Matrix Resurrections – Regresso esperado?

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The Matrix está de volta… outra vez. Deixem-me voltar alguns anos atrás e contar-vos como fiquei a amar cinema. Era 1996, mais coisa menos coisa, quando me sentei numa sala de cinema pela primeira vez, pelo menos que tenha recordação disso, para ver O Príncipe do Egipto. Tinha 5 anos. Com 8 anos, vi o Titanic nos cinemas, nas salas do Avenida em Coimbra. Foi provavelmente a última vez que fui aqueles cinemas. Já no novo milénio, um amigo apresenta-me uma versão DivX de um filme muito estranho… The Matrix.

Na altura, com 9/10 anos, fiquei completamente emaranhado com a história e pouco ou nada compreendi. Nada naquilo fazia sentido. A trama era demais para compreender com clareza tudo o que se tentava ali fazer. Mas certo é que me deixou, pela primeira vez, intrigado com as possibilidades do cinema. Passei a minha infância com filmes de Jackie Chan, Van Dam, Chuck Norris, Shwazerneger, Stallone, entre outros. Por isso, ver um filme de ação tão diferente como este deixou aquela jovem alma perdida no universo cinematográfico.

Foi um ano depois que ao ligar na RTP 1, numa noite tal como era habitual meu e da minha mãe, de forma a assistir o filme do dia, aí estava ele novamente. Rapidamente percebi que filme era aquele e fiquei colado ao ecrã até ao final. Desta vez, The Matrix não iria levar a melhor e finalmente iria conseguir compreender todos os detalhes. Não sei se compreendi tudo a 100%, mas desde esse momento que o cinema fez definitivamente parte da minha vida. Algo que sempre me foi incutido pela minha mãe, estava agora totalmente enraizado e cada nova experiência era um frenesim de emoções.

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A chegada das sequelas foi levada com grande loucura da minha parte. Têm de compreender que na altura, só queria voltar àquele mundo. Os meus padrões ainda não estavam assim tão definidos para o que seria um filme mais ou menos. Ou gostava, ou não. Os dois filmes lançados em 2003 foram o suficiente para me manter ligado ao universo para sempre. E mesmo concordando agora que os dois filmes, principalmente o terceiro, estão a milhas do que o primeiro fez, continuo a gostar de rever os três.

Revisitar a Matrix é o que se espera?

Em certa parte, é realmente o que se poderia esperar. Voltar a este universo com uma das suas criadoras originais é o mesmo que voltar a ficar totalmente perdido na imensidão de ideias lançadas do primeiro ao último minuto. Já o outro lado da moeda, oferece um filme que falha em algumas questões tão importantes que vão fazer muitos recuar uns bons anos e relembrar com carinho o primeiro filme.

Isto é a confusão psicológica que esta ressurreição me está a fazer. E cálculo que seja igual para muitos de vocês. Se não for assim, vou supor que apenas deixaram de lado qualquer tentativa de compreender o que tentou ali ser transmitido. Não vos censuro. Acreditem que não é fácil manter o foco neste emaranhado de ideias, ritmos e situações estranhas.

Não vou dizer que não me senti agarrado ao longo do filme, estaria a ser pouco sincero. O poder da nostalgia foi forte. A forma como esta saga tem um significado tão interessante para mim, levou-me a ficar preso ao assento, mesmo com todos os problemas bem descarados. Na tentativa de levar o espectador por uma viagem única carregada de crítica e mensagens subliminares, a própria realizadora parece ter as suas ideias um pouco embrulhadas.

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Essas críticas e mensagens estão realmente por lá, porque na verdade até são bem fáceis de compreender, mas parece que na tentativa de deixar tudo demasiado claro, se focou excessivamente em expor isso mesmo. Apesar de ter recebida algumas ideias com muito agrado e me ter deixado mais uma vez na busca por respostas, o filme decompõe-se muito rapidamente em tentativas falhadas ou de pouco interesse.

Nem sempre é fácil demonstrar uma narrativa complexa e carregada de sentidos, misturada com ação de qualidade e que redefine o estilo. O primeiro filme conseguiu fazer isso tão bem que ficará para sempre na história. Remodelou de tal maneira os filmes de ação e de ficção que será difícil de encontrar outra obra que tenha conseguido expressar-se tão bem no lançamento, como 20 anos depois. Já por várias vezes me perguntei se este quarto capítulo vai ter essa capacidade daqui por 20 anos.

A verdade é que são aqui levantadas, mesmo que de forma inglória, algumas questões pertinentes no que toca ao estado do cinema atual. Aquele tipo de questões que todas as pessoas sabem que existe, mas que se insiste em assobiar e olhar para o lado. Não só com o estado do cinema, mas igualmente com a pressão das redes sociais sobre as pessoas. Se há algo que o filme faz é pegar em questões importantes dos tempos atuais e tenta desconstruir tudo de forma inteligente. Se consegue? Umas vezes sim, outras nem por isso.

Vamos deixar de reciclar ideias

Por muito que me interesse regressar de tempos a tempos a alguns dos universos que mais adoro no cinema, nem sempre é necessário explorar novas formas de as fazer ressuscitar. Compreendo que em certas situações e devido ao grande avanço tecnológico, é possível recriar histórias como elas deveriam ser na sua origem. Vemos o exemplo de Dune. Facilmente se compreende que este remake era em certa parte essencial, e oferece uma visão mais perfeita e realista desta história. O primeiro filme The Matrix continua tão atual como em 1999, o que torna um pouco irrelevante voltar a contar esta história com a tecnologia atual. Resta assim as sequelas, mas será que era assim tão necessário?

Tudo depende de que forma for feito e como já tiveram oportunidade de compreender nem tudo aqui é o mais interessante. E apesar de compreender que todos os filme são feitos com um intuito: o de fazer dinheiro. Há certas produções onde é mais evidente a paixão pelo universo que outros. Estamos aqui perante uma situação relativamente complicada, onde um estúdio claramente procura o lucro e a realizador tenta dar alguma alma ao menino de ouro. Apesar de todos os problemas, continua a ser uma sequela com algum peso nas suas tentativas e julgo que principalmente oferece alguma qualidade extra relativamente ao terceiro capítulo da saga.

The Matrix Resurrections é uma tentativa de trazer este estranho mundo aos cinemas e foi em parte conseguido. Não me quero repetir muito mais, mas com certeza teremos aqui muita divisão de opiniões. Faltou muita coisa para tornar este um verdadeiro filme The Matrix. Muitas vezes se sente a falta de impacto na ação, mas no fundo tive os elementos suficientes para me entreter. Talvez com a história contada em menos tempo, este filme podia ter ganho alguns pontos para o lado positivo. Uma parte de mim, continua curioso para saber se irá haver mais no futuro. Mas espero que ao acontecer, aproveitem para dar uma visão diferente com personagens novos.

É possível explorar estes universos sem estarmos a reciclar sempre as mesmas ideias. E da minha parte, não tenho nenhum problema com isso. Para todos os que não conheciam a saga e têm este quarto filme como porta de entrada, deixo o conselho de voltar a 1999 e rever o primeiro. Acreditem que vai ser uma jornada incrível. Para quem já conhece a saga, esta é uma bela oportunidade para regressar ao primeiro filme e ver o quão bom era.

Matrix Resurrections

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Lançamento: 2021-12-22
Duração: 148 min
Distribuidora:
6
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Eduardo Rodrigues
Considero-me um geek da cabeça aos pés. Adoro uma boa leitura, apreciar a arte da BD e da Manga, ver de uma assentada aquela série ou anime incrível, ir ao cinema e devorar um filme e deliciar-me com uma aventura interativa nos videojogos e nos jogos de tabuleiro. Sou um adepto da mágica Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

Colaboraram neste artigo

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