A Team Ninja é um nome incontornável no universo dos videojogos. Com uma reputação construída desde a era da Sega Saturn, PlayStation e Nintendo 64, este estúdio da Koei Tecmo, famoso pela saga Ninja Gaiden, conquistou o seu lugar com um estilo de jogabilidade único e em constante evolução.
Ao longo da sua história, a Team Ninja deu vida a três franquias de sucesso: Dead or Alive, a nova geração de Ninja Gaiden e Nioh. Além disso, colaborou com diversas empresas para nos levar a aventuras em Hyrule, Fire Emblem e Final Fantasy.

Mais recentemente, o estúdio brindou-nos com Wo Long: Fallen Dynasty e agora com Rise of the Ronin. Mas independentemente do título, a marca da Team Ninja reside na sua ação frenética e meticulosamente desenhada, que deixa uma marca na memória dos jogadores.
Desenvolvimento e Ambição
O desenvolvimento de Rise of the Ronin teve início em 2015, contando com o apoio do estúdio XDev, parte dos PlayStation Studios. A XDev possui vasta experiência em colaborar com estúdios externos, como demonstrado em projetos como Until Dawn e Detroit: Become Human.
A Team Ninja considera Rise of the Ronin um dos jogos mais ambiciosos do seu catálogo, e as razões para tal são evidentes. O título apresenta um mundo aberto expansivo, recheado de ação e elementos de RPG. Há muito para explorar e desvendar, com o foco principal em retratar um dos períodos mais intrigantes, obscuros e violentos da história do Japão.
A presença de samurais, tema recorrente nos trabalhos recentes da Team Ninja, complementa a fórmula intrigante do jogo. Desde o anúncio em 2022, Rise of the Ronin despertou a atenção da comunidade gamer, prometendo uma experiência única e memorável. Sendo um entusiasta de conteúdos relacionados com a história e cultura japonesa, fiquei facilmente fascinado por este jogo e ansioso por mergulhar nesta aventura.
Personalização e Opções
Comecemos por aquilo que se nos apresenta ao abrir este título pela primeira vez. O jogo oferece uma notável capacidade de personalização do nosso avatar, indo muito além das nossas expectativas iniciais. Confesso que, pessoalmente, a vertente da personalização não me suscita grande interesse, pelo que prefiro mergulhar na experiência padrão que o jogo proporciona, ainda que com alguns ajustes subtis. No entanto, é de notar que o sistema possibilita realizar alterações bastante radicais ao nosso personagem. Embora não o considere o sistema mais abrangente, julgo que é suficientemente completo para a maioria dos jogadores.

Em Rise of the Ronin, existe uma ampla gama de opções de acessibilidade disponíveis para garantir que todos os jogadores desfrutem de uma experiência envolvente. Não é necessário ser um fã de Soulslike para apreciá-lo, nem é preciso sentir frustração por não conseguir avançar na aventura. Diferentes níveis de personalização permitem adaptar o jogo às preferências individuais de cada jogador, permitindo que todos explorem os cenários do Japão do século XIX de forma satisfatória. É, verdadeiramente, uma jornada única que merece ser vivenciada de acordo com as escolhas de cada um. Apesar das opções adaptativas, o desafio continua presente, mantendo o jogo interessante e com um nível satisfatório de dificuldade.
Como última observação sobre as opções disponíveis, permitem-me expressar a minha insatisfação em relação à escolha da linguagem falada. Atualmente, apenas dispomos de duas alternativas: inglês ou japonês. À primeira vista, isso pode não parecer um problema. No entanto, a opção pelo japonês implica que todos os personagens falem essa língua, até mesmo aqueles que deveriam estar a falar inglês. Isso retirou-me um pouco da atmosfera temporal do contexto da obra. Seria mais apropriado e imersivo se houvesse uma opção que permitisse a representação da diversidade linguística que existia na época retratada.
Questões técnicas de qualidade
Nas considerações técnicas, permitam-me abordar este jogo destacando a sua capacidade de proporcionar uma experiência imersiva na PlayStation 5, embora sem mergulhar profundamente em detalhes específicos. A integração do DualSense é meticulosamente elaborada, implementando um sistema de vibração realista que corresponde aos eventos ocorridos na tela. O nível de detalhe é consistentemente impressionante, transportando cada momento diretamente para as nossas mãos, envolvendo-nos completamente na experiência de jogo.
Por outro lado, Rise of the Ronin não se sobressai como o pináculo estético desta geração de jogos. Embora apresente uma imagem competente, alguns detalhes revelam pequenos problemas, os quais podem ser atribuídos ao período de ajustes pré-lançamento, embora não se destaquem particularmente em nenhum aspecto. É verdade que encontramos alguns cenários deslumbrantes, onde as cores vibrantes da natureza japonesa se destacam vividamente. No entanto, em grande parte do jogo, percebe-se uma certa falta de profundidade visual. Não se trata de uma estética desagradável, mas sim de algo que se poderia considerar dentro da normalidade.

O mesmo pode ser dito em relação ao design dos personagens. Embora bem executado e realista na sua apresentação, alguns detalhes carecem de originalidade, apresentando semelhanças com o que é comum ser encontrado em muitos RPGs. Talvez o facto de este ser o primeiro grande jogo a oferecer interações significativas com NPCs, para além do combate, tenha influenciado essa abordagem de caracterização mais próxima do que é um MMO.
Para concluir esta questão, gostaria de salientar que durante toda a minha experiência não encontrei qualquer problema técnico, seja relacionado a bugs, erros ou outras falhas semelhantes. O jogo decorreu de forma suave e contínua, sem que tenha enfrentado qualquer dificuldade relacionada com os fps ou algo semelhante. Surpreendentemente, o único erro que encontrei ocorreu após a instalação do patch de lançamento, mas este não afetou absolutamente nada na minha aventura. Na verdade, ocorreu quando estava no mapa, e não interferiu de forma significativa na minha experiência de jogo.
Explora o Japão do Século XIX
Durante a nossa incrível jornada, atravessamos diferentes períodos, situando-nos num intervalo temporal de aproximadamente 20 anos, compreendidos entre 1853 e 1868. Este período possibilitou-nos explorar diversas regiões de extrema importância para esta época da história. É importante salientar que, ao descrever este mundo como “aberto”, estamos a referir-nos não apenas à sua vastidão geográfica, mas também à liberdade de exploração que ele oferece. Embora não abarque todo o país, o mundo de Rise of the Ronin é repleto de espaços abertos que podem ser explorados à vontade.
Ao longo da narrativa, saltamos de local em local de acordo com o desenvolvimento da história, garantindo que cada deslocamento faça sentido dentro do contexto. Embora não seja o maior mapa já criado, certamente oferece vastas extensões repletas de conteúdo para ser descoberto. Desde a visita a monumentos históricos, até à oportunidade de realizar orações, encontrar animais como gatos e até mesmo proteger os inocentes ao eliminar ameaças que os afligem, as possibilidades são inúmeras. O mapa nunca parece vazio, existe sempre algo novo para ser descoberto e explorado.

Descobrir esta época foi verdadeiramente enriquecedor, uma experiência imersiva que nos transporta através da narrativa envolvente, da qual somos mergulhados nos meandros da história real. Esta abordagem não só cativa, como também situa o jogador no epicentro de decisões cruciais para o desenrolar dos acontecimentos históricos. Sem querer desvendar demasiado, é possível antever um enredo repleto de surpresas e reviravoltas, onde as escolhas do jogador desempenham um papel fundamental, moldando o curso da narrativa. O crescimento dos personagens, por sua vez, está intimamente ligado ao desenrolar da história do país ao longo destes anos tumultuosos, adicionando camadas de profundidade e autenticidade à experiência de jogo.
Os personagens, as ligações e o combate
Vamos explorar alguns dos aspetos mais cativantes que esta aventura nos proporciona. À medida que avançamos na história, testemunhamos a interligação entre os personagens envolvidos, numa trama intricada. Rise of the Ronin imerge-nos na pele de um protagonista, cujo género pode ser definido de acordo com as nossas escolhas iniciais, e depois envolve-nos numa teia de relacionamentos com os diversos habitantes. Trata-se de uma nação mergulhada em tumulto, onde todas as situações se tornam potencialmente perigosas. Como Ronin, somos desafiados a lidar com cada uma dessas situações e a explorar as melhores abordagens para sermos bem ou mal recebidos em cada localização.
As relações entre os personagens desempenham um papel crucial no desenvolvimento da narrativa, pois são elas que moldam o curso dos acontecimentos. São essas conexões que nos orientam ao longo da trama, influenciando as decisões que tomamos e a nossa posição dentro da luta. No cerne do jogo está um complexo sistema de relacionamentos entre personagens, habilmente elaborado para nos auxiliar em diversas circunstâncias. Desde camaradas de batalha que nos acompanham em combate, até figuras de destaque que facilitam a nossa circulação sem obstáculos, essas relações são fundamentais para o sucesso da nossa jornada. Cada interação, cada laço estabelecido, amplia o tecido da narrativa, enriquecendo a experiência e ampliando as possibilidades.
Se não conseguirmos evitar o confronto, Rise of the Ronin presenteia-nos com um sistema de combate repleto de opções, acompanhado por uma considerável dose de violência. Não se preocupem, pois é possível diminuir a sua intensidade. Retomando o tema do combate, este pode ser abordado através de diferentes estilos, cada um proporcionando distintas combinações de ataques. A variedade de armas contribui para enriquecer ainda mais este sistema. Não deixa de ser importante notar que o jogo pode tornar-se um tanto repetitivo com o passar do tempo. No entanto, esta sensação só se manifestou após várias horas de jogo, e os diferentes estilos ajudam a injetar novidade ao combate.



Durante o combate, torna-se imperativo gerir os nossos recursos de forma eficiente. O jogo apresenta um sistema de gestão que me cativou imensamente e que se revela de grande auxílio em cada checkpoint. Este sistema possibilita a manutenção contínua dos recursos, sem a necessidade de os recolher manualmente do nosso “armazém”. Automatizado e de fácil utilização, requer apenas que tenhamos consciência do que está armazenado. É um sistema que outros jogos que tanto gosto também poderiam implementar.
Ponto final em Rise of the Ronin
Rise of the Ronin apresenta-se de forma positiva do meu lado. Apreciei bastante a experiência e planeio discuti-la mais detalhadamente no próximo episódio do Multiplayer Rumble. Sou particularmente cativado por esta temática, o que contribuiu significativamente para tornar a exploração ainda mais gratificante. Embora não seja um jogo perfeito, desempenha bem o seu papel e oferece uma mistura equilibrada de narrativa, combate fluído, abundante violência e elementos culturais que podemos absorver. A enciclopédia é incrivelmente rica em conteúdo e irá prender a atenção dos mais curiosos sobre a história japonesa da época. Após escrever estas notas sobre o jogo, planeio dedicar mais algumas horas e finalmente explorar a vertente cooperativa online, algo que não foi possível para efeitos de análise até o momento.
Se estão com dúvidas, observem jogos como Nioh ou Ghosts of Tsushima e percebam se desejam mais conteúdo dentro desse estilo. Se a resposta for positiva, então avancem confiantes para Rise of the Ronin.