Neva é um dos meus jogos favoritos deste ano e vou dar-lhe um 10/10 no final desta análise, mas gostava de conseguir primeiro explicar-vos porquê.

Arte em toda a parte
Somos a guerreira Alba e acompanhados por Neva, o nosso pequeno lobo, vamos percorrer um mundo em decadência, numa clara alusão à destruição e aos problemas ambientais que o nosso planeta está a enfrentar. É nessa passagem pelos diferentes ecossistemas espalhados ao longo dos níveis que vamos encontrar cenários absolutamente deslumbrantes. A direção artística de Neva é de uma criatividade formidável, com escolhas de desenhos e cores berrantes que tanto se apresentam em tons negros e cinzentos, como numa explosão de quentes vermelhos e laranjas. É um festival de cores. E fez-me parar muitas vezes só para apreciar a paisagem, mesmo quando esta apresentava um ambiente soturno, de algo que morria.

Mais do que música
A banda-sonora de Neva é um fio condutor da narrativa. Num jogo sem diálogos e com poucas expressões sonoras por parte dos personagens, é a música composta pela banda Berlinist, de Barcelona, que nos guia emocionalmente através de momentos-chave da épica jornada de Alba e do seu lobito Neva. Houve momentos em que me emocionei sem recurso a grandes truques narrativos. Foi apenas a música e o esplendor dos cenários, da tal arte de que já falei, que me fizeram arrepiar e ficar sem ar. A banda-sonora em Neva é um triunfo artístico e foi claramente composta lado a lado com a equipa de produção do jogo, o estúdio Nomada, também de Barcelona. A fusão de todos os elementos, desde as cores do cenário, musicalidade e jogabilidade criam momentos absolutamente incríveis.

E a jogabilidade?
É difícil definir Neva em relação à sua jogabilidade. É um jogo de plataformas? Sim. É um side-scrolling? Também. Tem puzzles? Sim, e variados. Tem ação? Sim! E mais do que pode inicialmente parecer. Só temos uma espada e essa será sempre a nossa arma, mas vamos desenvolvendo algumas habilidades e, conforme o nosso lobo vai crescendo, também este nos ajudará a lutar contra os inimigos. Neva nunca se torna um jogo extremamente difícil, mas tem o seu grau de desafio e algumas boss fight irão testar a vossa atenção e paciência. Para quem pensa que este é apenas um jogo de admirar cenários bonitos, nada disso. Neva tem um sistema de combate simples mas robusto e que funciona perfeitamente no mundo de jogo aqui criado.

O ciclo da vida
Se são sensíveis, preparem os lenços. Neva conta uma história de crescimento, assim vamos acompanhando o nosso lobito até este se tornar maior do que nós, e traz consigo momentos que puxam de nós os sentimentos mais escondidos. É o ciclo da vida, o ciclo da natureza, o ciclo sem fim, aqui tão bem retratado. Toda a mensagem que Neva traz, sobre o homem e a destruição do mundo, é muito forte e muito bem explorada através de todos os seus elementos: a narrativa, jogabilidade, áudio e arte.
De pequena duração, talvez o único fator a apontar para quem procura jogos mais longos, Neva apresenta ainda assim um preço muito justo de 19,99eur. Pode ser completado entre 4 a 6 horas. Eu demorei cerca de 6 horas, talvez porque me perdi várias vezes a admirar a beleza do mundo à minha frente.
O estúdio Nomada trouxe-nos um dos melhores jogos do ano e uma obra indie que, mesmo que não revolucione o género (e não tinha de o fazer), acerta em tudo aquilo a que se propôs.
É uma produção de mestre. Sem tirar nem pôr.