Shinobi: Art of Vengeance

As minhas aventuras com a saga Shinobi começam bem lá atrás, numa altura em que estava bem longe de imaginar que aos meus 38 anos ia voltar a pegar num título que me chegou pela primeira vez às mãos tinha eu menos 30 anos! 

Na altura, pouco ou nada sabia sobre Shinobi, nem sequer que este não era o primeiro volume da saga e que mais dois títulos haviam sido lançados. Muito menos pensava que na verdade esta saga foi lançada no mesmo ano que eu. Não é que eu tenha sido lançado, eu nasci, em 1987, e tal como Shinobi andamos a passar de mãos em mãos que nem pão quente, ele por estar a ser um sucesso estrondoso entre jogadores e eu por ser um fofo e estar a ser um sucesso entre avós e tias beijoqueiras.

Aquilo que também não sabia na altura é que o jogo provavelmente tinha mais que dois níveis, pois nunca conseguia avançar muito mais, mas a verdade é que apenas com esse pequeno progresso The Revenge of Shinobi ficou-me na memória e definiu bastante um contexto que gosto bastante de encontrar.

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Claro que ao ter tido um pequeno vislumbre daquilo que poderia vir aí com este Shinobi: Art of Vengeance, ainda para mais pelas mãos da Lizardcube que já nos deram o incrível Streets of Rage 4, não podia ter ficado mais entusiasmado. 

Como seria de esperar, o salto geracional para mim foi monstruoso. É que apesar da saga ter continuado a marcar presença em várias gerações de consolas, desde a Sega Saturn à PlayStation 2 e ainda a Nintendo 3DS, e isto com novas incursões, aquilo que maioritariamente encontrávamos era o lançamento dos clássicos nas lojas digitais de cada nova consola que ia chegando às mãos dos jogadores. Daí que do meu lado, o interesse tenha desvanecido com o tempo e acabei por me cruzar com outros nomes mais sonantes na altura, como Tenchu, Mark of the Ninja, Mini Ninjas ou até jogos de luta que acabavam por ter alguma presença de ninjas. 

Ainda que tenham sido décadas entre estas duas experiências, não é que aqui estejamos a falar de saltar de um simples side-scroller para uma aventura totalmente cinematográfica e nunca antes vista. Já vimos isto várias vezes, a diferença é que a Lizardcube sabe como apresentar algo com níveis de qualidade bem acima do habitual. 

Se estão à procura de uma história entusiasmante, acho que não é aqui que a vão encontrar. Existe algo que nos vai fazendo mover ao longo de vários níveis, mas é a clássica procura por vingança. E está tudo bem, não precisamos de mais nada. Ao longo do jogo vão existindo algumas sequências que contam a história, interações entre personagens e pronto, não há muito mais a descobrir. 

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O que é pena, porque eu adorava que tivessem criado algo mais que uma apresentação PowerPoint em esteroides. Se havia jogo que ia ganhar, e muito, com pequenas sequências que parecessem saídas de uma qualquer anime, era este! É que ouvir as vozes dos personagens durante o jogo dá logo aquela sensação que isto podia ter sido muito mais e muito melhor. Claro que isso poderia encarecer a produção, mas foi das poucas vezes em que me fizeram sentir mesmo falta de algo que nem sequer estava planeado mas que ia elevar a experiência. Já agora, façam um favor a vocês mesmos e nem tentem jogar com o áudio em inglês. É a diferença entre ouvir um conjunto de vozes que parece nem sequer querer estar no estúdio a gravar, e um conjunto de vozes que estão a dar tudo para fazer um excelente trabalho. E a banda sonora é também qualquer coisa de incrível e pauta a ação de forma fantástica. 

Onde Shinobi: Art of Vengeance também brilha é no gameplay propriamente dito e na forma como se apresenta. É que o gameplay é obviamente bom e um avanço tremendo para aquilo que se conhece desta saga. O combate é dinâmico, constantemente a expandir e a ficar ainda mais intenso, com variadas possibilidades de ataques e combinações. Acho que se pode dizer que é o esperado de um jogo deste género, que mistura exploração e combate num só, com vários elementos que o colocam no campo dos metroidvanias, mas sem exigir muito (ou até nada) por parte do jogador em estar constantemente a voltar atrás. Tudo aquilo que vamos ganhando acesso em níveis passados acaba por ser bastante secundário e não impede a progressão do jogo em nada. 

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Aquilo que encontramos ao repetir certas zonas de outros níveis, após termos novas habilidades que nos permitem usar um gancho ou rebentar paredes, acaba por ser mais pontos para desbloquear outras habilidades ou certas regalias que adicionam condicionantes para termos melhor cura, mais dano, um escudo temporário, mais projéteis, entre outros. Talvez seja pelo meu estilo de jogo, ou talvez seja pelo jogo em si, mas adquiri duas regalias bem cedo no jogo que nunca mais foram trocadas por nenhuma outra que foi surgindo. 

É que entre dar mais dano, após conseguir 16 ataques consecutivos sem levar dano, e ganhar ainda mais vida sempre que sou curado, ou então ganhar um escudo que resiste a um único ataque ou ter uma roda de projéteis a sair de mim (algo bem reminiscente dos jogos do passado), a escolha foi bem óbvia. Claro que há muito mais por onde escolher, mas ainda assim a escolha continuava a ser a mesma. Depressa me fez perceber que a necessidade de voltar atrás estava mais ligada à minha vontade de explorar e descobrir o mapa por completo, e não tanto em adquirir mais regalias. Acho que neste caso em específico, deveria existir um incentivo bem maior em querer desbloquear certas coisas. Tudo o que impede a progressão, está conectado à progressão em si e não à exploração. Daí que basta existirmos e jogar que eventualmente vamos continuar a avançar sem percalço algum ou necessidade de descobrir o jogo para lá do andar em frente. 

Há ainda também zonas secretas que um dos personagens nos dá acesso, e que também precisamos de ter todas as habilidades não só para as descobrir como para as completar. E não são nada fáceis! Elas estão lá mesmo para existir um desafio acrescido, não é para serem obrigatoriamente ultrapassadas, mas dei por mim a perder um bom tempo em alguns destes níveis só para eventualmente desistir e nunca mais voltar. Até que me esqueço do quão frustrante foi e volto mais uma vez…

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São estes pequenos extras que acabam por prolongar também a vida de Shinobi: Art of Vengeance. Não é um jogo longo se quisermos apenas terminar os vários níveis e chegar ao grande final, mas se conseguir os 100% em cada nível é algo que gostavam de alcançar, conseguem facilmente duplicar as horas de jogo. 

Apesar de tudo aquilo que eu gostava que o jogo pudesse ter sido, aquilo que ele já é, é muito bom! Mesmo que Shinobi nunca tenha sido um nome que vos chame a atenção, este Art of Vengeance é um daqueles títulos que podia perfeitamente ser um nome de uma qualquer propriedade intelectual nova. Não precisam de conhecer nada para o aproveitar, é divertido como tudo, visualmente é bastante interessante (e para quem já tenha jogado Streets of Rage 4 sabe com o que contar), e no geral pode ser o renascer de uma saga que há muito anda desaparecida e que pode muito bem voltar a encontrar o seu espaço dentro deste género. 

Shinobi: Art of Vengeance

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Lançamento: 2025-08-28 Ano: 2025
Saga/Série: Shinobi
Distribuição:
Estúdio:
8
Picture of Marco Almeida
Marco Almeida
Viciado em tudo o que conte uma boa história, desde cinema a videojogos, séries a banda desenhada, e até um bom jogo de tabuleiro. Tudo é motivo para me atirar de cabeça a universos alternativos. E já agora, o Scorsese está errado; o MCU é o pináculo da sétima arte! Quem respira, concorda!

Colaboraram neste artigo

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