Quintas com objetivos!
Estou de volta para a prometida análise ao último jogo de Uwe Rosenberg, chamado Hallertau. Aqui, entre outras coisas que já vou explicar, o vosso objetivo é produzir o máximo número de recursos possível para que depois estes possam ser gastos ao evoluir os nossos edifícios. Parece demasiado simples, certo? A parte fantástica deste jogo é isso mesmo. Normalmente, os jogos de tabuleiro desenhados por Uwe são um pouco mais complexos e abertos, isto é, não dão à partida um objetivo ao jogador. Cada um pode começar onde quiser e da forma que quiser. Pessoalmente, apenas tive a oportunidade de experimentar um outro jogo dele chamado Fields of Arle e as diferenças entre este e o que agora vos trago são abismais. No entanto, o que não é diferente é o tema de jogo. Por alguma razão, Uwe é um amante ávido do tema de farming, isto é, animais, terras e recursos fazem quase sempre parte dos seus jogos.
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Antes de continuar, Hallertau é um jogo de 1 a 4 jogadores (sendo recomendado para jogos a 2 jogadores), aconselhado para maiores de 12 anos e com uma duração média de 50 a 140 minutos. Quanto à complexidade do jogo e ao contrário do que diz a caixa deste, não concordo, de todo, que seja considerado com um expert level game. Mesmo na primeira vez que se joga, o jogo flui com uma relativa facilidade e, embora tenha imensas nuances para aprender, todas elas fazem sentido o que faz com que o jogo não se torne confuso nem maçador.
Revisão Geral do Jogo
Cada jogador tem ao seu dispor vários tabuleiros: o celeiro; a sua quinta e a sua pequena aldeia (chamemos assim). Cada um destes tabuleiros serve para coisas distintas, embora lutem para um objetivo em comum. É ainda dado aos jogadores um pequeno tabuleiro para marcar o número de joias que cada um tem. Existe ainda um tabuleiro central onde cada jogador irá colocar os seus trabalhadores para realizar a ação desejada. Por fim, e não menos importante, as cartas. Embora seja um fator que contribui para fomentar a sorte de cada um, cada grupo de cartas providencia aos jogadores pequenos objetivos que, se cumpridos, podem ajudar o jogador ao longo do jogo. Servem como pequenos guias do nosso jogo diria. Não podemos, por isso, olvidar a sua existência.
Vamos, primeiramente, definir os objetivos dos tabuleiros de jogador. O celeiro é o local onde colocamos as ovelhas que vamos ganhando ao longo do jogo. Existem várias formas de as obter, seja através das cartas ou das ações do tabuleiro central, por exemplo. No entanto, tal como nos outros jogos de Uwe Rosenberg, também aqui existe uma pequena penalização para as ovelhas que estejam há mais tempo no jogo. É verdade pessoal, as ovelhas aqui padecem. Existem sempre formas de as salvar, mas caso isso não aconteça, somos penalizados dessa forma. O nosso celeiro diz-nos, também, quantos recursos são necessários para avançar cada estabelecimento que nós temos na nossa pequena aldeia. Por exemplo, para avançar no primeiro turno, apenas necessitamos de gastar um recurso, enquanto no final da terceira ronda já temos de gastar, pelo menos, dois de tipos diferentes.
No final do jogo, se conseguirmos guardar algumas das ovelhas, ganhamos um ponto de vitória por cada uma que tenhamos no nosso celeiro.
Depois, o nosso tabuleiro da quinta. Aqui é o plano principal da criação e desenvolvimento dos nossos recursos. Aqui podemos saber quantos recursos temos, quais temos e cultivar as nossas terras para ter mais. Começamos o jogo com três terras vazias, mas nada nos impede de continuar a angariar mais, para que possamos ter ainda mais possibilidades de cultivo. Este tabuleiro é relativamente simples, embora seja aquele que possivelmente nos dê mais trabalho.
Chegamos, então, ao tabuleiro da nossa aldeia. Este tabuleiro é indicativo dos trabalhadores que podemos utilizar em cada ronda de jogo (o jogo é constituído por seis rondas no total) e podemos utilizar mais há medida que vamos “evoluindo” os nossos estabelecimentos. Basicamente, os nossos recursos produzidos servem para melhorar esses estabelecimentos e, dessa forma, aumentar o número de trabalhadores disponíveis em cada ronda. Caso não tenhamos recursos suficientes, temos sempre hipótese de pagar com joias, qualquer avanço que queiramos fazer. Tais joias conseguem-se tal como as ovelhas, ou seja, ou no tabuleiro central ou nas cartas que nos vão saindo.
Como poder ver, nada complicado. Tem é muita coisa a acontecer!
Vamos agora ao Tabuleiro Central. Este é o tabuleiro principal de jogo. É aqui que colocamos os nossos trabalhadores, é aqui que tiramos as cartas, é aqui que o jogo tem mais impacto e interação entre os jogadores, entre outros fatores. Aqui fazemos as decisões de jogo. Hallertau introduz uma mecânica interessante que nunca tinha visto em qualquer jogo que joguei. Atenção, isto não significa que seja inovadora. É apenas inovador para mim, pois nunca tinha jogado desta forma. Aqui, as ações do tabuleiro central não ficam impedidas de ser realizadas por mais do que um jogador (ou até pelo mesmo!). Em Hallertau, a ação pode ficar cada vez mais cara até ficar totalmente impedida de ser realizada. Por exemplo, se eu quiser fazer uma ação que outro jogador já tenha feito, em regra, tenho de pagar mais para a fazer, isto é, se esta não estiver impedida. Cada ação pede, no mínimo, um trabalhador para ser efetuada ou três no máximo. Atingidos os três trabalhadores, não podemos fazer tal ação no jogo – até, pelo menos, ao virar do turno.
No tabuleiro central, temos todas as opções à nossa disposição, desde cultivar, a ir buscar recursos, a comprar ovelhas, entre outros. Podemos ainda ir buscar cartas de objetivos e eventualmente, substituir o token de primeiro jogador. Neste tipo de jogos é sempre importante jogar primeiro.
Por fim, as cartas. As cartas são um dos fatores mais importantes do jogo. Diria ser o fator mais determinante para a vitória. Parte boa: podemos jogar uma carta a qualquer altura do jogo (a não ser que a própria carta diga o oposto), mesmo que seja no turno do oponente. Podemos ter cartas de objetivos simples, cartas bónus (temos um bónus em cada fase de produção), cartas de objetivos mais complexos, mas que dão imensos pontos e cartas de mercado/troca. Tendo, cada uma delas, objetivos e funções distintas, cada jogador pode escolher por onde seguir para melhor complementar a sua estratégia. No entanto, claro, não deixam de ser cartas. O fator sorte está sempre ao virar da esquina. Talvez seja por isso que algumas pessoas não gostaram tanto desta experiência de Uwe. Em regra, os jogos deste autor são jogos mais estrategas do que táticos e aqui a essência alterou-se drasticamente. Pessoalmente, não tenho qualquer problema com esta mudança, até porque nunca joguei muitos jogos de Uwe Rosenberg. No entanto, entendo a frustração dos restantes em não ser aquilo que esperariam.
Veredito
Aquando do inicio de jogo, hão de reparar que o jogo é dividido por 10 etapas de jogo, muito bem explicadas em cada um dos mini tabuleiros de referência que vêm com o jogo. Eu tentei sumariar o máximo possível cada função do jogo, de forma a não intimidar o leitor para uma ideia de complexidade porque, de facto, o jogo é relativamente simples. Em nada se compara ao típico jogo de Uwe Rosenberg. Mesmo que assim seja, confesso que nos primeiros jogos tive de ler, algumas vezes, essa pequena lista com a descrição das várias etapas de jogo, para uma melhor organização pessoal. No entanto, algumas etapas são, literalmente, mover uma carta, por exemplo, ou ir buscar os recursos que nos são devidos. A etapa que mais tempo ocupa é sem dúvida a colocação dos trabalhadores. Ou então a gestão dos recursos para avançar com o desenvolvimento da nossa aldeia, mas até mesmo aí o processo é relativamente simples.
Onde podemos ter alguma dificuldade é na contagem dos recursos que temos ao nosso dispor. Os espaços para colocar cada tipo de recursos são relativamente pequenos e facilmente se tornam claustrofóbicos.
De resto, o jogo é muito interessante e um bom jogo, diria, de peso médio. As cartas podem dar ao jogo alguns wild swings inesperados, mas nada que drasticamente altere o rumo do jogo. Um jogador que não tem uma estratégia estuda e equilibrada em ambos os lados, isto é, nos tabuleiros pessoais e nas cartas, dificilmente consegue obter a vitória. É um jogo divertido, especialmente para dois jogadores, relativamente rápido, principalmente, quando já sabem o que fazer (aproximadamente uma hora) e podem contar com imensa rejogabilidade, porque as cartas serão sempre diferentes. Para além disso, existem vários decks diferentes para serem jogados em sessões de jogo diferentes.
O tema, para quem está habituado ao autor, pode ser um pouco repetitivo. Para mim, não é o caso, pois apenas tenho dois jogos de Farming na minha coleção. É, definitivamente, um jogo para manter e para continuar a jogar. É uma fantástica adição para qualquer amante de jogos de alocação de trabalhadores!