Space Adventure Cobra – The Awakening

Nostalgia animada

Não parei de notar a semelhança que este título tem com vários animes dos anos 80 desde que o descobri. Space Adventure Cobra – The Awakening respira e inspira tudo aquilo que de bom saiu daqueles anos, mas vamos por partes. Não foi há muito que encontrei este título e a curiosidade surgiu de imediato apenas pela arte da capa. Pode já não ser um ponto de destaque na venda de um videojogo nos dias que correm, mas ainda há capas que nos chamam à atenção por algum motivo. Vamos fazer uma viagem ao passado? Ainda neste tema das capas, é preciso recuar à longínqua década de 2000 para encontrar uma altura em que a capa de um jogo na prateleira ainda podia levar a uma compra impulsiva. Hoje, com a informação a correr nos nossos bolsos à velocidade da luz, é praticamente raro um acontecimento destes.

Mas lá estava eu, há um ou dois meses, a fazer o meu habitual calendário de jogos esperados para a segunda metade do ano, quando, de repente, no meio daqueles jogos todos, destacou-se uma capa e um nome. Sem saber nada, sem ter visto trailer, imagens ou qualquer outra informação, o meu cérebro ficou logo ativo e com um pensamento genuíno… vou gostar disto. Fui-me informar e, certo é, o jogo ficou mesmo na lista de desejos para a Nintendo Switch. Alegremente, foi há cerca de uma semana que recebi um email muito curioso da Microids, colocando-nos a proposta de trabalhar neste jogo. Pensei duas vezes? Não. E confesso: senti aquele friozinho bom de antecipação.

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Space Adventure

Nem podia pensar duas vezes. A possibilidade de explorar esta aventura espacial — está no nome — com um protagonista chamado Cobra e onde a intriga nos leva por caminhos tumultuosos para descobrir o que aconteceu com a mente deste personagem… a possibilidade tornou-se bem real e agarrei-me com unhas e dentes a esta aventura. Mas então que aventura espacial é esta que tanto me intrigou? Na verdade, temos de recuar a 1978, quando o mangaka Buichi Terasawa escreveu Cobra, que se desenrolou até 1984. Em 1986 e até 1988, o autor voltou à carga com mais uma história do personagem. Isto repetiu-se em 1995, prolongando-se até 2006, e a sua última aventura foi em 2019 e 2020. Infelizmente, Terasawa deixou-nos em 2023, mas o seu legado ficará para a história com um personagem icónico que correu o mundo em vários formatos multimédia!

Chegou a vez de um videojogo com a qualidade que o autor merece, mas será que The Awakening consegue chegar a esse ponto? E será que esta foi mesmo a primeira tentativa? Começando pela segunda, a verdade é que já várias vezes foram tentadas adaptações deste universo aos videojogos, mas ficaram essencialmente pelo Japão. Por cá, na Europa, chegou Cobra e Cobra II, no Amstrad CPC e Atari ST respetivamente, e ainda recebemos, juntamente com a América, um port de um jogo da PC Engine CD para a Sega CD em 1995: The Space Adventure – Cobra: The Legendary Bandit. Curioso pensar como, tantas décadas depois, este universo volta a espreitar para o Ocidente com nova força.

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Agora, em 2025, o icónico personagem nipónico chega finalmente ao mundo todo num lançamento global e nas principais plataformas atuais. Por aqui foi testada a versão da Nintendo Switch, numa Nintendo Switch 2. De notar que o jogo não tem port ou upgrade para a nova consola da Nintendo.

Anime Jogável?

Sem este upgrade, este título tem alguns pequenos detalhes que perdem muita qualidade quando estamos numa televisão 4K, mas em modo portátil está tudo bem. E, a dizer a verdade, são detalhes que não afetam em nada a jogabilidade. Mas permitam-me demonstrar a minha surpresa quando, sem grande conhecimento deste fascinante universo de Cobra, me deparei com a primeira cutscene do jogo. Basicamente um típico episódio de anime com aspeto de ser antigo. Encaixou na perfeição em tudo aquilo que esperava. Aquela vibração nostálgica de voltar aos meus tenros dias de inocência a ver os bonecos na televisão. O ambiente espacial, de ficção científica, com nuances cyberpunk, a agarrar-me a cada segundo. E depois saltamos para o jogo em si…

E não, o estilo não é o do anime. O contraste é grande, com uma arte vetorizada moderna, capaz de aguentar muito bem as resoluções mais elevadas da Nintendo Switch 2 e que fica extremamente bonita na televisão. A luz, o ambiente e as sombras dão um charme único aos vetores, transformando aquela animação clássica em algo inesperadamente interessante. Não vou mentir: ao início foi um verdadeiro choque ver a diferença, mas rapidamente me embrenhei na jogabilidade e só aguardava pelo próximo momento para ver mais um pedaço do episódio… Sim, são episódios. E é aí que o jogo conquista, porque se torna um ritual de espera quase viciante.

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Tal qual uma série de anime, este jogo divide-se em episódios, com diferentes atos, passados em cenários diversificados e cada vez mais desafiantes. No final de todas as contas bem feitinhas, temos aqui um verdadeiro anime. Tudo respira aquilo que esta saga sempre pareceu ser.

Sufoco constante

E se tudo o que este jogo, mesmo com alto contraste entre conteúdos, parece encaixar na perfeição para levar este personagem finalmente a correr o mundo como deve, então a ação é onde tudo se torna mais divertido. Sem tempo para respirar neste mundo futurista e cibernético, onde os inimigos estão em cada esquina e as nossas armas são a nossa única salvação. É de um ritmo frenético, colocando o jogador sob a pressão do tempo e da técnica se quiser fazer as melhores pontuações em cada nível. Saltos precisos, tiros certeiros e técnicas bem utilizadas são a chave para o sucesso. Aqui senti aquele verdadeiro sufoco bom — a adrenalina de não poder falhar.

É um jogo de plataformas intenso, com ações explosivas e onde os efeitos favorecem cada momento. É perfeito para o formato de visão 2D e acho que a Nintendo Switch, 1 ou 2, são as consolas perfeitas para explorar este título — vá, qualquer PC portátil também — querendo com isto dizer que os níveis são rápidos o suficiente para uma pequena sessão de jogo e para voltarmos mais tarde. Não nos vamos perder e este ritmo frenético encaixa perfeitamente numa portátil. Já agora, os speedrunners podem começar a explorar as vossas habilidades, porque têm aqui pano para mangas.

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Com todo este ritmo, a dificuldade pode ser muito importante para a vossa experiência, mas as opções existentes permitem adaptar o jogo sem nunca o tornar demasiado fácil, para que não se sintam frustrados. De qualquer forma, preparem-se para um ligeiro sofrimento, pelo menos até dominarem os comandos.

Controlar a perfeição

Não tocando a perfeição, Space Adventure Cobra – The Awakening tem algumas regras que podiam ser aprimoradas. Com controlos mais precisos e menos sensíveis, um design ligeiramente mais próximo do desenho e com níveis mais detalhados, podíamos estar perante um dos grandes títulos deste formato. Dificilmente se consegue alcançar a perfeição, porque aí estaríamos numa utopia jogável, mas é possível estar lá muito próximo. Há imensos jogos com este formato de câmara e jogabilidade em que os níveis são altamente detalhados e imersivos. Mesmo com cenários deslumbrantes em muitos momentos, fica-se a sentir algum vazio e repetibilidade no percurso. E nessas alturas o entusiasmo quebra um pouco, mas volta sempre a renascer com a próxima cena.

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Agora a questão é se isso é ou não um problema para vocês. Conhecem este personagem? Conhecem esta série? Estão familiarizados com o anime e querem reviver momentos icónicos? São simplesmente amantes de animes dos anos 80 e nunca tinham ouvido falar deste? Então talvez estes detalhes menos positivos não sejam um problema. O jogo tem conteúdo suficiente para agradar aos fãs deste universo e, ao mesmo tempo, coloca mecânicas certas para que qualquer jogador se sinta em casa. Sinceramente, foi exatamente isso que senti… em casa.

Não é um jogo perfeito. Mas faz muita coisa bem por este personagem e, mesmo que por vezes sentisse que lhe faltava alguma vivacidade, a próxima cutscene voltava a colocar-me no centro da ação e lá estava eu, dobrado para a frente no sofá com uma atenção mesurada. E acreditem, isso vale mais do que qualquer detalhe técnico.

AA que precisamos

Se me deixou com esta atenção e interessado em conhecer mais deste universo, então o jogo funcionou para mim e é isso que gostaria de vos transmitir. A Magic Pockets não é nova no mercado e é um estúdio que, com orçamentos modestos, já trabalhou com várias licenças bem conhecidas como TMNT e The Smurfs. E é aquele tipo de estúdio que, por vezes, surpreende com um jogo saído de lado nenhum. É curioso ver que estes estúdios eram muito mais predominantes no passado e que, com a chegada dos indies, tiveram uma queda abrupta. No entanto, publicadoras como a Microids têm revivido esta áurea AA, que nos consegue oferecer jogos completamente sem nexo e, ao mesmo tempo, pérolas para mais tarde recordar. E acho que a Magic Pockets tem aqui uma dessas pérolas. Acho sinceramente que o jogo não vai ter o alcance que deveria e espero que pelo menos este pedaço de texto possa levar alguns de vocês a espreitar mais sobre este jogo e universo, porque eu… bem, eu estou rendido.

Space Adventure Cobra – The Awakening

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Lançamento: 2025-08-26 Ano: 2025
Saga/Série: Cobra
Distribuição:
Estúdio:
8
Picture of Eduardo Rodrigues
Eduardo Rodrigues
Considero-me um geek da cabeça aos pés. Adoro uma boa leitura, apreciar a arte da BD e da Manga, ver de uma assentada aquela série ou anime incrível, ir ao cinema e devorar um filme e deliciar-me com uma aventura interativa nos videojogos e nos jogos de tabuleiro. Sou um adepto da mágica Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

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