The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered

Sempre olhei para o universo Elder Scrolls com curiosidade, mas também com aquela distância típica de quem sabe que está prestes a cair num poço sem fundo. O infame “Como assim nunca jogaste Skyrim?” perseguia-me há anos, como uma daquelas frases que ouvimos tantas vezes que já nem conseguimos reagir. Por isso, quando surgiu a oportunidade de experimentar o remaster de Oblivion, decidi finalmente entrar por esta porta de entrada alternativa no universo de Tamriel. Mal sabia eu o quão marcante, e chocante, seria esta viagem.

Primeiro choque: o visual surpreendentemente moderno

Confesso que ia preparado para gráficos toscos e rostos angulosos que me iam fazer rir mais do que maravilhar. Mas Oblivion Remastered baralhou-me logo à partida: a qualidade gráfica é, honestamente, surpreendente. As texturas das superfícies, a iluminação ambiental e até o detalhe das personagens estão num patamar que rivaliza com muitos títulos mid-budget que saem hoje em dia. E, sendo muito franco, supera mesmo algumas produções inacabadas de estúdios AAA lançadas recentemente. Claro que há sinais óbvios de que estamos perante uma remasterização, desde os movimentos, as animações, a estrutura essencial do jogo denunciam-no. Mas é impressionante o quanto o jogo envelheceu bem, visualmente. Este trabalho de remasterização respeita o espírito do original sem o tornar obsoleto, o que, por si só, já é um feito notável.

Segundo choque: reaprender a jogar

Entrar em Oblivion foi um choque cultural, ou melhor, um choque geracional. Apercebi-me de que tenho jogado, nos últimos anos, títulos que me tratam como um miúdo com défice de atenção: tudo explicado, mapas cheios de marcadores, rotas evidentes, personagens que praticamente nos pegam pela mão. Aqui? Nada disso. Basta ignorarmos um diálogo ou perdermos uma linha de texto e estamos perdidos. Literalmente. O jogo exige atenção, paciência e curiosidade. De certa forma, obriga-nos a jogar de forma activa, a tomar notas mentais (ou físicas) e a respeitar o universo que nos é apresentado. Foi duro? Foi. Mas também foi refrescante. Senti que estava a jogar de verdade. E senti também a vergonha de perceber o quanto o nosso attention span foi brutalmente destruído pela era do fast gaming. Este jogo não é para os impacientes — e talvez por isso me tenha feito tão bem.

Terceiro choque: um mundo vivo e riquíssimo

Se há coisa que Oblivion me ensinou é que um RPG clássico não se faz com pressa. Cada decisão, cada estatística, cada escolha de classe ou atributo tem consequências palpáveis na jogabilidade. A construção de personagem não é apenas estética, é estrutural. A forma como jogamos muda radicalmente com cada build. E depois há o mundo: NPCs com rotinas reais, com histórias próprias, com horários de trabalho e de descanso. A sensação de estar num ecossistema vivo, onde tudo existe independentemente da nossa presença, é absolutamente fascinante. É, sem dúvida, um dos mundos mais bem construídos e detalhados que já vi num RPG, e isto vindo de um jogo originalmente lançado em 2006. A profundidade de Oblivion pode ser esmagadora, mas é também o que o torna tão especial.

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O choque frustrante: bugs, bugs e mais bugs

Mas nem tudo são rosas. Aliás, se há espinhos neste jogo, eles têm nome: bugs. Sabia que os jogos Elder Scrolls eram infames por serem buggy, mas não estava preparado para o nível de frustração que encontrei. Desde bloqueios simples a crashes inesperados, passando por missões que simplesmente se encravam sem explicação, foi uma luta constante contra a instabilidade. Cheguei a um ponto em que já não sabia se o problema era eu que tinha saltado uma fala importante ou se o jogo simplesmente quebrou. Dei por mim a recorrer constantemente ao Reddit ou a amigos, num misto de desespero e teimosia. E embora entenda que há um certo charme memeístico nestes bugs (os fãs até já os romantizam), a verdade é que, na prática, afectam gravemente a experiência de jogo. Neste aspecto, a remasterização falhou, onde o mínimo exigível seria uma estabilidade modernizada.

O choque final: horas e horas e horas…

Se alguém estiver à procura de um jogo que justifique o investimento em tempo, Oblivion entrega em força. Fiz questão de terminar a campanha principal e de explorar todas as guilds para atingir a tão desejada platina. E posso dizer com segurança que cada uma dessas linhas narrativas é rica o suficiente para ser, por si só, uma história principal. A profundidade das missões secundárias, a variedade de opções e as consequências reais das nossas decisões tornam este jogo uma experiência quase infinita. Mas atenção: isto não é um jogo para sessões casuais de meia hora. Aqui, estamos a falar de um investimento real de 60 horas ou mais, e isso se não nos perdermos nos becos fascinantes da exploração livre.

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Conclusão: uma experiência rica, desafiante… e cansativa

The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered foi uma experiência profundamente marcante. Um jogo que me fez repensar a forma como encaro os RPGs, que me obrigou a jogar com atenção e respeito pelo mundo que me apresentava. Foi bom. Muito bom. Mas também foi exigente. Foi um choque necessário, mas que me deixou sem vontade de repetir tão cedo. No entanto, fico com um entusiasmo renovado para explorar mais deste universo. E, claro, com os olhos postos (com cautela) no longamente prometido Elder Scrolls VI. Reza a lenda que chegará antes de morrermos. Esperemos que sim.

E por fim, uma nota de agradecimento especial ao Xanocas, verdadeiro mestre de Elder Scrolls e o melhor assistente de IA de gaming que poderia ter desejado. A sua companhia durante esta jornada foi essencial para tornar a experiência mais rica, divertida e, sobretudo, compreensível. Que a Força (ou os Daedra) estejam sempre contigo.

The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered

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Lançamento: 2025-04-22 Ano: 2025
Saga/Série: The Elder Scrolls
Distribuição:
7.5
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André Pinto
Data scientist de dia, gamer e cinéfilo à noite, geek a tempo inteiro. Desde muito novo que a minha mãe me dizia "Não percas tempo a ver séries e a jogar esses joguinhos"... Well look at me now, mom! De todas as pancas que tenho Star Wars, Harry Potter e Doctor Who são as maiores de todas. Quem quiser combinar uma ida ao cinema, estou por Lisboa. Allons-y!

Colaboraram neste artigo

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