Antoine Fuqua traz-nos, com “Michael”, uma história que já foi contada vezes sem conta. Para quem não conhece, Michael Jackson é, possivelmente, o maior artista pop de todos os tempos e, caso vivam debaixo de uma pedra e não conheçam a sua história, esta é uma ótima oportunidade para o fazerem.
Fuqua não é um desconhecido em Hollywood, contando no seu portefólio com filmes como The Equalizer ou Training Day. No entanto, Michael está longe de ser um filme de ação como os anteriormente mencionados. Quer isto dizer que Fuqua é menos capaz? De todo.
Na verdade, Fuqua iniciou a sua carreira a realizar vídeos musicais para artistas como Coolio, Stevie Wonder e até Prince. Há, portanto, alguma validação para a ideia de que, tendo conseguido criar pequenos “filmes” de 3 a 5 minutos, conseguiria também entregar duas horas de performances de Michael Jackson repletas de música, dança e, mais importante do que tudo, o espírito que sempre cativou o público.

Michael explora a ascensão do Rei do Pop até ao álbum Bad (1987). Desde a infância e a explosão dos The Jackson 5 com êxitos como ABC, passando pelo seu primeiro álbum a solo, Off the Wall, que viria a ser seguido por Thriller — o disco que o elevou acima de qualquer outro artista. Se parece uma biografia incompleta, é porque o é. Michael é apenas o primeiro filme sobre a vida de Michael Jackson, estando já planeada uma sequela para os próximos anos.
O ator escolhido para interpretar Michael Jackson é Jaafar Jackson e a semelhança no apelido não é coincidência: Jaafar é, de facto, sobrinho do artista. Esta é a sua estreia no grande ecrã, mas importa destacar que um dos pontos fortes de Michael é, sem dúvida, o seu elenco.
Jaafar, no papel de Michael, e Colman Domingo, como Joseph Jackson, carregam a alma do filme com interpretações sólidas. Ainda que num papel secundário, Domingo constrói uma personagem que transpira obsessão e ambição, para quem os fins justificam os meios. Já Jaafar tem (alguns) momentos em que nos oferece a ilusão de estar a ver Michael Jackson de volta ao grande ecrã – o que não é tarefa fácil.

Dito isto, Michael é um filme particularmente divertido para quem aprecia a música do artista. Durante duas horas, sentimos que estamos dentro de uma playlist de Michael Jackson, com atuações, momentos de videoclip e pequenos (e raros) vislumbres do processo de criação musical.
Raramente é explorada qualquer profundidade emocional da personagem, o que nos leva a questionar se estamos perante uma verdadeira biopic ou apenas uma produção de duas horas pensada para entreter e reavivar músicas que já não ouvíamos há anos.
Se forem fãs de Michael Jackson, Michael será, sem dúvida, uma experiência leve e divertida. No final, é provável que entrem no carro ou coloquem os fones para ouvir as vossas músicas favoritas do artista. Ainda assim, para além da nostalgia, pouco mais ficará convosco nos dias seguintes.