Recharge – Early Access

Uma história por contar

Antes de Recharge, vamos fazer uma pequena viagem ao passado. Alguém desse lado se lembra da Acclaim? Este poderoso estúdio que, nos anos 90 e inícios dos anos 2000, trouxe um monte de jogos que ficaram na história da indústria, ganhando a sua maior popularidade na PlayStation, mas abraçando um enorme número de plataformas. Podemos dizer que, na época, este estúdio era um dos grandes e fazia frente à Activision, EA e THQ. Mas, tal como muitos gigantes, a queda foi abrupta e catastrófica e, nos seus últimos cinco anos de vida, teve muitos lançamentos desastrosos, com campanhas capazes de envergonhar qualquer um com o mínimo de dignidade. Mas foi também no início destes cinco anos loucos que surgem algumas das suas maiores glórias — e uma delas foi Re-Volt, um jogo de carros telecomandados com uma estrutura, estilo e carisma muito únicos.

Este tipo de jogos não era novidade na altura, mas, em 1999, Re-Volt conseguiu reformular o género e levar os jogadores à loucura. Tenho bem viva a memória de me deliciar com este jogo no meu primeiro PC, que tive lá pelos anos 2000. O título destacava-se pelas suas físicas muito próximas da realidade, oferecendo uma experiência como nunca antes tinha sido feita nos carrinhos telecomandados virtuais. Foi ali que percebi que, às vezes, um conceito simples consegue deixar uma marca eterna.

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Certo é que, desde essa data, foram muito poucos os corajosos a tentar criar jogos dentro da temática e, os que o fizeram, foram sempre muito tímidos. É verdade que o mercado é outro e, hoje, aquelas produções que encheram o catálogo da PlayStation 1, 2, Xbox e GameCube já têm pouco espaço. Se fizermos o exercício de recuar à segunda metade dos anos 90 e à primeira metade dos 2000, temos dez anos de pura loucura no que toca a lançamentos. Anos de grandes franchises a nascerem. Vários jogos dentro de uma mesma saga. Qualidade em vários níveis de produção. Havia lixo? Claro que sim, mas a quantidade de jogos que eram, no mínimo, decentes e nos ocupavam horas de diversão era tanta que suprimia aqueles mais reles que passavam pelas lojas. E podem culpar os orçamentos, que hoje são mais caros, mas… onde está então a criatividade e o risco? E a resposta… está nos indies. E é exatamente aqui que entra a história que quero contar.

Onde fica Recharge?

Recharge encaixa exatamente neste novo espectro de jogos. Se antes tínhamos os comumente denominados AA, de onde saíram grandes títulos e franquias, hoje temos os indies, que não são mais do que jogos independentes, como sempre existiram. Atualmente, é aqui que reside a maior criatividade e a menor reciclagem de ideias. Mais ainda! É aqui que, muitas vezes, os grandes estúdios se refugiam na procura pela grandeza. Mas voltemos ao que interessa! Recharge volta-nos a levar ao mundo dos carros telecomandados em cenários reais. E isso é suficientemente cativante para me deixar com a pulga atrás da orelha e imaginar imediatamente as corridas frenéticas que poderão vir aí.

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Há vários jogos onde se inspirar e várias coisas que aqui podem ser feitas para tornar este no próximo Re-Volt. Para começar, o jogo ainda está em early access, o que, logo à partida, não abona a favor deste texto, visto ser ainda muito incompleto. Recharge está, por isso, num grupo muito específico para o seu estado atual: independente, em desenvolvimento, com foco em levar os jogadores a competir online pelos melhores tempos. Além de contar com a possibilidade de ter alguns milhares de beta testers gratuitos. Admito que esta última me deixa algo furioso… mas avançando. E é neste ponto que a expectativa começa a misturar-se com a preocupação.

Condução reduzida

Como parte de um jogo em early access, ainda há muito trabalho a fazer. Aliás, nos primeiros minutos em que me aventurei neste título, senti que estava na fase mais inicial possível que permitisse jogar. Sem música, físicas ainda muito rígidas e uma interface com vários erros. Com isto em cima da mesa, fica complicado perceber o caminho que ainda vai ser percorrido pela equipa de desenvolvimento. Se há potencial para este ser o grande jogo do género? Sem qualquer dúvida. Se o senti demasiado despido de emoção? Claramente. E essa ausência sente-se quase de imediato.

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Permitam-me que o meu foco recaia naquilo que mais sentido faz: a condução e o que dela advém. A base está instalada para o sentimento de que estamos a conduzir um carro à escala. A visão é em terceira pessoa, mas a dimensão dos cenários dá a perspetiva perfeita para que o jogo funcione como tem de funcionar. A velocidade e os efeitos escolhidos estão perto de se alinharem com o esperado. Falha ainda no controlo do carro, que não está completamente afinado. Há também muito a fazer nas físicas de quando os carros saltam e voltam a encontrar o solo. Além disso, falta que os carros tenham diferentes reações ao tipo de terreno que pisam. Um carro de drift não pode andar num circuito de terra batida como se nada fosse. Há muito a afinar na condução, mas está claro o caminho a seguir. E é precisamente por estar claro que a esperança se mantém viva.

O que diferencia esta condução, apesar das limitações, são, sem dúvida, os cenários apresentados. São poucos ainda e, na sua maioria, muito idênticos, mas há dois ou três que já demonstram qual é o plano a longo prazo. Uns funcionam claramente melhor que outros, nesta questão da escala, mas existe uma boa amostra do que este jogo pode vir a oferecer. A atenção ao detalhe nota-se que está a ser importante para a equipa e espera-se que possa melhorar daqui para a frente. É aquele tipo de detalhe que, quando bem explorado, pode transformar um jogo que agora parece pequeno numa experiência memorável.

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Pouco, com esperança de ser muito

Não há muito mais a acrescentar sobre esta versão do jogo. Como referi anteriormente, ainda é muito verde e falta afinar muita coisa para que consiga chegar sequer perto do louvor que é um Re-Volt. Tem potencial? Sem dúvida alguma. Há aqui muita coisa que mostra o carinho que a equipa tem por criar um produto com a qualidade que os fãs do género querem. Se chegará lá? Só o futuro o dirá. Quem sabe poderei atualizar mais tarde este texto com uma versão final do jogo. Para mim, este é um daqueles estilos alternativos de corridas que me deixa entusiasmado, por isso só espero que funcione e que possa oferecer uma experiência digna e moderna. Com Re-Volt a ser jogado até aos dias de hoje, mais de 25 anos depois do lançamento, por uma comunidade enorme, há espaço para um take moderno no género — e talvez, só talvez, Recharge possa ser essa nova história para contar.

Recharge

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Nível de Hype:

Muito

Distribuição:
Estúdio:
Plataformas:
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Eduardo Rodrigues
Considero-me um geek da cabeça aos pés. Adoro uma boa leitura, apreciar a arte da BD e da Manga, ver de uma assentada aquela série ou anime incrível, ir ao cinema e devorar um filme e deliciar-me com uma aventura interativa nos videojogos e nos jogos de tabuleiro. Sou um adepto da mágica Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

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