Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection é uma evolução muito ambiciosa do JRPG da série da Capcom. Afastou-se do estilo mais leve dos anteriores, por isso vemos uma aposta mais madura, estratégica e visualmente muito agradável. Mas nem sempre conseguiu acompanhar essa ambição.
Gameplay e Progressão – O verdadeiro coração do jogo
Se há algo que este jogo faz extremamente bem, é dar-te controlo e profundidade sobre os monstros.
Algumas das mecânicas que importa destacar incluem o sistema de procura de ovos específicos, que se revela viciante e recompensador, e a mistura de tipos de monstros, que permite a criação de builds interessantes e estratégicas para a tua equipa. Além disso, a gestão de habitats, através do sistema de Habitat Restoration, adiciona uma camada extra de interesse e profundidade ao jogo.
O jogo obriga-nos a um loop interessante de procura e cuidado de ovos para criar os melhores Monsties possíveis. É uma mecânica que não sendo obrigatória para o desenrolar da história, acaba por ser muito recompensadora e nos prende horas seguidas
Em termos simples: Se gostas de grind para maximizar os teus “Monsties”, já vais ter muitas horas pela frente.
Combate – Estratégico, mas com uma curva estranha
O combate não foge muito do habitual sistema de “pedra-papel-tesoura”, baseado na hierarquia de Power > Technical > Speed. Embora possa parecer confuso e pouco intuitivo numa fase inicial, o sistema revela-se como um gosto que se adquire com o acumular de horas de jogo. No entanto, o título peca por introduzir demasiados sistemas cedo demais e, após uma compreensão total das mecânicas de combate, a experiência acaba por se tornar extremamente repetitiva.
Torna-se repetitivo porque o sistema de combate está diretamente associado a cada Monstie. Na prática, significa que, ao enfrentar um Kulu-Ya-Ku, basta memorizar a sequência dos seus ataques e responder com o sistema de “pedra-papel-tesoura” para garantir a vitória. Como os padrões não mudam, os ataques surgem sempre na mesma ordem, o combate rapidamente deixa de ser um desafio e passa a ser um exercício de repetição.
É precisamente aqui que o jogo começa a perder força, sobretudo durante as fases de grind. Quando o objetivo passa por evoluir a equipa, esta previsibilidade transforma batalhas que deviam ser estratégicas em rotinas mecânicas, retirando parte da emoção e variedade à experiência. Não esquecendo que os Monsties têm fases de combates diferentes como default, rage ou crystalized.

Mundo, exploração e sistemas
Neste aspeto, o jogo acaba por melhorar bastante, apresentando-se visualmente muito sólido. O estilo anime sobressai através de cores vibrantes e animações de grande qualidade, embora a imagem possa parecer ter alguns tons esbatidos, algo que acaba por depender inteiramente das tuas definições de ecrã.
O mundo de Monster Hunter Stories 3 não impressiona apenas pelo seu visual deslumbrante, é também incrivelmente rico em conteúdo e sistemas interligados. Ao longo da exploração, somos constantemente recompensados com uma enorme variedade de materiais, incentivando uma jogabilidade mais atenta ao ambiente.
A presença de vários acampamentos espalhados pelo mapa, aliados ao sistema de fast travel, torna a navegação prática e fluida, reduzindo o desgaste típico deste tipo de jogos. No entanto, é na mecânica de Habitat Restoration que o mundo realmente ganha vida.
À medida que libertas Monsties durante a tua jornada, o próprio ambiente começa a transformar-se, refletindo diretamente as tuas ações. Esta evolução não é apenas estética, abre novas possibilidades de gameplay, permitindo encontrar Monsties com naturezas diferentes das originais e expandir as opções de construção da tua equipa. O resultado é um sistema que reforça a sensação de progressão e ligação ao mundo, incentivando a experimentação e garantindo que a tua equipa se mantém sempre diversa e em constante evolução.
São estas mecânicas que tornam Monster Hunter Stories 3 provavelmente o melhor da série Stories até agora.
História – “Talvez” o elo mais fraco
É na narrativa que o jogo revela alguma falta de originalidade. A história começa num estilo bem típico, dois reinos em conflito, uma crise ambiental iminente e a presença de dois Rathalos raros. Elementos que pouco surpreendem.
Ainda assim, existe uma tentativa de elevar o tom da narrativa. A componente política introduz uma camada mais séria e dá algum peso aos acontecimentos, tornando a história mais envolvente do que o seu conceito inicial poderia sugerir.
No final, podemos dizer que a história cumpre o seu papel. Não é complexa, mostra-se competente e, em alguns momentos, genuinamente interessante. Infelizmente não é o suficiente para ser uma experiência memorável como a de outros grandes JRPGs. Sentimos alguma falta profundidade emocional, o que impede uma ligação mais forte com as personagens e os acontecimentos.
Ainda assim, não é uma narrativa completamente vazia. Existem momentos interessantes e interações familiares que ajudam a dar algum peso à jornada. No entanto, a estrutura acaba por cair em vários clichés como, amizades, rivalidades, laços familiares, conflitos entre reinos, traições e guerras, tornando a história um pouco previsível.

Vale a pena?
Sim, para mim o jogo merece uma nota de 7 bem sólida, pois acredito que o mundo de Monster Hunter Stories continuará a crescer e a melhorar, estando claramente num ótimo caminho. Entre os seus pontos fortes, destacam-se a diversidade de Monsties e a exploração de um mundo aberto repleto de conteúdo, complementados por combates com animações variadas e coloridas. Além disso, o jogo oferece horas de grind divertido, mecânicas inovadoras de restauração de habitats e Monsties com várias fases distintas.
Por outro lado, os pontos fracos prendem-se com a repetição nos estilos de combate, uma história com pouca profundidade e previsível, e relações entre personagens que caem demasiado em clichés. No final, Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection não é perfeito, mas é precisamente na sua ambição imperfeita que revela o verdadeiro potencial daquilo que a série ainda pode vir a ser.