New World: Aeternum

New World é um daqueles casos raros que teve várias vidas e continua cá para contar a história. Teve um lançamento histórico, onde cerca de 900 mil jogadores quiseram marcar presença neste novo mundo, mas na verdade esse número deveria ser bem mais alto já que muitos tiveram de ficar em listas de esperar algo longas até conseguirem entrar no jogo. Todos queriam juntar-se a um novo MMO que aparentemente tinha tudo para ser uma aposta ganha dos estúdios da Amazon, mas com o tempo acabou por se revelar algo diferente da expectativa. 

Com o passar dos dias tentaram resolver os problemas, o número de jogadores ativos também reduziu e vários jogadores começaram a perceber que para lá das primeiras impressões, New World não tinha muito mais a oferecer assim que a história era terminada. Os números começaram a descer e algures em Outubro já andávamos a rondar a média de 25 mil jogadores. Com o lançamento da primeira expansão, Rise of the Angry Earth, esses valores triplicaram, mas foi por pouco tempo e depressa desceram a valores assustadores que durante muito tempo não ultrapassaram os 10 mil jogadores. 

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Numa altura em que um videojogo é capaz de mal ver a luz do dia pela presença de escolha de pronomes, como é que um título da Amazon Games que, aparentemente, desiludiu jogadores constantemente com os updates que deixavam a desejar e pouco mais faziam do que corrigir bugs, teve a oportunidade de estar um ano inteiro sem atualizações e quando lançaram uma expansão ela não reverteu propriamente a opinião generalizada, e meses depois anunciam que vão reformular o jogo por completo e aqui estamos nós à espera dele? 

Acho que apesar de tudo o que se podia dizer de negativo sobre New World, ainda que verdade não era o suficiente para que muitos não vissem o potencial deste título e quisessem algo feito com pés e cabeça, e todos os outros membros que fazem sentido adicionar na quantidade certa a um corpo funcional. 

New World: Aeternum é isso mesmo, um corpo funcional, e talvez a versão que deveria ter sido lançada desde o início. 

Para quem já tenha experienciado New World, em Aeternum vai ter algo totalmente diferente, logo a começar pela história. Esta não só foi revista como também foi ilustrada com cutscenes e pequenas animações para momentos mais pequenos. Agora é claro o que se está a passar e faz sentido. Mesmo as quests acabam por ter os personagens a falar connosco. Ao contrário do passado, em que até a história principal nos era passada em folhas de papel caídas no chão. A experiência de progressão em si também foi afinada e melhorada, para que seja mais agradável e rápida, sem que tenhamos de estar a matar mais inimigos só para subir de nível, daí que o chamado grind não seja de todo necessário. 

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Para ajudar, também foram criados arquétipos que não nos limitam no nosso percurso mas atribuem à partida um conjunto de armas e equipamento apropriados ao que escolhermos. Se quisermos ser um guerreiro vamos ter acesso a uma espada e escudo, um caçador a um arco e flecha, um mago a um bastão mágico, e por aí adiante. Mas como é já conhecido de New World, se em algum momento escolhermos outra arma, também as nossas habilidades mudam. Pode dizer-se que a nossa classe está associada às armas e não à personagem. Talvez seja necessário voltar a distribuir os pontos de atributos da personagem, mas se os requisitos de uma arma forem idênticos é troca directa, não é preciso mais alteração alguma. 

No jogo propriamente dito, também existiram bastantes mudanças. O PvP continua a existir, ainda que possa ser ligado e desligado em zonas seguras sempre que o jogador assim quiser, mas agora existe uma zona exclusiva para esse modo de jogo com recompensas mais valiosas. Isto acaba por ser uma boa ajuda para quem procura mais e melhor equipamento, para depois se aventurar nas dungeons, especialmente na nova que permite até um máximo de 10 jogadores numa só equipa (em comparação com o limite convencional de 5 jogadores). 

Há também um novo tipo de desafios, que nos são apresentados durante a história, que podem ser feitos a solo, pondo assim à prova as nossas capacidades. É uma boa forma de perceber se já estamos preparados ou não para progredir e também de ganhar itens mais avançados. 

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O combate, apesar de se manter na sua essência o mesmo, também foi revisto e agora já é possível desequilibrar inimigos, o que não parecendo é uma excelente notícia, e mais importante que tudo isto que eu mencionei nos últimos parágrafos é já ser possível nadar! Podem achar que estou a gozar, mas não… Antes, se fossemos a banhos e não tivéssemos pé, o personagem continuava a caminhar como se estivesse em terra, daí que começamos a perder oxigênio enquanto andávamos no fundo do oceano como se nada fosse. Ainda que pudessem dizer “ah mas o equipamento é pesado”, a verdade é que fazia zero sentido e nem sei como permitiram que o jogo fosse lançado sem a possibilidade de flutuar. É que nós podíamos estar a ver terra do outro lado de um qualquer rio mais extenso, mas como íamos ao fundo em vez de apenas nadar pelo rio, não nos era possível chegar lá, só mesmo por terra. Agora já podemos dar umas braçadas até ao outro lado e ninguém se magoa (nem fica com bolhas nos pés de ter andado quilómetros em vez de nadar uns 10 metros de bruços).

Mas nem tudo foram melhorias. Muitos dos problemas do passado ainda por cá continuam. Gerir todo o nosso inventário, seja aquele que carregamos connosco seja o que deixamos guardado nas cidades, é um caos. Basta uma ou duas quests para que de repente tenhamos dezenas de novos itens e facilmente perdemos o fio à meada. O que queremos manter? O que pode ser descartado? Será que queremos vender? E se depois vamos a uma cidade e abrimos o que por lá guardamos, temos de correr uma lista de cidades um a um à procura de onde deixamos algum item que possamos precisar. Se precisarmos, nem é garantido que consigamos aceder, podemos ter de visitar a cidade. O que por um lado faz sentido, mas por outro é uma chatice dos infernos.

Mudar de equipamento rapidamente até é consideravelmente simples se tivermos em conta que é possível guardar conjuntos no inventário, daí que com um clique estejamos prontos. Só é pena que os nossos atributos não acompanhem esse conjunto. Poupamos tempo no equipamento mas depois temos de manualmente mudar tudo o resto.

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Andar a pé continua a ser uma daquelas coisas que ainda que já tenham resolvido o problema, porque adicionaram a possibilidade de termos um cavalo ou outro animal para nos deslocarmos mais rapidamente (as famosas mounts), é um pau de dois bicos porque se não comprarem a expansão não vão ter acesso a este funcionalidade. E sem isso acreditem que vão ter muito que andar.

Isto podem parecer coisas pequenas, mas quando se pensa na fluidez de jogo e naquilo que implicam, facilmente se tornam em grandes problemas para a experiência geral do jogador. E por serem mesmo coisas pequenas é que já podiam ter sido resolvidas, e ainda não foram… ou melhor, se pensarmos nas mounts até foram, mas esconderam isso atrás de uma expansão paga, o que é um pouco ganancioso.

Enfim, já deu para perceber que New World: Aeternum está longe de ser perfeito, ainda tem bastante espaço para crescer, mas olhando para aquilo que a Amazon Games nos presenteou em 2021 e vendo o que agora temos acesso, onde se inclui também a expansão (se a comprarem) e agora cross-platform com PlayStation 5 e XBOX Series X e S, é um jogo totalmente diferente, cheio de conteúdo e atividades, onde há sempre alguma coisa nova a aparecer e chamar pela nossa atenção. Continua a ser a surpresa que foi no lançamento, com novas ideias e formas de se jogar, e que visual e sonoramente é das melhores experiências MMO que temos atualmente no mercado, assim como a nível de jogabilidade é incrivelmente divertido, mas tudo isso só será aproveitado se continuarem com a vontade, e sorte, de manter o jogo vivo e interessante. Está tudo nas mãos da Amazon Games conseguirem levar este título a bom porto e continuar a expandir, porque tendo em conta a base que agora têm, as possibilidades são mais que muitas para nos surpreenderem.

New World: Aeternum

New World: Aeternum
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Lançamento: 2024-10-15
Estúdio:
7.5
Picture of Marco Almeida
Marco Almeida
Viciado em tudo o que conte uma boa história, desde cinema a videojogos, séries a banda desenhada, e até um bom jogo de tabuleiro. Tudo é motivo para me atirar de cabeça a universos alternativos. E já agora, o Scorsese está errado; o MCU é o pináculo da sétima arte! Quem respira, concorda!

Colaboraram neste artigo

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