Onimusha: Way of the Sword prova que 20 anos de espera valeram a pena

Onimusha: Way of the Sword regressa 20 anos depois com combate moderno, um bom equilíbrio de desafio e um desempenho surpreendente na Nintendo Switch 2.

O regresso de uma franquia adormecida

Onimusha está de regresso depois de uma ausência demasiado prolongada. Uma das franquias iniciadas no início da geração PlayStation 2, esta surge a meio caminho entre os primórdios de Resident Evil e o combate mirabolante de Devil May Cry. Aliás, é a partir do primeiro Onimusha, e das primeiras etapas de desenvolvimento de Resident Evil 4, que nasce a própria franquia Devil May Cry.

O primeiro jogo surge em 2001 e mantém-se ativo até 2006, com o seu último título na PlayStation 2, contando ao todo com quatro jogos da franquia principal e mais dois spin-offs, um no Game Boy Advance e outro também na PlayStation 2. Depois disso, Onimusha fica adormecido por quase 20 anos, com apenas um remaster muito básico do primeiro jogo a chegar à PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC em 2018, e uma série animada na Netflix em 2023, uma clara tentativa da Capcom de perceber se ainda haveria interesse na saga. Esse interesse existia, e não demorou muito até termos as primeiras informações sobre o desenvolvimento de um novo capítulo, conseguindo finalmente uma sequela 20 anos depois do último jogo da franquia.

Way of the Sword: modernizar sem perder a identidade

Way of the Sword leva-nos até ao Japão feudal, com personagens de nomes reconhecíveis para quem conhece a história deste país. Com uma mistura de base histórica real e a fantasia demoníaca típica daquela região, o jogo consegue encaixar o estilo de jogo moderno nesta franquia clássica de forma quase perfeita.

Um dos maiores problemas dos jogos originais era o seu sistema de jogabilidade que, mesmo refinado ao longo dos quatro títulos iniciais, continha algumas ideias demasiado presas ao seu tempo. Isso não era um problema na altura, mas é hoje, numa era em que as acessibilidades e as formas de jogar mudaram drasticamente. A câmara fixa e controlada automaticamente, característica de Onimusha, já não é uma prática comum nos dias de hoje. Este novo jogo utiliza, por isso, um sistema de câmara e de controlo modernos, com ambientes criados no motor mais recente da Capcom, o RE Engine, já bem conhecido dos Resident Evil mais atuais, e com todas as opções de acessibilidade necessárias para garantir uma experiência eficaz do início ao fim.

Um desafio bem equilibrado

Mesmo com todas estas mecânicas refinadas e melhorias técnicas, o jogo continua a ter um nível de desafio bem equilibrado. Mesmo escolhendo o modo história, esta não é de todo uma viagem fácil. Olhando principalmente para os principais chefes, o jogo pode revelar-se mais desafiante do que muitos esperam. Não é um soulslike, nem se assemelha propriamente a um, mas fez-me lembrar Ninja Gaiden 4, do ano passado, e digo isto de forma totalmente positiva, já que adorei esse jogo.

O combate é fluido e satisfatório de executar, e isso ajuda imenso a tornar a experiência ainda melhor. A diversificação de movimentos, a evolução constante da personagem e uma forma estruturada de adaptar o nosso estilo de combate consoante o inimigo à nossa frente, sem nunca tornar tudo demasiado complexo, são alguns dos pontos mais impressionantes deste jogo.

Uma narrativa simples ao serviço do combate

A narrativa de Way of the Sword é simples e direta, e isso é uma escolha deliberada: leva-nos de um ponto ao outro para podermos desfrutar dos grandes momentos de combate, sem se perder em complexidade desnecessária. As várias missões secundárias, apesar de poderem tornar-se algo repetitivas, acabam por dar um pouco mais de profundidade à estrutura do jogo, às personagens e a tudo o que envolve esta aventura.

O protagonista, em particular, está incrível, e arrisco dizer que está entre os grandes personagens de videojogos dos últimos tempos. É um trabalho de mérito tanto do ator como da escrita, na forma como a personagem é apresentada e evolui ao longo da campanha.

Onimusha ao rubro na Nintendo Switch 2

A Nintendo Switch 2 mostra, mais uma vez, a sua capacidade de levar grandes produções de terceiros aos jogadores Nintendo sem grandes dificuldades. A Capcom continua a ser um dos grandes impulsionadores da consola, conseguindo oferecer experiências muito próximas das disponíveis nas restantes plataformas do mercado. É impressionante ver este jogo a correr na consola, com opções de framerate bloqueado ou desbloqueado, permitindo alternativas sustentáveis e bem pensadas para explorar o título da melhor forma. Os detalhes estão aprimorados, e a Capcom não poupou a pequena consola da Nintendo, com o jogo a exigir, em certos momentos, todas as capacidades da máquina híbrida. Em uma ou duas ocasiões em que joguei na televisão e depois voltei ao modo portátil, senti a consola a expelir ar quente de forma bastante intensa, sinal de que está mesmo a trabalhar no limite.

É de forma magnífica que a Nintendo Switch 2 corre Onimusha: Way of the Sword, e é mais um exemplo do trabalho de superação da Capcom. O aspeto gráfico está igualmente bem trabalhado, com pormenores notáveis. A consola trata muito bem este jogo, e tenho a certeza de que, na maioria dos casos, os jogadores vão sentir tudo aquilo que o título tem para oferecer. Sim, não tem o mesmo nível de detalhe que terá noutras consolas ou no PC, mas é bem capaz de surpreender mais nesta pequena máquina do que em qualquer outra plataforma.

Kyoto medieval: duração e design no ponto certo

Estamos perante um jogo relativamente linear, com espaços de exploração na cidade de Kyoto que conseguem oferecer missões extra suficientes para alargar ligeiramente a aventura. É um jogo com a duração perfeita para aquilo que se propõe oferecer, nem demasiado longo, nem demasiado curto, exatamente no ponto que esperava.

O design de jogo está alinhado com essa proposta, com espaços bem desenhados e trabalhados para permitir um desenvolvimento evolutivo tanto da personagem como do nosso próprio estilo de jogar. Tem tudo o que precisa para nunca nos perdermos naquela Kyoto medieval. Se a cidade pode parecer intimidante ao início, as mecânicas e as ajudas do jogo permitem circular rápida e facilmente por cada recanto desse espaço. O facto de não ser gigante e, ainda assim, oferecer atalhos rápidos de deslocação torna qualquer confusão inicial em algo muito mais fácil e direto de resolver.

Pouco apelo a repetir a aventura

O valor de replay é baixo. O jogo dura cerca de 20 a 25 horas, um tempo que, na minha opinião, é perfeito para aquilo que Way of the Sword se propõe oferecer. Dado o tipo de missões extra apresentadas, o jogo não nos puxa muito a repetir a aventura do início. O apelo pós-jogo foca-se quase exclusivamente no domínio do combate: modos de desafio contra chefes (Boss Rematch e Practice Ground), novos níveis de dificuldade, desbloqueio de fatos e cosméticos, e a perseguição da perfeição na mecânica de Issen.

Vale o preço?

Onimusha: Way of the Sword é para quem procura combate visceral, técnico e de ritmo rápido. As batalhas contra os chefes principais estão entre as melhores e mais satisfatórias do género nos últimos anos. Agora, se valorizas narrativas mais emotivas, mundos abertos densos para explorar ou dezenas de horas de conteúdo secundário diversificado, talvez valha a pena esperar por uma promoção. O reaproveitamento de mini-chefes e as missões repetitivas em Kyoto acabam por desacelerar o ritmo a meio do jogo, o que pesa um pouco na avaliação de quem procura variedade constante.

Um regresso à altura da espera

Onimusha tem, finalmente, o regresso que tanto desejava. Tudo o que podia imaginar que este jogo seria, aconteceu. É exatamente aquilo que eu queria. Não tem uma escala massiva, mas é exatamente aquilo que se podia pedir para uma nova entrada nesta franquia. É muito bom ver o regresso de Onimusha, e vê-lo funcionar tão bem como efetivamente acontece.

Franquias clássicas como esta, que ganham uma nova oportunidade, nem sempre têm uma vida fácil, mas Onimusha está no ponto certo para conseguir seguir para um futuro promissor. Espero sinceramente que não sejam precisos mais 20 anos até termos um novo capítulo.

Onimusha: Way of the Sword

Lançamento: 2026-09-04 • Ano: 2026
Duração: 1500 min
Saga/Série: Onimusha
Distribuidora: ,
Estúdio:
8
Picture of Eduardo Rodrigues
Eduardo Rodrigues
Considero-me um geek da cabeça aos pés. Adoro uma boa leitura, apreciar a arte da BD e da Manga, ver de uma assentada aquela série ou anime incrível, ir ao cinema e devorar um filme e deliciar-me com uma aventura interativa nos videojogos e nos jogos de tabuleiro. Sou um adepto da mágica Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

Colaboraram neste artigo

PUBLICIDADE

Últimos artigos

PUBLICIDADE

Achamos que também podes gostar disto

PUBLICIDADE