O Drama – Quando Kristoffer Borgli Transforma o “Felizes para Sempre” num Desconforto Brilhante

Kristoffer Borgli subverte a comédia romântica tradicional, transformando um casamento de sonho num pesadelo de segredos e desconforto constante. Com uma montagem audaz e diálogos corajosos que não temem a natureza humana, o filme brilha especialmente pela entrega visceral de Robert Pattinson.
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Um casal apaixonado vê a sua relação posta à prova aquando, na semana do seu casamento, um acontecimento inesperado revela segredos do passado de ambos que prometem transformar a cerimónia num verdadeiro caos.

Há filmes feitos para chorar, filmes feitos para rir… e depois há “O Drama”, de Kristoffer Borgli, que visa fazer o espectador sorrir desconfortavelmente por uma hora e quarenta. A verdade é que durante os vinte e cinco minutos iniciais, Borgli prepara o terreno para a mais genérica das comédias românticas: Charlie, vivido por Robert Pattinson na primeira das três parcerias de 2026 com Zendaya, observa Emma, protagonizada pela mesma, num café, abordando-a e dando início a um poderoso romance que vai evoluindo até ao dia do casamento de ambos. No entanto, é aqui que, a meu ver, é-nos apresentado um dos trunfos da obra que, pessoalmente, até desejaria que acontecesse mais: o realizador e a equipa de montagem permitem-se contar a história de forma não linear, com recurso a rápidos cortes e, por vezes, até situações de “e se tivesse acontecido…” que não correspondem exatamente à realidade. Até mesmo os créditos iniciais parecem espalhar-se pela tela sem grande organização e, todas estas pequenas coisas, acabam por revelar um toque autoral de Borgli, ao mesmo tempo que contribui para o desconforto constante que “O Drama” se propõe a passar ao espectador.

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Numa brincadeira entre amigos, Charlie e Emma veem-se obrigados a revelar um ao outro o seu maior segredo antes do casamento e é aqui que acontece o shift da narrativa da obra, sendo difícil explicar o porquê de, na minha opinião, este funcionar tão bem, sem o revelar. No entanto posso afirmar que é aqui que “O Drama” deixa de ser uma comédia romântica e passa a ser um estudo antropológico revestido por um humor ácido que se propõe a tocar em pontos extremamente sensíveis sem se preocupar minimamente em levá-los a sério… e, para mim, resultou na perfeição. Escrita extremamente inteligente, sem vergonha de dizer verdades que muitas vezes ninguém tem coragem, revestindo-as com uma capa hollywoodesca quando, no fundo, argumenta a possibilidade e (muitas vezes) a necessidade do perdão mas apenas quando dispostos a enfrentar o desconfortável processo proveniente da natureza humana.

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Zendaya entrega uma atuação muito boa, mas, na minha opinião, este filme pertence a Robert Pattinson que volta a surpreender e cimenta a ideia de escolher bons projetos nos últimos anos. “O Drama” não é um filme para todos, mas foi definitivamente uma agradável surpresa para mim, repleto de diálogos corajosos e decisões muito interessantes na direção de Kristoffer Borgli que certamente me deixarão curioso no que toca a trabalhos futuros do realizador.

O Drama

The Drama
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Lançamento: 2026-04-02 Ano: 2026
Realizador: Argumento:
Estúdio:
8.5
Picture of Tomás Sena
Tomás Sena
Todos me chamam Tommy, “Tomás Sena” é só para parecer mais profissional. Apaixonado por cinema desde que me conheço por gente, gosto de escrever e dar a conhecer aos outros o que a sétima arte me dá a conhecer a mim. O rapaz que pegou num livro, com 9 anos, na biblioteca da escola, devido ao simples facto da sua capa ser apelativa, e esse simples gesto mudou para sempre a sua vida. O livro, o terceiro da, ainda hoje minha favorita, saga Harry Potter, moldou o rapaz, tornando-o num verdadeiro geek, que hoje escreve do seu quarto cheio de Pop Figures como testemunhas. Sempre pronto para o próximo livro, filme, série… para a próxima história que me fará mergulhar num novo universo e sempre decidido a defender a tese de que Pulp Fiction é o melhor filme já feito.

Colaboraram neste artigo

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