Parking Garage Rally Circuit – European Tour

Criado por Tim (Walaber) a partir de uma game jam, PGRC e a sua nova expansão European Tour provam que a simplicidade é a alma do vício. O conceito é deliciosamente absurdo: conduzir carros de rali a alta velocidade e dar drifts milimétricos dentro de parques de estacionamento. Com uma jogabilidade fluida de "só mais uma corrida" e carros fantasma a ditar o ritmo, o jogo evoca a era de ouro da Sega Saturn e da PlayStation 1.

São muitos os jogos que nos escapam, mesmo nomes grandes da indústria por vezes passam por nós e nem damos por eles, é estranho que aconteça, mas por vezes acontece. Até posso ser só eu, mas acredito que por distração, por estarmos focados noutros títulos, ou apenas por falta de promoção dos mesmos, não os vimos. Quanto mais se falarmos de títulos AA ou até feitos por uma só pessoa. 

É esse o caso de Parking Garage Rally Circuit e, mais recentemente, a sua mais recente expansão European Tour. 

Criado por Tim (Walaber, como é conhecido online e também o nome do seu estúdio), este PGRC (vamos encurtar para simplificar) foi lançado já em 2024 e surgiu do Ludum Dare, uma game jam que acontece duas vezes por ano. 

blank

O conceito é simples, talvez forçado pelo curto espaço de tempo que existe para a produção de um jogo, mas por vezes, na dificuldade em arranjar recursos para mais, sendo aqui o recurso tempo, dá origem a simples e boas ideias. Pegamos então em carros de rally, e em vez de nos preocuparmos com toda uma pista citadina ou no meio do nada, temos a pista feita em parques de estacionamento. Acelerar, travar, dar drift para também ganhar um boost, e está feita a festa. 

Pode até parecer simples demais, mas é na simplicidade dos controlos e do desafio, que surge o verdadeiro vício. É que fazemos uma corrida, fazemos duas, damos por nós e o movimento já nos é natural. Fazemos três, fazemos quatro, e de repente estamos completamente vidrados em só fazer a próxima. É só mais a próxima! Juro! 

No jogo base, a progressão até é simples, e há um crescendo na dificuldade que surge naturalmente e não se torna frustrante. A melhor parte é que a solução para ganharmos está sempre à nossa frente, já que os nossos adversários são carros fantasma que vamos vendo enquanto fazemos a nossa corrida. Isto é, vamos vendo se estivermos a conseguir safar-nos, porque caso contrário nem carros fantasma, nem nada. 

Assim que concluímos um conjunto de circuitos numa determinada classe, desbloqueamos a próxima para voltar a repetir os circuitos. E até aqui tudo certo, porque conseguimos entender bem o que precisamos fazer e como fazer para concluirmos com sucesso mais outro circuito. Leia-se, concluir a corrida em terceiro lugar a muito custo e nem pensar duas vezes ao clicar para iniciar o próximo desafio!

blank

Já na expansão European Tour, as coisas complicaram, e muito. Isto de estar na Europa não é para bebés! Já viram o preço das casas? E do combustível?! Achavam mesmo que percorrer parques de estacionamento a alta velocidade ia ser fácil? Nem queríamos que fosse… certo? 

O chamado “abre olhos” para mim aconteceu literalmente na primeira corrida que fiz. Deu logo para perceber que se queria ter alguma progressão tinha mesmo de me aplicar. Comecei a fixar o olhar nos carros à minha frente, a perceber quando é que eles começavam e terminavam o drift. Quanto tempo davam esse drift para conseguir ainda mais velocidade. Onde se posicionavam. E dei por mim a dar em maluco a fazer drift até em retas! Se há hipótese de ter um impulso na velocidade, eu vou aproveitar todas as oportunidades que existirem. 

Este tipo de corridas também podem ser jogadas com amigos ou desconhecidos, seja no mesmo ecrã ou através do modo multiplayer. Ainda que seja algo estranho se convidarem um desconhecido para se sentar ao vosso lado e jogar PGRC. As regras são as mesmas e continuam a não ter colisão com os adversários, porque o que aqui interessa é a perícia com que percorrem o circuito, não se conseguem enfiar o adversário contra uma parede. Vontade não me faltou…

Outra coisa que me chamou bastante a atenção foi a banda sonora e o visual, que pode ser ligeiramente afinado para melhor representar a experiência que tínhamos a jogar numa Sega Saturn ou PlayStation. As músicas acertaram em cheio no espírito daquilo que estava em altas em jogos deste estilo no longínquo 1998. Se quiserem ouvir, procurem pelos The Holophonics, onde vão ter acesso tanto às músicas do jogo original como do European Tour

blank

Mas eu não consigo dizer ao certo o que foi que me puxou em PGRC, mas talvez seja aquela sensação de honestidade e puro vício que transborda em cada nova partida. Há aqueles que tentam regressar com remasters ou “inspirado em…” e fica muito aquém, porque talvez se estejam apenas a aproveitar da nostalgia que há em nós. E depois há pessoas e estúdios como o Tim/Walaber Entertainment que pegam em toda a ideia daquilo que era um jogo numa determinada altura e usam o conceito ao máximo em todas as frentes que fazem aquilo que é um jogo! Até existe a possibilidade de se usar cheats, mas mesmo essa ideia foi aplicada tal como acontecia no passado: se descobrires, partilha com amigos! Claro que com o acesso que temos à internet hoje em dia, esta partilha dissemina muito mais facilmente, mas antes tínhamos de recorrer a revistas ou ao passa a palavra. E aqui isso volta a ser uma realidade.

Simples, viciante, divertido, com mais conteúdo do que esperado e com intenções de mais conteúdo vir a ser lançado, que continua a crescer também graças à comunidade que cria mods, são apenas alguns dos ingredientes de Parking Garage Rally Circuit e também de European Tour

Parking Garage Rally Circuit - European Tour

Parking Garage Rally Circuit - European Tour
blank
Lançamento: 2026-04-27
Distribuição:
Plataformas:
8
Picture of Marco Almeida
Marco Almeida
Viciado em tudo o que conte uma boa história, desde cinema a videojogos, séries a banda desenhada, e até um bom jogo de tabuleiro. Tudo é motivo para me atirar de cabeça a universos alternativos. E já agora, o Scorsese está errado; o MCU é o pináculo da sétima arte! Quem respira, concorda!

Colaboraram neste artigo

PUBLICIDADE

Últimos artigos

PUBLICIDADE

Achamos que também podes gostar disto

PUBLICIDADE