Pepper Grinder

Pepper Grinder é a novidade indie da Devolver Digital, que publica este videojogo do criador independente Ahr Ech.

A melhor forma de descrever Pepper Grinder talvez seja mesmo nas palavras muito próprias da Devolver: “é uma aventura 2D cheia de ação que mistura plataformas tradicionais com um modo de perfuração alternativo que te permite mergulhar na terra e sair dela como um golfinho nada na água”.

E foi assim que me senti. Como um golfinho a esburacar os mapas por onde passava.

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Imagem: Pepper Grinder/Devolver Digital

A história de Pepper Grinder é bastante simples. Somos a Pepper, uma menina que acorda numa praia depois de lhe terem roubado um tesouro, e vamos fazer tudo para o recuperar. Tudo implica esburacar o mapa todo até lá chegar, pois.

Embora não invente propriamente algo (o próprio criador admitiu influências de Dig Dug da Namco), Pepper Grinder traz uma jogabilidade refrescante e intuitiva. Passar pelos vários níveis, que vão desde praias a paisagens vulcânicas ou montanhas de gelo, é bastante divertido e traz-nos sempre aquela sensação de “só mais um nível”. É que os níveis são curtos. Alguns podem ser completados em 10 minutos, outros podem levar um pouco mais, mas nunca mais de 20 minutos. Este detalhe acaba por aliviar alguma pressão que a jogabilidade frenética podia trazer. Dá sempre para descansar os dedos entre cada nível e, para cada área, há sempre um boss final à espera de ser derrotado. As batalhas com os bosses não são demasiado difíceis, mas também não são de passar logo à primeira, pois requerem alguma paciência e estudo dos movimentos do nosso adversário.

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Imagem: Pepper Grinder/Devolver Digital

Abrandar o passo

Para os que se assustarem com a velocidade de Pepper Grinder, existe uma opção na acessibilidade que permitir reduzir a rapidez do jogo. Podem adaptar a velocidade conforme vos apetecer, pois há vários ritmos. Isto poderá ajudar bastante em certas secções onde os checkpoints não são tão frequentes. Isto é, de resto, algo que poderia ser melhorado, pois acredito que alguns jogadores poderão facilmente desistir por terem que regressar bastante atrás para repetir certas partes.

Mas, caso a broca vos esteja a dar cabo dos nervos, podem sempre sair desse nível e ir à “loja das curiosidades” (sim, é este o nome). Aqui podem trocar as moedas, que vão acumulando, por aumentos de saúde, autocolantes para uma caderneta digital que o jogo vos permite personalizar ou simplesmente tentar a vossa sorte numas máquinas de bolinhas com surpresas, como aquelas que se encontram por aí nos cafés da aldeia. E sim, passei mais tempo nestas máquinas do que vocês possam imaginar.

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Imagem: Pepper Grinder/Devolver Digital

Sons para todos os gostos

Curiosamente, a banda-sonora de Pepper Grinder surpreende bastante. Para um jogo curto, que pode ser completado em 4 horas (se não quiserem explorar e descobrir todas as salas secretas), as faixas compostas por Xeecee e que nos acompanham neste esburacar de areia, magma e gelo, trazem sons muito variados, que vão desde o mais eletrónico e dance, às guitarradas do rock e até a uma vibe mais jazz. Isto ajuda a diferenciar os níveis e os diferentes cenários, dando-lhes uma identidade muito própria que se podia ter perdido só nos visuais, ainda que muito bonitos, da pixel art em 2D.

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Imagem: Pepper Grinder/Devolver Digital

Isto vibra muito

Sendo um jogo com uma broca supersónica que fura (quase) tudo, a vibração do comando é um aspeto muito importante da jogabilidade. Comecei por jogar Pepper Grinder na Steam Deck, mas, para testar outros comandos, acabei por jogar também no PC, onde liguei primeiro o comando da Xbox Series X e depois o DualSense da PS5. Curiosamente, o comando da Xbox foi onde senti maior vibração e resistência dos gatilhos, até um pouco exagerada, mas felizmente até isto dá para controlar, diminuindo ou aumentando, nas opções de acessibilidade. Com o DualSense, a sensação de perfurar foi mais subtil e a mais natural para este Pepper Grinder. No PC, só é mesmo possível jogar com um comando, mas podem fazê-lo com qualquer comando que tenham à disposição.

Pepper Grinder é o jogo ideal para quem procura algo curto e como escape a outros jogos maiores, com os seus níveis que podem ser completados rapidamente, embora possam requerer algum esforço, e ainda traz algumas surpresas escondidas para quem gosta mesmo de explorar todos os cantos do mapa. Gostaria de ter tido mais níveis onde a perfuração estivesse mais presente, pois essa é a parte mais divertida desta nova aposta da Devolver Digital, e vejo aqui uma oportunidade de expandir este universo, seja com novos conteúdos ou numa sequela ou outro jogo do género.

Importa é que a Pepper traga a broca consigo.

Pepper Grinder está disponível no PC e Nintendo Switch. Esta análise foi possível com o apoio da Devolver Digital, que nos enviou um código do jogo.

Pepper Grinder

Pepper Grinder
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Lançamento: 2024-03-28
Distribuidora:
Plataformas:
8.5
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Filipe Branco
Fã de cultura geek em geral, mas é nos livros, videojogos e cinema onde mais me perco. Adoro escrever sobre o que me apaixona e eventos de gaming é comigo. Podem encontrar-me online ou à deriva num dos extensos corredores da próxima Gamescom.

Colaboraram neste artigo

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