Minecraft Legends – Investida bem planeada

Gostemos ou não do estilo de jogo, todos bem sabemos o portento que Minecraft é. Estamos perante um daqueles casos em que apanha tudo e (quase) todos de rajada e depressa se torna em algo bem mais do que inicialmente aparentava ser. E com isto, mais de 10 anos se passam desde que alguém minou um cubo pela primeira vez. Mas ao contrário do que se possa pensar, Minecraft Legends não se foca propriamente nos mesmos pilares que o progenitor da Mojang Studios.

Tal como já havia acontecido com Minecraft Dungeons, Legends pega no universo cúbico que já nos é tão familiar e aplica-o a outro estilo de jogo. Neste caso, estamos perante um misto de géneros, onde a ação e aventura são pautadas por estratégia em tempo real. E como é que isto se traduz no jogo propriamente dito?

Existem duas vertentes bem distintas e acho que convém desde já deixar isso bem delineado para dar alguma clareza do que retirar de cada uma delas. Uma é o modo história, que pode ser jogada com amigos ou individualmente, a outra é o modo online, em que um máximo de 4 jogadores se juntam para fazer frente a outros 4.

O primeiro modo, ainda que tenha alguma história, tem o propósito de servir como uma apresentação deste “novo” mundo, assim como ser um espaço seguro para experimentar e explorar à vontade. Somos nós contra os Piglins, que a todo o custo tentam invadir e capturar o Overworld. Como já mencionado, podemos aventurar-nos a solo ou com amigos, estejam eles na mesma plataforma ou um na Xbox ou PlayStation, ou até mesmo PC. A única limitação é entre gerações e o PC. Enquanto que a Xbox Series S | X e a PlayStation 5 podem facilmente jogar entre si e também com o PC, até um total de quatro jogadores, na Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One estamos limitados a dois jogadores e apenas a estas três plataformas.

Minecraft Legends Screen

Este modo de jogo é ainda o ideal para assimilar tudo o que é possível fazer em Minecraft Legends. Para começar, o nosso herói não vai andar diretamente a recolher recursos. Montado no seu cavalo, ou num tigre, ou um escaravelho, ou qualquer que seja aquilo que encontremos neste mundo, tendo as suas próprias vantagens, cabe-lhe a tarefa de organizar as suas tropas.

Numa primeira instância, precisamos de atribuir tarefas a figuras que vão tratar de recolher recursos, sejam pedra, madeira, carvão, ouro, diamante, entre todo um leque de oferta que já é bem conhecida dos jogadores. Assim que se comece a ver retorno, é preciso começar a proteger as nossas bases para eventuais ataques dos Piglins. Paredes, torres de defesa, melhoramentos que ajudam a aumentar a resistência das nossas estruturas, armadilhas com elementos, não nos vão faltar possibilidades de defesa.

Mas não precisamos de ficar apenas à espera do ataque, também podemos prevenir, atacando em primeiro lugar. Para isso, temos ao nosso dispor companheiros que podemos invocar para nos ajudarem nestas invasões à base inimiga. Estes podem variar entre ataque corpo a corpo como de longo alcance, havendo também opções de cura e atordoamento, entre outros. Há também algumas estruturas próprias para o ataque, que nos vão ajudar a invadir mais facilmente as bases inimigas, como o caso de catapultas.

Quantas mais bases inimigas derrotarmos, mais pontos vamos ganhar para desbloquear novo conteúdo na nossa base. Seja mais tipos de companheiros, ou a possibilidade de reerguer entidades especiais que encontramos ao explorar o mapa para mais tarde invocar em batalha e ter uma ajuda extra, ou até melhorarmos as nossas estruturas para que tenhamos mais espaço para recursos ou facilidade na recolha de materiais (e descoberta de novos materiais também).

Minecraft Legends Screen

As possibilidades são mais que muitas, e quanto mais explorarmos e derrotamos, ainda mais possibilidades surgem, mas isso só me leva a perguntar: para quê?

No modo história, aquilo que acabei por fazer, e poucas vezes falhou, foi focar-me em determinado tipo de aliados, com boa força de ataque e larga resistência, chegar-me ao pé de uma parede, ordenar que os meus aliados atacassem e rapidamente conseguia uma abertura para me deslocar ao interior da base inimiga. Uma vez lá dentro, virava as atenções para as estruturas que dão origem a mais adversários, começava a destruí-las até que não houvesse mais nenhuma e, no caso de ser uma base inimiga principal, deslocava-me ao portal e ordenava novamente que a atacassem.

O meu papel, acabava por se focar bastante em defender os meus aliados ao atacar diretamente os inimigos e caso ficasse sem eles, bastava-me deslocar à área circundante da base inimiga e criar mais aliados. Obviamente que joguei na dificuldade normal, ainda assim esperava algum desafio maior nestes encontros. Certamente houve alguma dificuldade em momentos chave, mas no geral as batalhas acabavam por ficar resolvidas por uma questão de números e não propriamente de estratégia.

Ainda que a minha questão não tenha ficado respondida, acho que tudo faz mais sentido quando desviamos as nossas atenções para o modo online, mais concretamente quando estamos a enfrentar outros jogadores.

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Tal como no modo história, cada mapa é gerado aleatoriamente. Recursos, posições das bases, tipos de biomas, meios de deslocação, tesouros, tudo é totalmente diferente cada vez que se começa uma nova partida. A única certeza é que vamos ter outros jogadores ao nosso lado, tal como vamos encontrar mais quatro prontos a atacar-nos mal tenham oportunidade. Essas oportunidades de ataque, criam-se!

Com mais mãos a tratar de uma só base, é preciso pensar de forma mais estratégica desde o primeiro segundo. Que recursos precisamos? Quem os vais meter a recolher? Que tipo de base queremos? Que aliados precisamos para garantir que a nossa base não é invadida pelos Piglins? Sim, eles também marcam presença neste confronto, atacando as duas bases por igual.

Os números aqui não ganham por si só. Também precisamos de dar muito mais uso às ordens que temos ao nosso dispor. Que aliados assumem uma posição mais frontal? Quais deles ficam atrás a proteger? Dividir para conquistar? Confiar apenas nas nossas estruturas para se defenderem sozinhas enquanto tentamos fazer uma investida em peso contra os adversários?

Minecraft Legends Screen

Isto são tudo questões que depressa precisam de resposta no calor do momento, e se antes estávamos tranquilamente a explorar e a limpar umas quantas bases, agora é preciso planear cada movimento. E isto tudo pode ser para nada, pois podemos encontrar do lado oposto uma equipa tão bem preparada e habituada que enquanto estamos à procura de ouro ou redstone, já o inimigo tem um castelo, armado até aos dentes, mais do que prontos para nos atacarem e derrotar em dois tempos. Nem os Piglins se aproximam!

Acho que é aqui que Minecraft Legends brilha verdadeiramente e onde poderá depositar todos os seus esforços. É um modo de jogo rápido, mas bem calculado, que dá bom uso a tudo o que tem ao seu dispor, que atinge escalas épicas quando jogado em equipas completas, dando ao jogador um variado leque de abordagens que estão longe do quão linear o modo história pode ser.  

Goste-se ou não daquilo que Minecraft é, são poucos os universos explorados a este nível que continuam a ser tão honestos e verdadeiros à essência da experiência original. É um novo género neste universo, que foge daquilo que conhecemos mas continua a ser Minecraft, não apenas visualmente mas também nas mecânicas que implementa, tendo perfeita noção de onde vem e para onde pode ir sem se perder apenas no estilo que tão bem o identifica.

Minecraft Legends

Minecraft Legends
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Marco Almeida
Viciado em tudo o que conte uma boa história, desde cinema a videojogos, séries a banda desenhada, e até um bom jogo de tabuleiro. Tudo é motivo para me atirar de cabeça a universos alternativos. E já agora, o Scorsese está errado; o MCU é o pináculo da sétima arte! Quem respira, concorda!

Colaboraram neste artigo

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