Quem não conhece os Smurfs? Criados pelo cartoonista belga, Pierre Culiford (a.k.a. Peyo), estes pequenos amigos azuis apareceram pela primeira vez em 1958 na banda desenhada Johan et Pirlouit, como personagens secundárias. Os leitores gostaram tanto destas novas criaturas que foi criada uma história própria para lhes dar destaque. A criação de Peyo expandiu-se com a adaptação para uma série animada e, anos mais tarde, filmes, jogos, brinquedos e até parques temáticos.
Como uma franchise, os Smurfs apareceram em muitos videojogos durante as décadas de 80 e 90. Foram lançados para a Nintendo Entertainment System (NES), Super Nintendo Entertainment System (SNES), para a linha Game Boy, para as primeiras consolas Atari, ColecoVision da Coleco, para a maioria das consolas da Sega, PlayStation, PC, iOS, Android, Nintendo DS, Wii e Nintendo 3DS.
O primeiro jogo, Smurf: Rescue in Gargamel’s Castle, foi lançado em 1982 para Atari 2600 e ColecoVision. A partir desse ano, foram lançados regularmente jogos desta franquia até ao ano de 2001 onde houve uma pausa. Com a chegada dos smartphones e aposta em grande nas consolas portáteis, os Smurfs foram revividos para encaixar esta nova procura do mercado, tendo o primeiro jogo de telemóvel, em 2010, de nome Smurfs’ Village, que contou com mais de milhões de downloads. Foram lançados anualmente novos jogos dos Smurfs até 2015, onde houve uma pausa, sendo revividos agora em 2021.
Os Smurfs – Missão Florrorosa, desenvolvido pela OSome Studios e publicado pela Microids, é a última entrada do franchise dos Smurfs no mundo dos videojogos e conta com um upgrade para a última geração já para o ano que vem. Neste jogo de aventura e plataformas 3D, jogamos com Brainy, Hefty, Chef e Smurfette em cinco mundos diferentes, numa missão contra o já habitual vilão Gargamel. O objectivo é usar o smufizer (smurficador) para curar as plantas contaminadas a caminho do castelo do Gargamel.
Os Smurfs – Missão Florrorosa é uma boa pausa dos jogos mais fast paced que se calhar estamos habituados a jogar. Tem uma jogabilidade simples e intuitiva que nos permite, sem muito esforço, perceber o que fazer e para onde ir. Proporciona uma experiência de jogo relaxante, pois não tem muitos elementos jogáveis para nos encher a cabeça acabando, por vezes, por bater naquele mindless grind terapêutico. Os Smurfs – Missão Florrorosa surpreendeu bastante ao trazer um desafio bem estruturado. A sua dificuldade talvez seja um pouco elevada para o público-alvo, mas os mais veteranos e fãs de jogos de plataforma têm um excelente jogo em mãos para obter umas boas horas de diversão.
O jogo também possibilita jogar em co-op, que encaixa que nem uma luva nesta mistura de géneros de jogo entre plataformas e exploração. Devido ao conteúdo leve do jogo, cores vibrantes e jogabilidade direta e objetiva, o jogo apresenta uma experiência apropriada a todas as idades, por isso o co-op vem mesmo a calhar para possibilitar pais, filhos, irmãos ou até mesmo avós poderem jogar em família. Infelizmente, o jogo falha em assumir o co-op e apenas apresenta esta opção como um extra e não algo parte do jogo. As blueprints estão feitas de jogos anteriores, Os Smurfs – Missão Florrorosa ganharia em copiar algumas dessas ideias, como desafios personalizados para co-op (como em Sackboy: Uma Grande Aventura) que acrescentariam valor e conteúdo interessante a esta entrada da franquia.
Este jogo não se destaca por ser o mais inovador em aspetos técnicos. Esperava-se que, ao fim de alguns anos de pausa, Smurfs voltassem com mais garrafa e fulgor. A construção dos níveis é simples e intuitiva, mas repetitiva e, por vezes demasiado cheia de elementos visuais. Os movimentos das personagens são pouco orgânicos e, usando certos power-ups (como a habilidade de “voar”) difíceis de controlar. E apesar de jogarmos com quatro personagens diferentes, nenhuma delas apresenta algo único à jogabilidade, sendo apenas skins diferentes e atores diferentes a darem a voz às personagens.
Apesar das cores vibrantes, Os Smurfs – Missão Florrorosa falha bastante na parte gráfica. Apresenta texturas desleixadas e quebra de frames, especialmente nas sombras. A falta de detalhe é notória. Bastantes vezes vêem-se pixéis nos contornos das personagens e outros elementos gráficos de relevo. Os gráficos podiam estar, no geral, mais polidos e acredito que isso transformaria consideravelmente o jogo em algo superior.

Os Smurfs – Missão Florrorosa é uma boa surpresa. Apesar de indicado para uma audiência mais jovem pode ser cativante para uma idade mais adulta. Um jogo simples com uma história simples e, apesar de não ser um jogo tecnicamente perfeito, pode ser apreciado por pais e filhos ao mesmo tempo.