos jogos de tabuleiro. Sou um adepto da mágica Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

Colaboraram neste artigo

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