Um dos grandes filmes que está prestes a sair nos cinemas é O Falsificador. Apesar de ser um filme em alemão, não se deixe enganar, pois esta longa metragem promete muito. Se aprecias dramas ambientados na Segunda Guerra Mundial, O Falsificador oferece exatamente o que procuras, e talvez até mais.
Enquanto muitos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial frequentemente se concentram nas crueldades nazistas e nos sacrifícios dos judeus que lutaram pela sobrevivência, escondendo-se e fugindo da Alemanha, muitas vezes esquecem-se de retratar como muitos tiveram que simplesmente “viver” durante todo esse período de terror. Em O Falsificador, encontramos exatamente essa reflexão sobre a sorte de estar vivo. O filme captura vividamente essa experiência de vida durante um dos períodos mais tumultuosos da história.
Enredo
Acompanhamos, durante todo o filme, o extraordinário Coima Schönhaus (Louis Hofmann), um rapaz judeu que se encontra a viver sozinho na casa dos pais por ainda ter uma licença de trabalho. A vida é naturalmente difícil, metade da sua casa acaba de ser apropriada pelo estado. Frau Peters (Nina Gummich), a sua senhoria, impõe cada vez mais regras. A sua família foi para o “leste”, imaginamos fugidos. Portanto, Coima passa a viver com um amigo de juventude, Det Kassriel (Jonathan Berlin), que se encontra em semelhantes condições.
A relação entre os dois rapazes é uma autêntica amizade e aliança. Coima trabalhando para arranjar de sustento e Det tratando da casa, da comida, e da roupa. É durante este período que Coima procura uma segunda fonte de rendimento para obter mais cupões de alimentação. Após um encontro (ou dois) com o misterioso Herr Kaufmann (Marc Limpach), começa, a sua carreira como falsificador de identificação. A sua própria identificação é uma pobre falsificação feita, mas surpreendentemente aceitável, que o transforma de Coima Schönhaus, um pobre judeu trabalhador de fábrica, no grande Peter Schönhausen, herói de guerra. Assim começa uma dupla-vida, mas isto é somente os primeiros minutos do filme, muito mais encontrará o espectador, até romance!

Beleza Estética
Algo que é muito comum em filmes alemães é uma certa áurea sombria, especialmente quando se trata de filmes relacionados com as guerras. É, sem dúvida, um estilo de filme que torna o espectador confortável, pois garantidamente a escuridão o trará muito que espantar. Além disso, os cenários, as roupas, até os mais pequenos detalhes, são todos elegantemente estéticos, pelo menos de acordo com a nossa ideia da época, mas também historicamente fiéis.
Contudo, é nos efeitos sonoros que este filme merece mais celebração. Não é fora do comum a cena ser acompanhada de música, mas O Falsificador é um filme constantemente acompanhado de tiques e taques de um relógio fora de cena que parece significar a chegada de algo grandioso. Este relógio é precisamente audível quando o terror e o medo estão por perto, até intensifica o nosso pânico. Mas depois, deixamo-lo de ouvir, por tão focados estarmos no enredo, no romance entre Coima e Gerda (Luna Wedler), na paixão de viver, quase como se a paixão fosse maior que o medo.
Encenação
Tendo em conta que o filme se baseia em factos verídicos, é muito curioso que é consegue ter momentos tão cómicos. Coima é interpretado como um jovem um pouco tolo, alguém do género que se lhe dissessem para não fazer algo, ele fá-lo-ia imediatamente. Louis Hofmann interpreta excelentemente esta inocência e esperteza da personagem, não havendo qualquer momento em que o achemos arrogante. Porém, sem a cooperação de Jonathan Berlin, que interpreta o doce Det, e estipula esta ligação quase de “bromance” entre as duas personagens, o filme realmente perderia muito.
Mas, caso o espectador ainda não esteja convencido. Digo-lhe só, então, que até mesmo para os mais frágeis que odeiem imagens de guerra, este filme é ideal. Há sempre a ideia de que a guerra está próxima, mas que também sempre distante.