South of Midnight: luto, aceitação e a falha da repetição

O premiado título da Compulsion Games traz o seu folclore místico e estética stop-motion à PlayStation 5, provando que as boas histórias não precisam de cem horas para impactar.

Em 2025, chegou às nossas mãos, o terceiro jogo proveniente do estúdio Compulsion Games, South of Midnight. Na altura, foi apresentado como um dos grandes lançamentos narrativos da Xbox, tendo sido disponibilizado, como já é habitual, no serviço Game Pass logo no dia do seu lançamento. 

Na altura do seu lançamento, a sua receção não foi efusiva, mas mesmo assim, muitos consideraram uma aposta forte da empresa americana e que esta deveria lançar mais jogos do género. Isto é, jogos de narrativa curta e com boa jogabilidade, que dessem para alimentar o Game Pass, nos períodos em que não saíssem jogos triple AAA. 

Passado um ano desde o seu lançamento, e após arrecadar 2 nomeações na última edição dos The Game Awards, tendo até até mesmo levado o prémio de Jogo de Impacto para casa, South of Midnight chega agora à PlayStation 5, dando assim a oportunidade a mais jogadores de descobrir esta bela história. 

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Uma História de Lendas por vezes já esquecida

South of Midnight para além de ser uma homenagem às lendas e costumes do Sul Profundo dos Estados Unidos, é acima de tudo uma história sobre perda e aceitação. É muito difícil encontrar alguém que não carregue o peso de algo que aconteceu no seu passado, algo que acaba por o atormentar de uma maneira ou de outra. O jogo acaba por ensina-nos que apenas o confronto com essa realidade permite à pessoa libertar-se desse peso. 

Em South of Midnight, seguimos a história de Hazel Flood (nome que certamente deixaria Kojima orgulhoso tendo em conta a narrativa), uma recém Weaver que tenta de tudo para conseguir voltar a ver a sua mãe. Pelo meio da nossa jornada, acabamos por conhecer um pouco melhor este lado Weaver de Hazel enquanto percorremos a cidade de Prospero (uma cidade que mistura um pouco todas as vertentes do Sul profundo) e nos cruzamos com diferentes personagens e espíritos que acabam por influenciar o nosso crescimento. 

Este novo port para a PlayStation 5 não oferece grandes novidades para quem já jogou o jogo. Tanto a jogabilidade como as missões não sofreram quaisquer alterações. Mesmo sendo um jogo curto, é possível sofrer alguma fadiga no que toca à sua jogabilidade, pois esta, mesmo apresentando novas mecânicas no decorrer do jogo, acaba por apresentar sempre o mesmo ciclo repetitivo. Aqui falo sobretudo sobre o sistema de luta, pois é verdade que apresentam novos inimigos ao longo do jogo, mas mesmo assim, este acaba por ser sempre o mesmo conceito — chegar a uma zona corrupta, derrotar x número de inimigos e limpar a área, 2 minutos depois é fazer tudo igual. 

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Um bom digestivo entre jogos Triple AAA de dezenas horas

Sendo alguém que gosta de jogos narrativos lineares, gostei muito de uma pequena mecânica que o jogo oferece. Falo do facto de podermos ver para onde é que é para ir caso querermos seguir com a história. Isto porquê? Porque já todos vivemos aquela situação de querer explorar a área, escolhermos um lado a achar que é uma área secundária e depararmo-nos com uma cutscene que não permite depois voltar para trás. Por isso, agradeço e muito aos devs, por terem colocado esta simples funcionalidade no jogo.  

Por outro lado, há também que falar nas múltiplas quebras de frame que o jogo tem. É verdade que o jogo não é um FPS, fazendo com que isto não afete muito a jogabilidade do jogo, mas quando acontece constantemente, acaba por se tornar um problema difícil de ignorar. Certamente é algo a rever, para ser arranjado em futuros updates

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Visualmente marcante

Mas agora falemos onde o jogo verdadeiramente brilha, que é a sua estética. South of Midnight apresenta um estilo visual único, que procura emular uma animação em stop-motion, enquanto se tenta assemelhar a uma pintura (talvez seja por isso a dificuldade com os frames, e se for esse o caso, se calhar até vivo bem com as quebras).  

É, por isso, uma pena que o jogo não inclua um modo de fotografia, já que existem vários momentos que mereciam ser captados e apreciados na sua totalidade. Destaco, em particular, a área em que é recriada uma Nova Orleães surrealista, sem dúvida um dos pontos altos do jogo. 

Mesmo adorando a estética do jogo, não consigo ignorar um dos pontos que mais me fez confusão. Num jogo, onde um dos aspetos principais é a água, devido à importância da tempestade na sua narrativa, tenho de dizer que esperava muito mais no que toca ao seu aspeto, visualmente deixa muito a desejar. 

South of Midnight é sem dúvida um jogo que merece ser jogado, se calhar não tanto pela sua jogabilidade repetitiva, mas mais pelos temas que aborda e pelo seu lado artístico. Caso não tenham tido a oportunidade de o experimentar antes pelo Game Pass, este é sem dúvida um jogo a colocar nas vossas listas de desejos. 

South of Midnight

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Lançamento: 2026-03-31 Ano: 2026
Distribuição:
7.5
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Francisco Santos
Apaixonado por jogos e cinema. Tento partilhar essa paixão com as outras pessoas.

Colaboraram neste artigo

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