Runner – a história de um estafeta, um periquito e um sonho

Estreia a 17 de Setembro de 2026 em Portugal, e o Café Mais Geek teve a oportunidade de ver "Runner" de antemão. Seguindo a tendência dos últimos filmes que tem dirigido (acção), desta feita Scott Waugh traz-nos um filme cuja história se passa na Austrália.

Três anos depois de nos trazer Hidden Strike e Expend4bles, Scott Waugh volta a trazer-nos um filme de acção: Runner. A história desenrola-se na Austrália, começando em Brisbane, naquelas que parecem ser as 9 horas (aproximadamente) mais ocupadas de sempre.

Hank Malone (interpretado por Alan Ritchson, mais conhecido recentemente pela sua série Reacher na Amazon Prime), é um estafeta cuja função é andar de um lado para o outro a entregar todo o tipo de coisas. Queres devolver uma peça roupa que te emprestaram? Concluíste um processo de divórcio e precisas de enviar o microondas com que o/a teu/tua ex-marido/ex-mulher ficou? O Hank trata de tudo isso.

Depois de um início de dia aparentemente igual a todos os outros, com trabalhos extremamente simples, o patrão liga-lhe dizendo que tem um trabalho bastante bem pago e simples para ele: ir a um aeródromo buscar uma encomenda e deixá-la num determinado local. No entanto, como já se sabe, quando as coisas parecem demasiado simples na verdade nunca o são. Este é o mote para os cerca de 97 minutos de filme, onde não faltam cenas de acção e até tem alguns elementos que nos deixam a pensar sobre o compasso moral e as decisões certas a tomar.

Ao longo de todo o filme somos completamente envolvidos na história, e apesar de já suspeitarmos qual será o final sentimos que o que está em jogo parece real e tem muito peso. A forma como o argumento foi escrito abre espaço para perguntas, em que a maioria é respondida ao longo do filme, incluindo algumas que podemos não nos lembrar de perguntar, permite-nos empatizar com certas personagens, e acima de tudo compreender as motivações de todas elas bem como perceber o que as leva a tomar as decisões que tomam. As cenas de acção estão, na sua maioria, bem coreografadas e engraçadas. Ainda assim, existem outras que são exageradas e acabam por parecer irrealistas ainda que cinematograficamente percebo o objectivo. O filme também faz um bom trabalho em mostrar algumas personagens secundárias que ajudam a expandir o mundo de personagens com mais destaque ao invés de parecer que não existe nada para além do que nos é apresentado. No que toca ao final do filme fecha o círculo ao ligar-se ao início do filme, o que é um pormenor excelente e um bom final para a história.

Quanto à prestação dos actores, existem duas em particular que gostaria de destacar. Confesso que quando vi que o Owen Wilson fazia parte do elenco fiquei um pouco apreensiva pois regra geral associamos o actor a um tipo de papel mais leve, a ser o alívio cómico (por vezes até de forma algo exagerada). No entanto considero que neste filme a forma como escreveram a personagem dele, e ele a interpretou, foi boa sem cair na caricatura como acontece em alguns filmes dele. Por outro lado temos também o Rodrigo Santoro a servir como antagonista do filme, e a entregar uma performance sólida e poliglota. Gostei muito de o ver interpretar uma personagem com este registo que roçava a loucura, mesmo que percebamos de onde vinha essa loucura e o que motivava a personagem a agir daquela forma. Por fim, e após os dois destaques, não poderia deixar também de falar da prestação de Alan Ritchson. Apesar de nos ter vindo a habituar a este tipo de papéis na sua carreira, a interpretação dele como Hank foi convincente e consistente. Mais do que isso, é possível ver a transformação que o Hank tem ao longo do filme e a forma como a perspectiva para a qual ele olha e age perante certas situações muda sem parecer forçado ou mesmo apressado, ainda que no final de contas toda a história se passe em menos de um dia. Com tudo isto não quero dizer que alguma das interpretações vá mudar vidas ou seja digna de prémios, mas são sólidas e melhores do que se esperaria para este género de filme.

Para terminar a opinião do filme em si, não poderia deixar de falar do papel daqueles que muitas vezes são invisíveis (e que muita gente nem sabe que existem): os artistas Foley. Apesar de não saber quem foi o responsável por isso no filme, está de parabéns pois os efeitos sonoros que claramente foram feitos por eles estão muito bons.

Em resumo, apesar do argumento de Runner parecer simples e linear a execução e direção foram bem feitas e acabei por gostar muito mais do que aquilo que estava à espera. Se estão à procura de um filme de acção que pareça mais do que “um filme de domingo à tarde”, vão com certeza gostar deste.

Spoiler sem contexto: Peek-a-boo!

Runner - Corrida Pela Vida

Runner
Picture of Andreia Santos
Andreia Santos
Escritora wannabe nas horas vagas. Se me puserem um livro na mão, ou a ver filmes/séries, é o suficiente para ficar entretida. Um dos meus objectivos é ter uma biblioteca em casa, e dizem que para isso são precisos no mínimo mil livros.

Colaboraram neste artigo

PUBLICIDADE

Últimos artigos

PUBLICIDADE

Achamos que também podes gostar disto

PUBLICIDADE