Star Fox: O Regresso Triunfal de Uma Aventura Clássica

Fox McCloud está de volta num remake fiel e deslumbrante. Uma aventura com um visual cinemático inovador para a Nintendo e uma jogabilidade perfeita que te vai prender durante horas.

Fox McCloud está de regresso para mais uma aventura. Na verdade, está de regresso com a mesma aventura de sempre, mas com um brilho inegável. A franquia Star Fox tem tido uma viagem bastante atribulada ao longo das várias gerações de consolas da Nintendo, saltando entre sucessos estrondosos e experiências esquecidas. E agora, quase dez anos depois do seu último lançamento principal, temos finalmente o regresso da equipa espacial em mais um remake. Esta insistência no passado parece ser uma repetição daquilo que vemos noutras franquias da atualidade, e estou a olhar diretamente para ti, The Last of Us. Mas a verdade é que, se é para fazer um remake, pois que seja feito exatamente com esta qualidade.

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O Longo Caminho Até ao Presente

Para quem possa estar mais fora deste universo, permitam-me fazer um pequeno apanhado de tudo o que aconteceu na história deste icónico grupo de personagens animais. A Super Nintendo apresentou-nos o Star Fox original com um estilo peculiar e totalmente único para a consola até àquele momento. Foi mesmo necessário criar um chip próprio, o conhecido Super FX, inserido diretamente no cartucho para permitir que a máquina conseguisse processar gráficos poligonais em 3D. Depois deste sucesso inicial, arrancou o desenvolvimento da sequela. Curiosamente, este segundo jogo não chegou a ser lançado na época, apesar de estar totalmente finalizado, tendo visto a luz do dia apenas em 2017 com a SNES Mini e, mais tarde, com o seu relançamento no serviço Nintendo Switch Online.

Sem a merecida sequela na altura, a franquia recebeu antes um remake na Nintendo 64. Desta vez, já com gráficos 3D muito mais realistas e próximos de uma imagem percetível do estilo que a Nintendo tentava impregnar nesta série. Mais tarde, a empresa nipónica tentou muitas abordagens interessantes durante a era da GameCube, altura em que praticamente todas as suas licenças sofreram reinvenções, e Star Fox acabou por receber dois tratamentos bem distintos. Por um lado, tivemos Star Fox Adventures, que era uma mistura bizarra entre o estilo de ação e aventura e uma propriedade original da Rare chamada Dinosaur Planet. É importante referir que este Adventures foi o primeiro, único e último jogo da Rare na GameCube, já que logo depois a empresa foi oficialmente adquirida pela Microsoft.

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Temos depois as primeiras sequelas oficialmente lançadas de Star Fox, com Assault para a GameCube e Command para a Nintendo DS. Os dois títulos voltaram à fórmula habitual da franquia, mas não foram particularmente bem recebidos pela crítica e pelos fãs. Em 2011, com um futuro já incerto, a recém-lançada Nintendo 3DS recebe Star Fox 64 3D, que é basicamente um remake do remake. Em 2016, chega à moribunda Wii U o Star Fox Zero, que é na verdade uma re-imaginação do jogo original, ou seja, mais um remake. É também nesta mesma altura que aparece Star Fox Guard, um spin-off do género tower defense de qualidade surpreendente, afirmando-se como uma das maiores surpresas da consola e da própria franquia.

O Estilo Peculiar e Cinemático

Toda a história já aqui transcrita é de extrema importância para perceber algumas das decisões estruturais deste novo capítulo. Se há algo que, mesmo com tantos recomeços e reinvenções, não podemos tirar a este universo, são as suas tentativas únicas de trazer estes personagens à vida. Vimos vários géneros e vários formatos, mas a Nintendo procurou sempre maximizar e explorar novas formas de expandir estas histórias espaciais.

Por tudo isto, não é de estranhar que, mais uma vez, a empresa tenha explorado uma nova forma de apresentar a equipa, focando-se fortemente no seu aspeto visual. Sei perfeitamente que para muitos fãs foi estranho assistir ao anúncio e habituar-se a este novo design, mas, sinceramente, para mim isso nunca foi um problema. Gostei logo à partida. Acho que o visual está moderno, muito mais realista, incrivelmente bem desenhado e torna este num dos jogos mais cinemáticos que a Nintendo já produziu.

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É algo realmente de estranhar, mas não pelos motivos que já referi. É sim estranho ver a Nintendo a enveredar por este caminho gráfico que mais rapidamente associamos a um estúdio da PlayStation, se é que me faço entender. Em todo o caso, julgo que este estilo só tem a favorecer o jogo, dando-lhe um aspeto visual deslumbrante, com um ambiente que faz lembrar as grandes obras espaciais do cinema e coloca Star Fox entre as melhores aventuras e óperas espaciais dos videojogos.

A Alma Arcada do “Vamos Lá Outra Vez”

Quando iniciamos a campanha, é algo surpreendente perceber que, passado pouco mais de uma ou duas horas, já estamos no final da história e somos encaminhados para o menu principal. No entanto, o mais interessante deste título é que é exatamente nesse ponto que o jogo realmente começa. A campanha, na realidade, ainda não terminou. Terminou apenas um pequeno pedaço da aventura, uma amostra que nos leva a explorar apenas um quarto de toda aquela vasta galáxia. Esta primeira passagem serviu principalmente para nos dar todas as bases, para sabermos como jogar e para dominarmos os controlos na perfeição.

É também importante saber que toda esta estrutura de progressão não é diferente de qualquer um dos títulos passados que já refez o jogo original da SNES. Ou seja, nesse aspeto, a Nintendo manteve exatamente o mesmo formato clássico, preservando a verdadeira alma arcada da série. Mas, sinceramente, pela primeira vez sinto muita vontade de começar, recomeçar e explorar cada vez mais todas as missões, cada um dos planetas e cada um dos biomas.

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Caminhos diferentes levam a missões totalmente diferentes, mesmo que o objetivo final acabe por ser o mesmo. O jogo está carregado de surpresas, segredos e rotas alternativas que nos oferecem experiências únicas. É por isso que este título está desenhado e perfeitamente preparado para ser jogado uma, outra e outra vez. Portanto, não se assustem com a aparente curta duração, pois vão ter horas a fio de diversão pela frente. A magia reside exatamente na repetição, que aqui não cansa, mas sim recompensa e vicia.

Joga-se Bem e Sem Invenções

Um dos grandes problemas da última tentativa de recomeçar a franquia, em Star Fox Zero, foi a forma desastrosa como controlávamos a nave e os veículos. A insistência da Nintendo em aproveitar as funcionalidades do ecrã do GamePad da Wii U acabou por prejudicar de forma surpreendente a fluidez do jogo. Aliás, esse foi praticamente o principal problema daquele título e de muitos outros lançados nessa consola.

Mas aqui as coisas são totalmente diferentes. As consolas atuais da Nintendo não têm propriamente nenhuma ferramenta obrigatória que esteja a ser imposta às equipas de desenvolvimento. Mesmo o modo de rato que a nova consola apresenta é apenas uma opção extra, e tem sido utilizado exatamente dessa maneira não intrusiva, incluindo aqui neste novo Star Fox.

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A consequência disto é que tudo na forma de jogar deste título é simplesmente muito bom. Diverti-me imenso com todos os veículos que temos oportunidade de controlar. Todos eles se assemelham nos comandos básicos, mas cada um possui as suas pequenas particularidades, o que torna a jogabilidade bem diferente a cada nova máquina que pilotamos. É uma experiência extremamente fluida e, acima de tudo, bem modernizada. Não é que a base seja incrivelmente diferente do clássico da Nintendo 64, mas está polida, atual e altamente intuitiva.

Mas é Assim Tudo Tão Igual?

Podemos dizer que estamos perante um remake fiel. Isso é mau? Não acho de todo. Estamos a falar da recriação de um jogo da Nintendo 64. É verdade que teve aquela versão com gráficos melhorados para a 3DS, mas isso não era propriamente um jogo refeito de raiz, enquanto aqui estamos perante uma verdadeira reconstrução. Passaram quase trinta anos desde o título da 64, e esta acaba por ser a forma mais fácil e acessível de levar esta franquia histórica às novas gerações de jogadores. E nesse aspeto, acho que o jogo faz tudo incrivelmente bem. As suas particularidades são muito bem-vindas, e a voz off constante em conjunto com as cutscenes belíssimas dão uma vida única e imersiva à campanha.

Veredito

Para dar o próximo passo rumo à inovação, a única coisa que eu acho que poderiam ter diferenciado nesta versão, para arriscar um pouco mais, seria uma reestruturação ainda maior da campanha, de forma a levar o jogador de maneira mais natural e exploratória por toda a galáxia. Um pouco como é feito, por exemplo, nos recentes Star Wars Jedi: Fallen Order e Star Wars Jedi: Survivor.

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Sinto que esse formato estrutural é o exemplo perfeito de como eu gostaria que esta campanha tivesse funcionado na sua plenitude. Consigo perfeitamente imaginar e ver o futuro da franquia a ser exatamente esse, focando-se muito mais numa narrativa interligada, numa exploração livre e numa diversidade real de locais a visitar. Star Fox tem um potencial imenso para nos dar muito mais nestes moldes, e este jogo funciona como uma perfeita e luxuosa porta de entrada para esse futuro brilhante.

Star Fox

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Lançamento: 2026-06-25 Ano: 2026
Saga/Série: Star Fox
Distribuidora:
Estúdio:
Plataformas:
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Eduardo Rodrigues
Considero-me um geek da cabeça aos pés. Adoro uma boa leitura, apreciar a arte da BD e da Manga, ver de uma assentada aquela série ou anime incrível, ir ao cinema e devorar um filme e deliciar-me com uma aventura interativa nos videojogos e nos jogos de tabuleiro. Sou um adepto da mágica Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

Colaboraram neste artigo

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