Oh, Canada

Leonard Fife (Richard Gere) recusa-se a participar na Guerra do Vietname e foge para o Canadá, onde se torna um cineasta aclamado. Anos depois, afetado por uma doença terminal, aceita ser entrevistado por uma equipa de estudantes que já haviam sido seus alunos de cinema. Enquanto estes visam revisitar todos os feitos passados do seu professor, Leonard, por sua vez, apenas deseja falar sobre as suas vidas passadas.

Paul Schrader escreve e realiza esta obra profundamente pessoal, narrando a história de um artista que, nos últimos momentos da sua vida, decide compartilhar as suas memórias com a sua esposa, muitos anos mais jovem. É por aí que começa – Uma Thurman e Richard Gere. Ela assume um papel mais contido, ouvindo atentamente o relato do marido, enquanto enfrenta uma montanha-russa emocional, oscilando entre o orgulho e a incerteza de talvez nunca ter realmente conhecido o homem ao seu lado. Ele, por sua vez, alterna entre uma personalidade excêntrica e um estado mais introspetivo, visivelmente fragilizado pela sua condição. Ambos entregam grandes atuações, mas é Gere quem se destaca, possivelmente oferecendo a melhor interpretação da sua carreira.

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No entanto, Oh, Canada apresenta a história destes personagens através de múltiplas linhas temporais, o que se torna problemático, pois, na minha opinião, a edição de Benjamin Rodriguez Jr. não consegue conferir a clareza necessária. Nem mesmo a fotografia de Andrew Wonder — mais saturada nos dias atuais e mais vibrante no passado — consegue evitar que, por vezes, seja difícil situarmo-nos no tempo da narrativa. No entanto, a confusão do filme não se deve apenas à edição, mas também a uma escolha estética questionável: atribuir o papel principal a dois atores – Richard Gere no presente e Jacob Elordi no passado, interpretando uma versão mais jovem de Leonard – enquanto a personagem de Uma Thurman permanece sempre representada por ela. Isso faz com que, em certas cenas, a transição entre os períodos pareça forçada, tornando evidente que Elordi é demasiado jovem e Gere demasiado velho para interpretar Leonard em determinadas fases da sua vida.

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A maior crítica que posso fazer a este filme é a sua incapacidade de me envolver emocionalmente. Durante os 91 minutos em que Paul Schrader me apresentou a vida deste personagem – um homem que tanto viveu, que tanto sentiu e que, supostamente, carrega uma história rica e profunda –, eu, por outro lado, não senti nada. Oh, Canada falha em criar uma ligação genuína entre o espectador e a narrativa, deixando-me indiferente ao seu desenrolar.

Ainda que reconheça a ambição do realizador em explorar os últimos momentos de um artista, revisitando as suas memórias e arrependimentos, a execução não conseguiu provocar em mim a empatia ou a reflexão que obras deste género geralmente inspiram. O filme parece excessivamente preocupado com a estrutura e a estética, mas esquece-se do essencial: criar um vínculo emocional entre o público e a jornada da personagem. No fim, senti que fui apenas um observador distante, incapaz de me conectar verdadeiramente com a história que Schrader queria contar. Por isso, creio que a experiência que ele se propôs a proporcionar com esta obra simplesmente não funcionou para mim.

Oh, Canada

Oh, Canada
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Lançamento: 2025-02-20 Ano: 2025
Realizador: Argumento:
Duração: 91 min
Distribuidora:
5.5
Picture of Tomás Sena
Tomás Sena
Todos me chamam Tommy, “Tomás Sena” é só para parecer mais profissional. Apaixonado por cinema desde que me conheço por gente, gosto de escrever e dar a conhecer aos outros o que a sétima arte me dá a conhecer a mim. O rapaz que pegou num livro, com 9 anos, na biblioteca da escola, devido ao simples facto da sua capa ser apelativa, e esse simples gesto mudou para sempre a sua vida. O livro, o terceiro da, ainda hoje minha favorita, saga Harry Potter, moldou o rapaz, tornando-o num verdadeiro geek, que hoje escreve do seu quarto cheio de Pop Figures como testemunhas. Sempre pronto para o próximo livro, filme, série… para a próxima história que me fará mergulhar num novo universo e sempre decidido a defender a tese de que Pulp Fiction é o melhor filme já feito.

Colaboraram neste artigo

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