Já lá vão quase dois anos desde que olhei para Returnal e foi amor à primeira vista. Estávamos ainda acabadinhos de estrear uma nova consola, este era um título roguelike, de ficção científica, envolto em mistério e ação frenética, tudo bons motivos para querer urgentemente atirar-me de cabeça a este título da Housemarque.
A experiência no comando foi excelente, e pouco ou nada tenho a apontar ao que aqui já foi dito no Café Mais Geek. A única nota que posso adicionar, é que realmente jogar com a experiência sonora dos Pulse 3D é qualquer coisa que não estava preparado, principalmente por ser extremamente cético em relação a estes periféricos. Mas depois de ter apanhado o queixo do chão, tive de dar a mão à palmatória porque nunca na vida ouvi som tão cristalino e definido quanto o deste título. Ainda assim, e voltando ao jogo em si, sendo ele repleto de combate tão intenso e necessitar de alguma agilidade para nos esquivarmos e rapidamente ripostar, nunca deixei de pensar o quão bom seria se Returnal fosse lançado no PC.
E foi apenas há um par de meses que os boatos foram confirmados e Returnal ia mesmo ser o próximo título da PlayStation Studios a juntar-se a Horizon: Zero Dawn ou God of War no PC.

Um dos meus maiores receios era a subida inesperada dos requisitos relativamente a memória. Por norma, os requisitos mínimos e recomendados é costume andarem entre os 8 e 16GB. Desta volta, os 32GB estavam a ser atirados para a equação e preferi jogar pelo seguro e garantir que, no lançamento, ia estar preparado para jogar confortavelmente. Ao ver melhor, percebi que esse valor se destinava a alcançar resoluções 4K, o que no meu caso ainda não é uma prioridade, daí que talvez estivesse ótimo com os 16GB. Homem prevenido vale por 32, sempre ouvi dizer.
Também a par de outros títulos da PlayStation que tiveram direito a sua entrada triunfante no PC, Returnal teve acesso a um conjunto de melhorias que fazem todo o sentido quando os jogadores têm à sua disponibilidade um diferente conjunto de periféricos para melhor adaptarem a experiência às suas preferências. Resoluções mais elevadas, suporte para monitores widescreen, Ray Tracing, DLSS e FSR para ganhar uns quantos frames por segundo, sem comprometer a fidelidade visual, possibilidade de se jogar facilmente com o DualSense e ainda várias opções para imersão áudio 3D, inclusive Dolby Atmos. Também as opções de acessibilidade foram revistas, sendo elas das mais diversificadas que já tinha visto na altura da PlayStation 5, que agora são ainda melhores!
O resultado é uma experiência que está bastante bem conseguida e não me senti defraudado quando em comparação com a sua versão original. Ainda assim, há que mencionar que em comparação com outras conversões do mesmo género, Returnal acaba por ficar uns pontos atrás por a otimização não estar nos níveis a que podia ter chegado. É também um jogo mais complicado de prever, daí que a otimização possa ser mais complexa. O número de inimigos e projeteis no ecrã é extremamente variável e tão depressa podemos estar contra dois inimigos que lançam algumas bolas de energia, como parece que estamos no meio de uma discoteca sob o efeito de alucinogénios. É um verdadeiro frenesim visual, mas que pode ter o seu peso quando o assunto é otimização.
Mas tenho de admitir que das vezes que senti alguma quebra na fluidez da imagem, nem sempre foi durante o combate. Até vou mais longe e digo que não me recordo de uma única vez que o combate tenha sofrido com baixa frame rate, mas no meio de toda a confusão é totalmente possível que tenha chegado, em um momento ou outro, abaixo dos 60 frames por segundo. Se é algo que afete a experiência? De forma alguma! Mas para quem não esteja tão próximo dos requisitos recomendados, já se deve ir fazer notar se a configuração gráfica não for feita de forma mais regrada.

Existem imensas opções que podem ser configuradas e usadas para melhor nos aproximarmos da fluidez necessária para Returnal funcionar na perfeição, sem nunca descurar naquilo que é considerado uma experiência visual de excelência, como é caso. Daí que conseguir chegar de forma estável a números apropriados também não deverá ser difícil para um grande número de máquinas.
Se este é um título que já jogaram e terminaram a vossa experiência na consola, acho que pouco vão encontrar na versão PC que já não tenham visto anteriormente. A não ser que procurem repetir e nesse caso, esta é uma ótima oportunidade de o fazerem. Ou talvez não tenham experienciado o modo cooperativo que foi lançado mais tarde e aqui já está incluído. Contudo, se nunca jogaram e estavam à procura do momento certo para o fazer, acho que nunca houve melhor momento como o agora! Returnal traz tudo o que de incrivelmente bem fez na consola, para uma plataforma que tem todas e mais algumas condições para elevar este título e chegar a um público que, a meu ver, deveria ter existido logo desde o início.