Uma aventura de espremer o nosso cérebro até ao limite.
A saga Psychonauts surgiu em 2005 pelas mãos de Tim Shafer e os estúdios Double Fine Productions, fundado pelo próprio em 2000. Este foi o seu primeiro projeto e lançado em primeiro na plataforma Xbox. Entretanto, a Microsoft adquiriu os estúdios e o segundo título, que já estava em produção, leva um boost de capital. Voltando a 2005, eu era jogador PlayStation e em breve jogador Nintendo, por esse motivo a Xbox só mesmo nas páginas das revistas.
Psychonauts não passou ao lado nessas páginas, mas nunca cheguei a jogar o primeiro título. Com o jogo no Gamepass, acabou por surgir finalmente a oportunidade e sendo este um dos meus géneros de jogos favoritos, não podia mesmo falhar. Claro, que com tanto para jogar, acabei por deixar para a última e só comecei a explorar o primeiro capítulo pouco antes do lançamento do segundo.
Antes de avançar para o segundo jogo, quero apenas deixar uma nota sobre a primeira aventura. Psychonauts é um jogo com um ambiente louco e único, levando o jogador por uma experiência divertida e muito bem desenvolvida. Apesar destes pontos positivos, o jogo tem o seu tempo e a jogabilidade deste tipo de jogos foi sofrendo atualizações ao longo dos anos, não sendo hoje, aquilo que conhecíamos em 2005.
Há certas questões deste jogo, que mesmo já sendo do ano em que a nova geração de consolas apareceu, com a Xbox 360, ainda tem aspetos da geração Xbox, PlayStation 2 e GameCube. A jogabilidade não é má, mas é nitidamente daquele tempo e jogar nos tempos atuais já não é o mesmo. Por isso, para todos os que têm uma qualquer Xbox, mas principalmente alguma das mais recentes, toca a explorar e a viver as aventuras de Psychonauts.
Uma experiência moderna
Logo nos primeiros minutos onde nos permitem controlar Raz, conseguimos perceber uma melhoria e modernização na jogabilidade, como seria de esperar. Psychonauts 2 apresenta de forma muito positiva a exploração e plataformas num formato relativamente linear, mas que funciona muito bem. A progressão vai se misturando entre os níveis lineares onde a narrativa se apresenta, enquanto uma espécie de hub mais aberto à exploração nos oferece mais conteúdo principal, mas também algumas missões secundárias.
Tudo isto num encaixe perfeito entre o estilo clássico de plataformas 3D com as componentes atuais que fazem destes jogos altamente precisos e divertidos. A fluidez da ação entre os saltos e as plataformas leva a jogabilidade ao nível próximo do perfeito. Mesmo desafiando as físicas em algumas situações, nunca me surgiram grandes problemas, erros ou quaisquer situações desesperantes. Relembro ainda que ao longo desta aventura apanhei uma série de atualizações que dão os últimos retoques finais antes do lançamento.
Psychonauts 2 é mais um grande exemplo a seguir nos jogos de plataformas moderno. Um game design muito bem desenvolvido, com sequências desafiantes, mas ao mesmo tempo acessíveis a vários níveis de jogadores. Apesar da escrita continuar nas mãos de Tim Shafer e já falarei dessa questão a seguir, o também designer passou o testemunho e Seth Marinello, juntamente com Zak McClendon, souberem trabalhar muito bem com o que tinham. A loucura da escrita embrenha-se tão bem nos ambientes e plataformas criadas, que me deixaram completamente vidrado do princípio ao fim.
Escrita maravilhosamente estranha
Tal como no primeiro jogo, temos aqui uma narrativa totalmente fora do comum, com momentos carregados de importantes mensagens e sempre com um tom humorístico para os momentos certos. A viagem pelas mentes dos personagens podem ser completamente alucinantes e conseguir manter a lógica no meio de tantas possibilidades pode ser um desafio e tanto. Contudo, esse é um dos principais pontos positivos do primeiro jogo. A capacidade de oferecer uma história forte, interessante, completamente tresloucada em certos momentos e ainda consegue ser altamente divertida.
Este segundo jogo vai beber de todos os pontos que referi antes e isso é extremamente positivo. Manter este nível nesta sequela é muito gratificante para o jogador e mesmo sem nunca terem entrado neste mundo de Psychonauts, vão ter uma grande experiência. Não esquecendo sempre que há um e outro pormenor que só quem jogou o primeiro vai compreender. Como na disse, o design dos níveis aliado a esta história mirabolante oferecem imensos momentos de alta qualidade. Foram poucos os momentos que me fizeram querer passar à frente.
Contudo, esses momentos existiram, contando com um ou dois níveis que senti alguma frustração e só queria mesmo que terminassem. No conjunto todo, esses momentos foram o mínimo e não me estragaram a experiência ou a narrativa, apesar de sentir alguma estranheza na relação com o restante. Mesmo com estes momentos menos positivos, preciso de reforçar que estes se referem à minha experiência pessoal e que isso pode não se transmitir para a vossa aventura. Até porque considero que a qualidade nunca decai a pique em todos os aspetos.
Performance e grafismo de qualidade
Este não é um jogo onde o grafismo ultra realista tem lugar. O aspecto cartoon utilizado reforça o ambiente criado pelo jogo de 2005, mas apresenta um aspecto muito moderno. O que achei mais interessante foi terem mantido alguns pormenores menos detalhados, muito comuns em jogos daquela altura, principalmente no design dos personagens. Não estou a dizer que não exista qualidade nesses pormenores, apenas que conseguiram manter os detalhes do primeiro jogo com a qualidade dos tempos modernos.
Julgo que não imaginava este jogo com outro aspeto gráfico. Encaixa na perfeição e tem momentos de grande beleza no ecrã, com cores fortes, que contrastam com tons mais escuros. Uma relação muito bem feita nas cores utilizadas, com os níveis criados, onde cada momento tem as suas características e todos eles se interligam muito bem. Este aspeto gráfico permite ainda um maior nível de detalhe em mais conteúdos que estejam no ecrã. Aliando isso às consolas de nova geração, temos um jogo totalmente fluido na sua performance.
O jogo rodou de forma perfeita na Xbox Series X, nunca mostrando falhas de performance, ou erros na renderização dos conteúdos. Mesmo nos níveis e momentos mais complexos, tudo correu de forma excelente. Além disso, os loadings deste jogo são meras mudanças de ecrã, sendo que saltamos para dentro dos níveis em questão de poucos segundos. Há mesmo momentos onde o ecrã nem chega a mostrar o loading, só faz mesmo a transição. Esta rapidez faz com que no hub, quando usamos o fast traveling, seja realmente muito rápido, não se perdendo o ritmo de jogo.
Psychonauts 2 é incrível
O segundo jogo da saga é excelente. Todo o conjunto apresenta grande qualidade. A performance, a narrativa, a sua jogabilidade e até o seu grafismo cartoonesco e quase a relembrar os filmes de Tim Burton, oferecem uma experiência peculiar, única e de grande qualidade. Peca pelos anos que demorou a chegar em relação ao primeiro jogo, mas espero sinceramente que este segundo capítulo tenha o sucesso comercial que o primeiro não teve e que assim tenhamos oportunidade de voltar a explorar este mundo incrível. Recomendo vivamente a jogarem Psychonauts 2 e não se esqueçam que se tiverem o Gamepass podem jogar no dia de lançamento, sem pagamentos adicionais.