Resident Evil 3

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No início do ano de 2019 tive a oportunidade de jogar Resident Evil 2 como uma das primeiras análises antecipadas aqui no Café Mais Geek. Finalmente ver aquele jogo refeito para os critérios atuais foi uma sensação incrível. A saga da Capcom passou muitos anos a desdenhar das suas verdadeiras origens, passando por momentos atribulados, mas mantendo-se sempre à tona. Até Resident Evil 4 as coisas corriam sempre muito bem, ou acima do razoável, depois disso caíram um pouco e Resident Evil 7 voltou a levar a saga às origens do terror. Resident Evil 1 acabou por ter direito a um remake, ainda na Gamecube e ao longo dos anos Resident Evil 4, 5, 6 e até o 0 acabaram por ter versões melhoradas para as diferentes plataformas, mas o 2 e o 3 acabaram por ficar remetidos ao seu passado, vendo mesmo edições relançadas na Gamecube, mas iguais às originais. Depois da Capcom ter anunciado e lançado Resident Evil 2 totalmente refeito e com a crítica a prezar o jogo por todo o seu conteúdo, o passo lógico era finalmente rever o terceiro jogo da franquia e foi isso que foi feito… o remake de Resident Evil 3.

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Hoje falamos muito da falta de originalidade que decorre nos grandes estúdios criativos, quer do cinema, quer dos videojogos, que mais facilmente vão buscar uma pérola antiga e refazem-na do que criam experiências novas. Esta é uma grande verdade que corre estas duas indústrias, mas com o consumidor a abraçar tão facilmente a nostalgia é quase natural que isso acabe por acontecer e nestes jogos vemos isso mesmo. A crítica de ontem que prezava a história de RE3 vai voltar a fazê-lo sem grandes dificuldades, mas um dos pontos mais marcantes do lançamento deste jogo na altura foi mesmo a curta aventura que temos direito. Adivinhem lá… Sim, está tudo igual. Voltamos a ter um jogo que é curto em toda a sua extensão, se falávamos de 5 horas e meia no original, então aqui podemos falar de cerca de 6 horas e meia. Não que isso seja algo mau, pessoalmente prefiro estas aventuras mais curtas.

Resident Evil 3 encaminhou a franquia para experiências que redefiniram o seu caminho para o futuro. Se o primeiro e o segundo jogo se salientavam muito em dar uma experiência mais focada no terror, aqui já começamos a ver um lado mais focado na ação, principalmente devido ao vilão principal . Lembrem-se ainda que este jogo é uma prequela ao segundo capítulo, o que torna tudo muito interessante, principalmente quando estamos em locais que já conhecemos tão bem e ver alguns pormenores a serem criados que aqui temos resposta. Um dos pontos que melhor me lembro no RE2 é ter chegado aos balneários da esquadra da polícia e ver um buraco enorme na parede que automaticamente me fez lembrar Nemesis. Aquele balneário é um dos pontos de passagem deste RE3 e o buraco é feito por nós e a canalização a fumegar é criada pelas nossas ações. Esta correlação entre as duas narrativas é muito interessante e podia funcionar tão bem como parte do jogo anterior, mas na altura a Capcom decidiu extrair esta secção de Nemesis e criar o seu próprio jogo.

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A parte gráfica é aquilo que todos os que jogaram RE2 podem esperar, nada mais, nada menos. Não é um jogo mais bonito que o remake anterior, nem mais feio, é exatamente o mesmo motor que aqui fica ainda mais vibrante graças aos momentos explosivos existentes. As sequências de ação onde Nemesis nos tenta fazer explodir ou onde o fogo nos cerca em quase todas as direções são de uma espetacularidade gráfica que oferece uma experiência muito realista. Tal como no anterior, onde realmente o motor é capaz de brilhar imenso é nos momentos cinematográficos onde a história nos vai sendo narrada em formato de cutscene. Aqui vemos o esplendor gráfico conseguido com cenas muito bem trabalhadas e onde a luz e as sombras se destacam do restante. Algo que se espera que as consolas de próxima geração consigam fazer no próprio jogo. É realmente um jogo muito bem construído, aliás muito bem reconstruído. Os locais estão cá, mas muito mais interessantes e imersivos. Tudo o que o jogo original ofereceu, aqui é dado um esplendor extra e é isso que realmente se espera de um remake.

Resident Evil 3 era um grande jogo, apesar da sua curta duração, e podemos garantir que o estatuto se pode manter nesta nova versão. É muito mais fácil jogar nestes moldes e apesar de perder um pouquinho da sua magia do terror devido à câmara que utiliza não deixa de ter os seus momentos. A antecipação continua lá e correr os corredores da esquadra da polícia de Raccoon City foi tão ou mais interessante que os fazer na altura do lançamento do original. A música que nos acompanha ao longo da aventura é arrepiante e extremamente interessante. Há algum tempo que sigo uma pessoa pelo YouTube que me tem feito ganhar um gosto especial por bandas sonoras de videojogos e num artigo que li muito recentemente, (isto é um teaser a uma nova crónica que irá aparecer no Café Mais Geek… shhh) fizeram-me apreciar muito mais o que acontece no background deste jogo. Se há momentos em que o jogo nos faz colocar em sentido, então a música é a principal causadora destes momentos. Tão bom.

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Recomendamos sem dúvida, mas mais que isso, recomendamos a jogar primeiro o remake do segundo jogo e só depois pegar neste terceiro capítulo. É a forma como foram construídos e isso leva a que a experiência seja verdadeiramente interessante jogando nesta ordem, apesar de a nível cronológico ser ao contrário. Resident Evil 3 é mais um título obrigatório e mais um passo certo da atual Capcom.

Resident Evil 3

Lançamento: 2020-04-02
Distribuição:
Estúdio:
9
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Eduardo Rodrigues
Considero-me um geek da cabeça aos pés. Adoro uma boa leitura, apreciar a arte da BD e da Manga, ver de uma assentada aquela série ou anime incrível, ir ao cinema e devorar um filme e deliciar-me com uma aventura interativa nos videojogos e nos jogos de tabuleiro. Sou um adepto da mágica Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

Colaboraram neste artigo

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