Desde o momento que começas a jogar Source of Madness, este não esconde o que é. Um jogo Roguelike que vai buscar muito da sua essência a Diablo, mas que lhe dá uma nova vibe Lovecraftiana e uma mensagem muito forte sobre religião sociedade e poder.
Ao clássico estilo Diablo, Dark Souls ou Bloodborne, Source of Madness lança-te imediatamente no meio da ação e, como todos os jogos do estilo, este videojogo pouco te explica sobre os mecanismos e complexidade da Skill Tree, itens e poderes que tens, esperando que os descubras à medida que vais jogando.
Aqui, encarnas a pele de um refugiado que está a fugir de um monstro gigante que matou a tua família e destruiu a tua casa. Para conseguires sobreviver, foges para os esgotos e juntaste aos milhares de outros refugiados que ali estão escondidos com a ajuda de um culto misterioso. A partir daqui, rapidamente juntaste ao culto para ajudar a lutar contra a invasão destas criaturas aterrorizantes e desfiguradas que só existem para caçar humanos.

Mas não te apegues muito a este personagem. O que Source of Madness tem de interessante na sua história é que, em cada run que faças, vais jogar como um cultista diferente. Neste mundo não há forma de regressar dos mortos. A partir do momento que perdes uma run, essa personagem está morta e o jogo apresenta-te um ecrã de Game Over com o nome e a data de nascimento e de morte (data em que estás a jogar) do personagem.
Depois disso, podes escolher entre diferentes novos cultistas, que estão a ser lançados contra os monstros pelos membros mais séniores do culto. Todos eles têm poderes e ataques iniciais parecidos, mas estatísticas diferentes. Como por exemplo, velocidade, resistência, modificador de criticals, para poderes escolher o que achas que te vai ajudar. Mas não te preocupes, os mercadores e tesouros que encontras pelo caminho anteriormente, ainda vão lá estar para voltarem a ser colecionados. A tua experiência e conhecimento do jogo, como é suposto neste tipo de jogos, serão sempre a tua arma mais forte para avançar na história.
Para contar esta história com uma mensagem forte sobre religião, sociedade e como as pessoas mais poderosas abusam do desespero dos outros, os developers do estúdio, Carry Castle, optaram por um estilo de arte Lovecraftiano e rudimentar, fazendo-te sentir que estás as jogar dentro de um quadro pintado por um artista Lovecraftiano.
Pessoalmente, eu adoro este estilo e as histórias em volta deste género. No caso de Source of Madness, é utilizado na perfeição para mostrar o caos e horror do mundo em que te encontras e te fazer sentir completamente perdido enquanto lutas contra criaturas visualmente tão confusas que nunca vais ter bem a certeza do que estás a enfrentar.

Mas, a utilização deste estilo Lovecraftiano 2D traz tantas coisas boas como más ao jogo. O movimento e combate no jogo são demasiado caóticos e difíceis de controlar, tornando-se por vezes frustrante. Especialmente quando acabas preso em detalhes dos mapas e das criaturas com que estás a lutar e quando não fazes ideias contra quantas estás a lutar.
Para além disso, apesar de ser claro que o objetivo é o mundo à tua volta ser abstrato e complicado de entender, é frustrante quando não se consegue ver a diferença entre uma pedra e um inimigo que te vai atacar até te aproximares o suficiente para baixar a tua health bar.
O jogo ainda é considerado como Early Access, por isso ainda há tempo para melhorar nestes aspetos.

Por outro lado, aspetos definitivamente a manter são o design e a personalidade dos personagens jogáveis e dos NPC à tua volta, e a história. No clássico estilo de Dark Souls, nunca sabes bem em quem confiar, especialmente quando vais recolhendo pequenas peças desta complexa lore, que te fazem em muito questionar o culto que estás a tentar ajudar.
No final, acho que Source of Madness é um jogo com muito potencial mas que ainda tem alguns detalhes, especialmente em termos de movimento, lutas e interação com o mundo a melhorar.
Se gostas de Roguelike, Horror e arte Lovecraftiana, Source of Madness é um jogo definitivamente para tentar, mas talvez espera um pouco até estes detalhes estarem aperfeiçoados.