MIO: Memories in Orbit e a beleza desafiante do metroidvania moderno

Inspirado pelos grandes mestres do género, MIO: Memories in Orbit destaca-se pela sua direção artística em aquarela, combate exigente e uma Arca em ruínas que convida à exploração, mesmo quando o caminho nem sempre é claro.

2025 foi o ano em que os jogadores tiveram finalmente a oportunidade de pôr as mãos num dos jogos mais esperados de sempre, Hollow Knight. Já 2026 começa com um claro sucessor, que aprendeu — e bem — com um mestre do género. MIO: Memories in Orbit é um metroidvania do estúdio francês Douze Dixièmes, com uma componente artística fenomenal e uma jogabilidade que irá deixar muitos fãs do género bastante satisfeitos. 

Assim que vi pela primeira vez o trailer deste jogo, ficou imediatamente gravado na minha retina. A sua estética foi desde logo um grande ponto de atração, mas quanto mais via da jogabilidade, mais vontade tinha de o experimentar, pois parecia genuinamente divertido. Depois de o jogar, posso dizer que as minhas expectativas não ficaram defraudadas. 

Imagem de gameplay do jogo MIO: Memories in Orbbit

MIO e a Arca Perdida

MIO: Memories in Orbit é um jogo repleto de ação e exploração, passado numa Arca em decadência, à beira da destruição e da aniquilação de todos os seus habitantes. Cabe a MIO, um pequeno robot com inúmeras habilidades, explorar este mundo em ruínas em busca de respostas. Porque é que as máquinas se tornaram hostis? Porque é que os Pearls, os guardiões desta Arca, deixaram de funcionar? 

Todas estas respostas não poderiam ser respondidas sem ajuda de muitos companheiros que vamos conhecendo ao longo da nossa jornada pela Arca. Todos eles com um papel importante, quer dando-nos respostas quer a ajudar MIO a obter novas habilidades. 

Imagem de gameplay do jogo MIO: Memories in Orbbit

Uma navegação à deriva

A história do jogo é bastante linear, mas, como acontece em muitos títulos do mesmo género, existe a sensação de que podemos explorar livremente desde o início, até sermos travados por barreiras que só podem ser ultrapassadas após obter a habilidade certa. Não vou mentir, houve alguns momentos que me senti frustrado e sem saber por onde tinha de ir, mas penso que essa é um pouco a magia destes jogos: ir numa aventura e ultrapassar obstáculos que ao início pareciam impossíveis, até que decides ir por uma rota diferente e tudo acaba por fazer sentido. 

Mas mesmo sabendo já à partida que isso é o que nos espera em muitos dos jogos do género, e de que os meus últimos metroidvanias que joguei foram: Metroid: Zero Mission para o GBA Prince of Persia: The Lost Crown, sinto que o jogo poderia oferecer algumas mecânicas adicionais para facilitar essa jornada, quer seja com um simples ponto no mapa numa zona que ainda se encontra por descobrir como acontece em Metroid ou até mesmo a simples, mas muito eficaz, capacidade de tirar uma captura de ecrã da área e guardá-la no mapa como acontece em Prince of Persia, ajudaria e muito os jogadores a lembrar que naquela zona é preciso uma certa habilidade para avançar. 

Imagem de gameplay do jogo MIO: Memories in Orbbit

Com a prática chegas lá

No que toca à movimentação da personagem e ao combate, a experiência é rápida e bastante desafiante, especialmente quando percebemos que existem inúmeros bosses espalhados pela Arca. Isso não significa, contudo, que deixe de ser divertido. Pelo contrário, jogadores com alguma experiência no género irão sentir-se bastante satisfeitos, sobretudo nos momentos em que é necessário estudar e compreender as mecânicas de cada boss para conseguir avançar. 

Mas vou ter de dizer que vou sentir pena das pessoas menos acostumadas a jogar, essas sim, não terão uma boa experiência. Sem qualquer tipo de ajuda no que toca à navegação e sem a existência de modos de dificuldade, estas irão se sentir bastante frustradas e é muito possível que não gostem da experiência. Acredito que a inclusão de opções de dificuldade poderia tornar a experiência mais acessível e atrair um público mais alargado. 

Imagem de gameplay do jogo MIO: Memories in Orbbit

Boa arte tem as suas imperfeições

No início, falei o quanto o trailer me cativou por toda a estética do jogo. Ao jogar posso dizer que a escolha artística de fazer o mundo parecer uma pintura de aquarela, foi sem dúvida uma escolha sublime. Em muitos momentos, enquanto explorava a Arca, seja a percorrer Haven ou a escalar a cidade de Metropolis, só desejava que o jogo tivesse um modo fotografia para poder captar toda a sua beleza. Até os diferentes detalhes visuais presentes nos tutoriais e na apresentação de cada habilidade é algo que certamente irá agradar às pessoas. 

A campanha do jogo pode ser completada em cerca de 20 horas e em todo o tempo que o joguei, posso dizer que toda a sua experiência foi fluída. Teve aqui e ali os seus senões, como um crash inoportuno ou quando usamos a habilidade de esquivar muitas vezes em curto espaço de tempo, parece que ganha algum input lag. No entanto, no geral, foram questões mínimas que não comprometeram nem a minha experiência nem a imersão no jogo. 

No fim das contas, 2026 começa em grande com um jogo que recomendo a todos experimentar, mesmo aos novatos neste tipo de género. Pelo preço a que será lançado, acredito que ninguém se irá arrepender. 

MIO: Memories in Orbbit

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Francisco Santos
Apaixonado por jogos e cinema. Tento partilhar essa paixão com as outras pessoas.

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