Se querias ver este filme num domingo à tarde em família, é melhor leres antes de o fazeres
Este foi daqueles filmes dos quais eu fui para o cinema sem saber de nada para além do título. Ao ver Regresso ao Amor, pensava que me iria deparar com uma típica comédia romântica leve, sobre personagens de meia-idade, que tinham perdido tudo, principalmente a esperança no amor. Estava pronta para derreter este pequeno coração de pedra mas, a 15 minutos do início, apercebo-me que estava completamente enganada. Este não é um filme leve. Tem uma nota cómica, note-se, mas de comédia não tem nada. Confesso que houve uma parte que me deixou de boca aberta.

Nos primeiros minutos, é nos apresentada mais uma típica vila norte-americana, daquelas que faz inveja a qualquer citadino. É onde Hildy Good (Sigourney Weaver) começa a sua estória, passando a falar diretamente para o espetador, ao estilo de Fleabag mas que, aqui, não achei necessário. A quebra da 4ª parede é um aspeto que anda na moda. Nesta técnica, o protagonista não se restringe ao desenvolvimento dos acontecimentos, mas olha diretamente nos olhos do espetador e fala com ele, apresentando o que está a acontecer. Aqui senti que esta foi má utilizada, pois não é uma estória complexa de se entender e sinto que pouco adiciona. Seria melhor que a narrativa se desenrolasse sozinha, deixando os espetadores perceberem o que está a acontecer.

Hildy parece-se como o seu apelido, parece estar good (bem). No entanto, vamo-nos apercebendo de que esta mulher, que se esforça tanto para estar no controlo, o perde em segundos. Sigourney Weaver consegue-nos levar por este poço fundo que a sua personagem começa a escavar, mostrando, aos poucos, as camadas desta protagonista e dos seus problemas sem fim. É aqui que aparece Frank (Kevin Kline), o salvador disto tudo. Frank não é só um amor antigo de Hildy, mas construtor e empresário. No entanto, fica-se por isso. Aparece uma dúzia de vezes para a salvar de problemas e nada mais. É uma personagem muito pouco desenvolvida, mal sabemos quem é. O resto das personagens também não são exploradas ao longo do filme e não nos apegamos a praticamente ninguém. Alguns dos acontecimentos também parecem algo repentinos. Mais não digo para não dar spoiler. No entanto, Regresso ao Amor apresenta um bom twist perto do final. É tão repentino que não estamos à espera, deixou-me de boca aberta!

Embora não seja um filme digno de um Óscar, a direção de fotografia não está nada má. Desde as paisagens fantásticas às cores moody, a cinematografia deste filme ajuda a criar um ambiente aconchegante para os espetadores. Quanto à performance dos atores, não é top acting, mas foi o suficiente. Não há momentos constrangedores relativamente ao trabalho dos atores e sente-se as emoções protagonizadas pelos mesmos, sem existir obstáculos. Os diálogos não são estranhos, de todo, e dá para rir nos momentos sarcásticos.
Apesar disto tudo, foi importante existir representação de doenças mentais como a ansiedade e a importância da reabilitação da toxicodependência. A mensagem que querem deixar é importante neste sentido.
É um bom filme, no geral. Não é perfeito e não tem um guião espetacular, mas para filme de domingo à tarde (para adolescentes e adultos) é perfeito. Não o vejam é com crianças ao pé. Não digam que não avisei.
Gatilhos: suicídio, alcoolismo, toxicodependência, trauma de criança, acidente de viação