O filme conta a história de uma relação com poderes desequilibrados, entre uma mulher americana de classe alta e um bailarino mexicano mais novo. A obra peca em mostrar a realidade da imigração e foca-se em cenas de obsessão e possessividade.
O plot do filme
Sonhos, escrito e dirigido por Michel Franco, é um filme de 2025, que estreou nos cinemas portugueses no passado dia 30 de abril. Protagonizado por Jessica Chastain e Isaac Hernández, a obra centra-se numa relação romântica entre uma antiga bailarina e atual empresária, Jennifer, e um bailarino que está ilegalmente nos Estados Unidos da América, Fernando.
O filme começa com Fernando a passar a fronteira dos EUA com o México, clandestinamente, e em condições desumanas. Acaba em São Francisco, em casa da namorada, Jessica. Mas a história muda completamente aqui. O drama foca-se na vergonha que Jessica sente em namorar Fernando, um imigrante, e, esconde a relação do seu pai e do seu grupo social abastado. Os problemas da relação advêm daqui.
O desequilíbrio de poderes na relação
Ao longo da trama, é possível observar vários fatores de toxicidade no relacionamento. A diferença económica, geracional e cultural serve como forma de desenvolvimento de padrões abusivos e perigosos. Alguns comportamentos chegavam mesmo ao limiar de assédio.
Mais para o fim, quando o autor quis inverter o poder na relação, fez de uma forma tão abrupta e violenta, que nenhum espetador consegue ficar indiferente. O final do filme foi sem dúvida o cúmulo de um conjunto de situações desnecessárias na obra em si.

O perigo deste filme no panorama atual dos EUA
Numa altura em que os imigrantes, nos Estados Unidos da América, vivem com terror por causa do ICE (Serviço de Imigração e Alfândegas), este não é o melhor filme para ser feito. Este filme transmite estereótipos nocivos sobre um conjunto de pessoas que já passam por diversos momentos de discriminação.
O filme seria uma boa ideia, se o foco fosse nas diferenças de classe e raça nas relações, a sua complexidade e dificuldades. Contudo, ao introduzirem cenas perturbadoras e sem nexo, tornaram a ideia em algo completamente diferente.