Dos criadores dos premiados Ori and the Blind Forest e Ori and the Will of the Wisps, chega-nos No Rest for the Wicked, um RPG de Ação que quer trazer novidades ao género.
A convite da Moon Studios, pudemos jogá-lo em acesso antecipado e testar o seu funcionamento na Steam Deck.

O Rei está morto
O ano é 841 e o rei Harol morreu. Ainda mal a notícia da sua morte chegou a todo o reino e já a coroa passou para o seu arrogante e inexperiente filho Magnus. Nós somos Cerim, membro de um grupo de místicos guerreiros sagrados. Dotados de vários poderes, estes guerreiros juraram derrotar a Pestilência, uma praga terrível que regressa ao fim de mil anos, abatendo-se sobre todo o reino.
No Rest For the Wicked não perdeu a oportunidade incluir a sede de poder da Igreja nesta trama, mas deixo esses pormenores para que possam descobri-los nas bonitas cinemáticas que introduzem esta nova obra da Moon Studios. Trazendo uma arte no estilo pintado à mão, este é logo um detalhe que distingue este ARPG dos restantes no mercado. O cunho artístico da Moon Studios está aqui bem vincado, mais uma vez, e quem conhece os seus jogos anteriores vai sentir alguma familiaridade nisso, mas…
Isto não é um Ori
Ambos os jogos Ori, desafiantes metroidvania, ocupam lugares de destaque no meu top de jogos preferidos de sempre e, por isso mesmo, foi com grande curiosidade que me lancei a No Rest For The Wicked. A primeira certeza? Isto não é mesmo um Ori. Há aqui muito mais de RPGs tradicionais, como mesmo de um The Witcher, e até uma alma muito… soulslike. Não é que os Ori tenham sido alguma vez fáceis. A Moon Studios já é bem conhecida por criar experiências de jogabilidade árduas, mas muito recompensadoras. Só que aqui, para além da arte e uso expressivo da luminosidade na criação da fantasia deste mundo, não há mais nada de The Blind Forest ou The Will of The Wisps, e penso que isso é algo que deve ficar bem presente para os fãs destes dois.

Mas é assim tão difícil?
Sim e não. Acreditem que nunca toquei num jogo souls propriamente dito, porque a famosa extrema dificuldade sempre me afastou (e não sei se um Star Wars Jedi: Fallen Order pode realmente entrar nessa categoria, mas foi o mais próximo que estive de jogar um souls). Em No Rest For The Wicked a ação é visceral e de precisão, muita precisão. Embora ainda esteja em claro acesso antecipado e eu acredite que muitas armas, o parry e balanço dos poderes e dons do nosso personagem ainda venham a ser ajustados em futuros patches, a dificuldade é óbvia e bastante direta.
Nem os próprios criadores fazem questão de o esconder. Temi que isso me afastasse, mas acabei por mergulhar neste mundo e não querer sair, mesmo quando tive de lutar contra a minha frustração num combate com um boss que me obrigou a voltar atrás vezes e vezes sem conta para encontrar novas armas, evoluir outros aspetos e ter um personagem mais capaz de lhe fazer frente. O farming, o amado/odiado farming. Medindo pelo meu nível de resistência (e paciência) à dificuldade, diria que não é assim tão desesperante. Ou talvez tenha sido o vibrante mundo de jogo criado pela Moon Studios que não me deixou abandonar esta experiência. E os seus personagens carismáticos com certeza também ajudaram nisto. Isso é algo que logo nos primeiros momentos salta à vista. A fantasia distinta de No Rest For The Wicked, embora brilhante, traz um ambiente muito negro e inebriante.

Uma questão de técnica e as questões técnicas
Ainda sobre a jogabilidade, não é só sobre dificuldade nos confrontos. Também vão ter de dominar essa técnica de gestão de inventário, para não ficarem demasiado pesados, e pensar bem as vossas escolhas na hora de utilizar os pontos de evolução do vosso personagem. Um sistema que claramente ainda está a ser desenvolvido, mas que se mostra já bastante complexo.
Sobre as questões técnicas na Steam Deck. Fomos avisados, desde logo, da existência de alguns bugs. Quando comecei a jogar No Rest For The Wicked, este já tinha tido pelo menos 3 patches e recebeu outros tantos nas semanas que lhe dediquei. Devo dizer que a minha experiência na Steam Deck foi muito estável e quase isenta de erros. Limitei, por opção minha, a framerate a 30fps depois de ter achado algumas quebras sem esse limite e tive dois crashes para o menu inicial, mas em termos de jogabilidade, tempo de resposta e resolução, tudo me pareceu bastante seguro.
Há ainda muito a melhorar, tratando-se obviamente de um acesso antecipado, mas é impossível não ver aqui todo o potencial deste ARPG e não sentir já que este será um dos melhores lançamentos dos próximos tempos. A Moon Studios decidiu arriscar e fugir da sua fórmula, para surpresa de alguns e alegria de outros, e tem aqui a possibilidade de publicar, na sua versão definitiva, uma obra que poderá mesmo revolucionar um género tão acarinhado pelos jogadores.
Resta saber de que lado estes estarão.