Os Demónios do Meu Avô

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Rosa (Victória Guerra) leva uma vida inteiramente dedicada ao seu trabalho quando recebe a notícia de que o seu avô, de quem se havia progressivamente afastado devido ao quotidiano intenso da cidade, havia falecido. Esta, movida pelo remorso, decide então voltar à propriedade isolada do avô, no meio da paisagem transmontana, decidida a encontrar de novo um rumo para si e para de alguma forma honrar o homem que ali vivera. No entanto, Rosa nunca se encontra realmente sozinha. Para além dos amigos que vai fazendo, é sempre acompanhada por pequenos “demónios” de barro, moldados pelo seu avô, que parecem aconselhá-la e fazer-lhe companhia como este faria se ainda lá pudesse estar para ela.

O primeiro filme português de animação stop-motion

Creio poder afirmar facilmente que Os Demónios do Meu Avô não se trata apenas de uma longa metragem comum. Para além de ser o primeiro filme animado em stop-motion da história do cinema português, é um exemplo perfeito de uma fórmula que poderia funcionar muito mais vezes do que realmente acontece. Nuno Beato, com um excelente primeiro trabalho no papel de realizador, conta com o argumento de Possidónio Cachapa e Cristina Pinheiro como um trunfo importante na construção e fluidez da obra, apresentando ao espectador personagens bem desenvolvidas que contam uma história que, mesmo sendo simples, não deixa de transmitir uma importante mensagem. Para além de todos estes pormenores, a longa metragem narra um conto bem português que possui uma banda sonora que nos remete imediatamente para as belas paisagens transmontanas. Mas afinal, é bom?

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O 2D inicial

O filme começa com uma animação 2D para transmitir uma certa modernização, uma vez que, no início da história, Rosa ainda se encontra na cidade, rodeada de rotinas e tecnologias. É só mais à frente, quando a personagem principal decide voltar à terra do seu avô, que se dá a transição do 2D para o stop-motion.

Apesar de entender que a mudança não se dá em vão, pois tem o propósito de “modernizar” a cidade, apresentando um tipo de animação mais contemporânea, o filme não carecia do uso de tal recurso. Como mencionei antes, tratando-se deste tipo de filme, na maior parte das vezes a simplicidade é um trunfo e não há a necessidade de tentar acrescentar nada a não ser que o filme assim o exija. O início, animado em 2D, pareceu-me uma animação genérica, diria inclusivamente mal executada que parece até destoar um pouco do resto do filme. Por sua vez, a animação em stop-motion é a cara deste projeto e acaba por revelar-se uma muito boa escolha na forma de contar esta história ainda para mais tratando-se de uma técnica executada na perfeição que, infelizmente, cada vez mais está a cair em desuso.

Os Demónios do Meu Avô (2022) - filmSPOT

Os Demónios do Meu Avô é uma agradável jornada, repleta de narrativas interessantes e personagens bem construídas. Uma história sobre amor, sobre traumas do passado, sobre gratidão e redenção. O toque autoral de Nuno Beato torna este projeto mais rico e gosto de pensar que conseguirá bater-se com as clássicas Disney e Pixar nas salas de cinema por todo o país.

Um passo importante para o cinema português, sem dúvida, mas, acima de tudo, um exemplo perfeito de como se pode fazer grandes projetos no nosso país.

Os Demónios do Meu Avô

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Lançamento: 2023-06-22
Realizador: Argumento: ,
Duração: 90 min
Distribuição:
7.5
Picture of Tomás Sena
Tomás Sena
Todos me chamam Tommy, “Tomás Sena” é só para parecer mais profissional. Apaixonado por cinema desde que me conheço por gente, gosto de escrever e dar a conhecer aos outros o que a sétima arte me dá a conhecer a mim. O rapaz que pegou num livro, com 9 anos, na biblioteca da escola, devido ao simples facto da sua capa ser apelativa, e esse simples gesto mudou para sempre a sua vida. O livro, o terceiro da, ainda hoje minha favorita, saga Harry Potter, moldou o rapaz, tornando-o num verdadeiro geek, que hoje escreve do seu quarto cheio de Pop Figures como testemunhas. Sempre pronto para o próximo livro, filme, série… para a próxima história que me fará mergulhar num novo universo e sempre decidido a defender a tese de que Pulp Fiction é o melhor filme já feito.

Colaboraram neste artigo

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