Minos soube bem como captar a minha atenção assim que me passou à frente dos olhos pelo Steam. Claro que ver labirintos e personagens a ser chacinados tem o seu interesse, mas ao ler que nós assumimos o papel do guardião de uma masmorra que vai ser invadida por aventureiros e é o nosso papel garantir que eles não saem de lá vivos, é ainda mais aliciante.
Eles poderiam vender-nos esta premissa, dar-nos um conjunto de níveis para resolver e estava o assunto arrumado, mas não, quiseram ir mais além e juntar a este tower defense uma pitada de elementos roguelike e uma liberdade bem vasta na forma como o labirinto é construído.
Nós somos um Minotauro, e temos como missão principal garantir que o nosso labirinto tem os percursos mais mortíferos possível. Para que consigamos tal tarefa temos a possibilidade de remover e adicionar paredes a nosso bel-prazer, o que vai ajudar a guiar os nossos aventureiros pelo caminho que queremos. E normalmente, ou quase sempre, queremos guia-los pelas diferentes armadilhas que vamos colocando em locais definidos pelo mapa, daí a necessidade em poder modificar as paredes.

Inicialmente uma armadilha é suficiente para derrotar um dos inimigos daquela vaga, e mesmo quando existem dois, três ou mais grupos por vaga, uma armadilha para cada um dos elementos do grupo safam bem. Mas à medida que vamos progredindo mais e mais nos níveis, mais fortes os inimigos ficam e começamos a ter de ser mais criativos não só com os caminhos mas também com as armadilhas.
Por vezes fico um bom par de minutos a simular na minha cabeça onde cada grupo vai avançar, onde colocar mais armadilhas, se essas armadilhas vão ser suficientes para a vida que cada elemento da vaga tem, e mesmo assim há sempre alguma coisa que me escapa e apanha de surpresa.
Felizmente, é possível nós próprios entrarmos em ação com o nosso Minotauro, até é encorajado. Se algum aventureiro escapa e consegue encontrar o nosso covil, rapidamente é chacinado, se aguentarmos também os ataques que eles próprios nos fazem. E também temos a oportunidade de reativar armadilhas (visto só poderem funcionar uma vez por ronda), usar atalhos para surpreender os aventureiros, ativar armadilhas no momento exato para vê-los ser desfeitos em vários pedaços, enfim as possibilidades são até consideravelmente variadas e quanto mais progredimos e desbloqueamos, mais vamos acumulando para usar em campo. Ou melhor, em labirinto!

Isto acaba também por ser um problema que com o progredir das partidas, se torna algo complicado gerir tudo. Inicialmente começamos por escolher quatro armadilhas, como uns espigões que saem disparados do chão, um jato de fogo, uma besta que dispara setas que percorrem grandes distâncias ou, só para mencionar mais um, uma estátua que atrai os inimigos e lhes dá uma facada assim que se aproximam.
Ao derrotar inimigos aumentamos a nossa oferenda de sangue que converte em adquirir mais uma habilidade e, com o ouro que vamos ganhando, podemos adquirir outras tantas. Quando chegamos ao nível 5, ou mais, já acumulamos um vasto número de armadilhas, algumas que vão tendo variações que dão mais danos mas que visualmente pouco ou nada variam das anteriores. Portanto, quando temos cerca de 12 inimigos a puxar o labirinto de vários lados, uns com mais vida, outros com menos, e depois com armadilhas que também causam diferentes quantidades de dano, e que só causam dano a um determinado tipo de inimigos, conseguir encontrar tudo o que precisamos acaba por se tornar uma tarefa algo complexa.
Talvez devesse existir alguma hierarquia, ou filtro, ou opção para vender armadilhas que temos a mais e não precisamos, algo que nos facilite a vida. Não que tenhamos algum contador a limitar-nos o tempo que temos antes da vaga começar a percorrer o labirinto, mas notei que quanto mais longe conseguia chegar, mais tempo demorava em cada nível.
Intercalado com os níveis de progresso da partida, existem alguns desafios mais disruptivos que fogem ao gameplay habitual e servem para nos dar mais alguma experiência para evoluir as capacidades do Minotauro. Estas melhorias podem ser vistas e desbloqueadas entre labirintos, num acampamento que nos dá também acesso a mais e melhores armadilhas que podemos ir comprando durante os labirintos, ou alguns benefícios que nos permitem resistir a mais ataques, dar mais dano, angariar mais ouro ou energia para partir certos elementos do labirinto, e outras tantas peculiaridades que tornam cada labirinto numa experiência única.

Este progresso todo também é acompanhado por uma história que vamos descobrindo à medida que vamos melhorando permanentemente o nosso Minotauro. Que nem sempre o foi, mas isso até é parte do encanto daquilo que nos estão a contar. Confesso que inicialmente me estavam a perder um pouco, mas com o desvendar de mais elementos, e com algumas surpresas que não estava a contar, conseguiram conquistar a minha atenção. E se gostarem de mitologia grega, então acho que vão gostar daquilo que Minos nos tem a oferecer.
Todos estes elementos trabalham bastante bem em conjunto e acabam por ser uma experiência bastante divertida e viciante, mesmo que por vezes se torne demasiado morosa sem necessidade, a mentalidade de “é só mais um” é rapidamente impregnada na nossa cabeça e facilmente perdemos horas a tentar aniquilar as investidas de inúmeros aventureiros.