Minari

Minari é uma história clássica de imigrantes à procura do sonho americano que retrata uma família coreano-americana. O filme começa com o pai, a mãe e os dois filhos: Anne, uma rapariga séria e madura, e David, um rapaz de seis anos. Eles acabam de se mudar para uma pequena cidade do Arkansas na esperança de começar uma fazenda de 50 hectares, obrigando-se no entretanto a separar pintainhos por sexo como trabalho.

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A história é vista principalmente pelos olhos do filho, uma espécie de substituto do próprio realizador e roteirista Lee Isac Chung, visto que este baseia o argumento na sua própria experiência de crescer numa pequena fazenda. Este ponto de vista autobiográfico dá a Minari uma sensação de direção ao mesmo tempo que maravilha onírica, harmoniosamente transmitida através da narrativa, das lindas imagens do diretor de fotografia Lachlan Milne e da sublime trilha do compositor Emile Mosseri. A história resulta e está bem contada principalmente porque Chung sabe exatamente o que quer contar e como o quer contar: a história de Monica e Jacob e a sua relação na tentativa de atingir os seus objetivos comuns como casal e o contraste entre os dois na forma como querem atingir as mesmas ambições para os filhos.

O filme é sobre mais do que o sonho de Jacob (Steven Yeun)  em transformar a sua pequena fazenda num negócio de frutas e vegetais coreanos. É um filme sobre querer que os seus filhos vejam os pais a ter sucesso nalguma coisa, que tenham orgulho neles e não tenham medo de sonhar como eles. É sobre mostrar confiança perante a adversidade e provar que não interessa de onde se vêm mas para onde se vai. Quando pega um punhado de terra escura para impressionar a esposa, esta mostra-se mais relutante nesta sua aventura. Para ela, a fazenda corre o risco de jogar a família na ruína financeira e emocional. Isto é intensificado pelo facto de morarem numa casa sobre rodas, algo que poderia facilmente voar para longe se um tornado acontecesse, e, dessa forma, é difícil para Monica não se preocupar e confiar na ambição do marido.

Para a ajudar a lidar com tudo isto, entra em cena a sua mãe, vinda da Coreia para destabilizar o status quo. Soonja (Youn Yuh‑jung) é infantil e excêntrica, embaraçosa, sábia e amorosa, um contraste perfeito com o resto da família e embora o americanizado David recue inicialmente quando ela chega, visto que ela é exatamente o oposto da ideia que ele tem do que uma avó deve ser, a relação entre os dois acaba por culminar uma combinação carismática, elevando e acrescentando ao filme um humor maravilhoso. Soonja é exatamente o que David precisa. Por ter um sopro no coração, David teve uma vida relativamente protegida, mas aqui entra Soonja, uma força imprevisível da natureza, que não gosta de mimar e o tratar de forma diferente. “As coisas que se escondem são mais perigosas e assustadoras”, diz ela a David, referindo-se ostensivamente a uma cobra que veem perto de um riacho, mas na verdade tratando do veneno que vem de sentimentos não expressos.

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Com performances sólidas, o filme acaba por perder a tensão em certos pontos, confiando talvez demais na atmosfera que paira ao longo das cenas e na trilha sonora arrepiante e, às vezes, criando uma linha temporal que dá saltos nos momentos em que o espectador pode querer um pouco mais. No entanto, há um toque de verdade em cada momento e conversa, e retrata o mundano da vida de forma fiel e reconhecível. Um momento depois da igreja, quando o jovem David é casualmente alvo de um insulto racista por um jovem branco que imediatamente fala com ele como um amigo e o convida para uma festa do pijama, é uma forma brilhante de como todos neste filme ainda estão a aprender a maneira correta de se comportar, desde as crianças aos adultos, perante uma realidade nova.

Chung tem um talento especial para capturar aqueles momentos em que as pessoas se comportam de acordo com a sua própria bússola interna, de maneiras que podem não fazer sentido para um observador externo. E é impossível não apreciar a compreensão profunda do comportamento humano, bem como a maneira como objetos e situações comuns adquirem significado simbólico quando pensamos sobre eles em relação aos personagens. Will Patton, por exemplo, é excelente como fazendeiro cristão evangélico que louva Jesus a cada minuto e é visto em uma cena carregando uma grande cruz de madeira nas costas enquanto caminha pela estrada rural.

No seu todo, a mais valia do filme é o seu elenco encantador e a história confortante e acolhedora que resulta num filme gentil e  verdadeiro sobre uma família a tentar amar-se da melhor forma que podem.

Minari

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Lançamento: 2021-05-13
Realizador: Argumento:
Duração: 115 min
Distribuidora: ,
8
Picture of João Simões
João Simões
Viajante perdido à procura de sentido nas respostas dos outros. O personagem do Forky no Toy Story 4 em plena crise existencial é o meu animal espiritual. Quando ganhar um Óscar agradeço pelo meio à Cris e ao Ed se não me despedirem até lá.

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