Resident Evil 2

Quando regressamos a um ambiente de terror que nos tenha assustado imenso na primeira vez pode não ser tão interessante repetir e isto é algo que acontece em todas as áreas do entretenimento. Existem exceções e no remake de Resident Evil 2, a Capcom conseguiu mostrar um enorme respeito pelo que foi criado no original, melhorando ainda alguns aspetos de forma a conseguir atualizar em segurança todo o ambiente macabro e a tensa jogabilidade inerente ao título original. A equipa por detrás deste remake conseguiu pegar num título de terror clássico contendo sistemas que marcaram gerações futuras e elevar tudo a um nível que demonstra ainda ser possível criar jogos que conseguem oferecer uma experiência única a cada jogador.
Seguindo os acontecimentos do primeiro capítulo desta história, devido a um surto de um vírus altamente perigoso, Raccoon City está sob uma situação altamente delicada com mortos-vivos a ocupar as ruas e todos os locais de segurança. Tal como na versão original, teremos de escolher inicialmente entre Leon Kennedy e Claire Redfield e apesar das duas histórias serem semelhantes e os cenários serem os mesmo, há algumas coisas que diferem nas aventuras, principalmente no que toca a personagens secundários que vão surgindo, criando sub-histórias únicas que acabam por se complementar a toda a história existente. Além disso, os personagens têm também desafios únicos ao longo do jogo e se repetirem a aventura com cada um deles vão perceber que nem tudo acontece exatamente da mesma forma.
O remake de Resident Evil 2 consegue ser, no meio desta já enorme saga, o exemplar perfeito de jogo do estilo de sobrevivência clássico como só os primeiros títulos o conseguiram fazer e, ao mesmo tempo, uma demonstração do sistema de ação e aventura inerentes aos jogos mais recentes. A Capcom conseguiu não só reintroduzir o que a versão clássica ofereceu, mas todo um estilo atualizado e dentro dos padrões mais recentes do universo Resident Evil. Bem ao estilo que bem conhecemos teremos pela frente uma aventura em torno de grandes ambientes da cidade, locais sinistros e tensos como a incrível esquadra da polícia e claro os túneis subterrâneos que podem ser incrivelmente claustrofóbicos e assustadores.
Os recursos extremamente limitados, como bem conhecemos desta saga, criam situações de extrema tensão e quando pensamos superar algum desafio acabamos em cima de outro. O jogo eleva o desespero a um completo nível de loucura e transporta um ambiente que até agora não tinha sido fácil de demonstrar nas versões mais recentes, exceto no sétimo jogo. O desespero que nos fez acabar com todas as balas e agora temos um corredor estreito carregado de Zombies para ultrapassar são apenas alguns dos momentos que demonstram exatamente o que temos pela frente.
Muito do jogo envolve a resolução de puzzles, colocando o jogador em locais complicados para conseguir encontrar algo que nos ajude a continuar. Muitos dos jogadores antigos podem pensar que entrar neste jogo vai ser um regresso completo ao título clássico, mas não podiam estar mais enganados. Apesar de a história e dos ambientes terem o aspeto que bem conhecemos, há muita coisa que está diferente, desde os puzzles que estão ligeiramente modificados até às localizações serem completamente diferentes. Os encontros com zombies também podem não ser bem onde se lembram. Além disso, um dos aspetos que mais cria impacto a quem está bem familiarizado com o original é as salas que estão tal e qual as originais, mas agora com a particularidade dos sustos não serem exatamente na mesma altura que antes e isso cria uma sensação de insegurança para estes jogadores. Conclusão? Quer sejam novos ou antigos jogadores vão ter uma experiência única e vão mais que reviver um grande jogo, vão ter uma nova dose de grandes momentos.
Resident Evil era um remake já há muito aguardado pelos fãs e depois de ter sido cancelado durante o tempo da GameCube finalmente tivemos direito a esta passagem. É um salto enorme e a espera valeu mesmo muito a pena. A utilização do motor de jogo do sétimo capítulo da saga foi uma aposta vencedora e a sua versatilidade é um ponto a favor, mostrando que funciona tão bem num jogo em primeira pessoa como em terceira pessoa e agora resta pedir muito à Capcom que leve o terceiro jogo a um tratamento destes. Adorava ver o Nemesis com um novo tom e ainda mais assustador. Para já ficamos com este grande título que sem dúvida merece que todos o joguem. Se são antigos fãs não percam a oportunidade de reviver uma aventura épica ainda com maior detalhe e com muito conteúdo novo para descobrir. Se são novos na saga podem aproveitar aqui para ver um pouco das suas origens com um ambiente altamente tenso e horrorífico!

Resident Evil 2

Lançamento: 2019-01-25
Distribuição:
Estúdio:
9.5
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Eduardo Rodrigues
Considero-me um geek da cabeça aos pés. Adoro uma boa leitura, apreciar a arte da BD e da Manga, ver de uma assentada aquela série ou anime incrível, ir ao cinema e devorar um filme e deliciar-me com uma aventura interativa nos videojogos e nos jogos de tabuleiro. Sou um adepto da mágica Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

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