Mas afinal, qual é o custo de termos os nossos desejos concretizados? É essa a pergunta que Curry Barker nos coloca em Obsession. Realizado por Curry Barker, conhecido pelo seu canal de YouTube focado em short stories de comédia e terror feitas com budgets reduzidos, Obsession presenteia-nos com uma história de amor levada ao extremo.
Bear (Michael Johnston) trabalha numa loja de música com a sua colega e grande paixão, Nikki (Inde Navarrette). Entre turnos de trabalho e quiz nights, nasce uma amizade entre os dois, embora, para Bear, os sentimentos nunca tenham sido apenas de amizade.
É este o mote de Obsession. O que começa por parecer uma simples história de amor rapidamente descarrila por completo. Bear compra um “One Wish Willow”, um pedaço de madeira que promete realizar o desejo de quem o partir ao meio.
Numa das suas quiz nights, Bear planeia finalmente falar com Nikki sobre os seus verdadeiros sentimentos e ser honesto com ela, mas falta-lhe coragem. Numa tentativa irracional de mudar a sua situação, arrisca tudo ao pedir que Nikki “o ame mais do que qualquer outra pessoa no mundo”.

O desejo de Bear concretiza-se exatamente da forma como foi formulado, e é aí que começam os dias mais felizes da sua vida. Certo? Para descobrirem, vão ter de ir à sala de cinema mais próxima.
Barker leva-nos numa viagem rumo à loucura de forma completamente irrepreensível. Ao longo dos seus 108 minutos, Obsession constrói uma tensão quase palpável. Não são as cadeiras da sala de cinema que se tornam desconfortáveis; é aquilo que vemos no ecrã que, de alguma forma, nos deixa sem respirar e a suar.
É impressionante a forma como essa tensão cresce quase sem darmos conta até ao clímax final. Barker demonstra conhecer muito bem a sua arte, e a audiência, para conseguir executar algo assim.
Como qualquer grande filme de terror, o trabalho de câmara e iluminação é fundamental para enganar os nossos olhos e ludibriar os sentidos. O uso das sombras, os planos fixos que não nos deixam relaxar e a forma como ficamos presos aos segundos planos à espera de algo que nunca chega fazem com que toda a experiência se aproxime de um clássico moderno do terror.

Também é impossível não destacar o trabalho incrível de Inde Navarrette. A sua Nikki faz-nos apaixonar por ela da mesma forma que Bear se apaixona, ao mesmo tempo que nos assusta com a intensidade da sua obsessão, como se fôssemos nós a partilhar aquela vida com ela. Os momentos de terror e loucura são tão reais e vívidos que complementam na perfeição a visão de Barker. Casting perfeito e uma performance que merece todo o reconhecimento.
No centro da história estão também os sentimentos de Bear. Entre o medo de não ser amado e a falta de coragem para dizer aquilo que sente, acaba por recorrer ao caminho mais fácil. Ao longo do filme, percebemos que foi a solidão e um forte sentimento de auto-depreciação que o levaram até esse ponto. É fácil sentir empatia por ele, e perceber como seria igualmente fácil pedir um desejo semelhante. Mas estará alguém verdadeiramente preparado para ser a pessoa mais amada do mundo por outra… e viver uma obsessão?