Star Realms – A galáxia nas tuas mãos
Publicado a 16 Nov, 2021

Hoje trago-vos o jogo que começou todo este aparato na minha vida: os jogos de tabuleiro. Sempre fui uma pessoa muito ligada as tecnologias e videojogos, descartando, quase sempre, a possibilidade de jogar um jogo de tabuleiro. Isto porque, até há pouco tempo, pensava que um jogo de tabuleiro nunca poderia substituir um jogo de vídeo.

Bom, hoje se conseguissem ver o meu escritório, chamar-me-iam de hipócrita. Acredito, em parte, naquilo que disse, mas acredito, também, que os jogos de tabuleiro preenchem vários aspetos de diversão que os jogos de vídeo não conseguem tão bem. É verdade que com a chegada dos jogos online, o ponto principal dos jogos de tabuleiro não realça tanto à vista: o facto de jogarmos com mais pessoas ao mesmo tempo. No entanto, os jogos de vídeo, mesmo jogando com outras pessoas, acaba por ser uma atividade solitária. Já não noto isso com jogos de tabuleiro. Quando estamos em torno da mesa, a jogar, todos os jogadores são (e estão) muito mais próximos. Dá para conversar, beber um copo, partilhar histórias e claro, jogar! Acho que, nessa vertente, os jogo de tabuleiro dão imensa vida às atividade em conjunto. Além disso, com a introdução de novas pessoas no nosso grupo de jogo, podemos aprender novas estratégias e táticas nunca antes exploradas!

Este discurso resulta, claro, do meu primeiro jogo de tabuleiro “a sério”. Quando era miúdo, recebi o meu primeiro jogo de tabuleiro de todos: o monopólio. E antes desse, ainda existia um Jenga perdido, lá por casa. Mas, na verdade, nenhum deles fez com que sentisse nada por jogos de tabuleiro. A minha infância sempre foi rodeada por Pokémon e não por dados. A coisa mais parecida com jogos de tabuleiro que jogava com alguma frequência era às damas com o meu pai.

Alguns anos depois, a minha namorada oferece-me um pequeno jogo de cartas chamado Star Realms e não sei o que aconteceu. Gostei tanto daquele pequeno jogo de cartas que tudo o que existia para o jogo, tinha de ter. Todas as expansões, todos os packs, todas as cartas. Qualquer coisa que estava relacionada com o jogo, tinha de comprar. Escusado será dizer que, neste momento, tirando as cartas de convenções, tenho tudo. Tudo o que é comercializável, diga-se.

Todavia, não consegui tudo sozinho e é isto que me leva a escrever este artigo. Ao longo deste ano, quando comecei a falar com mais e maiores companhias de jogos de tabuleiro, tenho-me apercebido do que tenho andado a perder. As pessoas, neste ramo, são fantásticas. Dentro ou fora do país. Naturalmente, também eles têm famílias para alimentar e procuram vender os jogos que produzem, no entanto, não o fazem no sentido de introduzir os jogos à força. Apenas querem demonstrar ao mundo que o seu jogo existe e que é bom. Nota-se que existe muito mais paixão pelo processo criativo de um jogo de tabuleiro do que por um jogo de vídeo (muitas vezes, há sempre exceções!).

A Wise Wizard Games é uma dessas companhias. Star Realms é um pequeno jogo de cartas que podem encontrar na Fnac ou na Diver a 15 euros e é excelente. Um jogo onde se nota uma enorme criatividade por parte dos seus criadores, sem que seja pedido um valor avultado por isso.

Então como se joga esta pequena pérola?

Todos os jogadores começam com 10 cartas cada: 8 moedas e duas naves de ataque. Existe uma fileira de comércio constituída por 5 cartas, que podem ser adquiridas pelo jogador durante o seu turno. Além disso, caso o jogador assim desejar, este pode ainda comprar uma carta que vale duas moedas, cartas estas que estão sempre disponíveis para compra. Estas cartas dividem-se em naves e em bases. As bases servem para proteger de eventuais ataques, enquanto que as naves servem, em regra, para atacar. No entanto, seja base, seja nave, todas elas podem oferecer mais (ou menos) do que aquilo que referi. Podemos ter naves que não ataquem e bases que não defendam por completo, o jogador.

Aliado ao tipo de carta, temos também alianças diferentes. Para melhor entendimento dos leitores do artigo, vamos chamar as várias fações apenas por cores: a vermelha, a verde, a amarela e a azul. Os vermelhos, em regra, servem para melhor a rotação do jogo do jogador. Serve para o jogador puder limpar as cartas que não quer do baralho. Os verdes são, em regra, puro ataque. As amarelas criam obstáculos ao inimigo, por exemplo, obrigar o jogar a retirar cartas da mão antes de jogar. E, por fim, as azuis que, em regra, dão vida ao jogador que as joguei.

Cada carta tem um efeito principal (atacar, moedas ou vida) e pode ter um ou vários efeitos secundários. No entanto, estes efeitos secundários, em regra, apenas ativam se estiverem na presença de outras cartas da mesma fação.

O modo de jogo, em concreto, é muito simples. Em cada turno podemos jogar 5 cartas. Dessas 5 cartas, fazemos os seus efeitos (vida, ataque ou moedas). No início de jogo, quanto mais moedas melhor para comprar um maior número de cartas possível (e claro, mais fortes do que as que temos). Já para o meio/final do jogo, convém termos cartas para atacar e/ou sobreviver. Cada carta tem um custo associado, que deve ser pago pelo jogador aquando da aquisição da mesma. Terminado o turno, o jogador devolve as suas cartas para o cemitério (fazendo referência ao Yu-gi-oh!), deixando, apenas, as bases no seu campo de jogo para o defender. De seguida, pega nas cartas que não tiver jogado naquele turno e espera pela sua vez. Caso não tenha mais nenhuma carta para jogar, recolhe todas as cartas que tem no cemitério, baralha, e volta a jogar com as cartas que tinha. Basicamente, recicla as cartas (sejam as novas – compradas durante o jogo – ou as antigas que foram adquiridas na montagem do jogo). Só com poderes dados pelas cartas (vermelhas, em regra) é que o jogador pode remover permanentemente cartas do seu baralho.

O jogo termina quando os pontos de vida do oponente chegarem ao fim. Esta pequena e rápida análise do modo de jogo do Star Realms é apenas do jogo base. Com a introdução de novas expansões, o jogo fica um bocadinho diferente.

Veredito

Star Realms terá sempre um lugar cativo no meu coração. Foi o jogo que começou esta nova aventura e foi-me dado por uma das pessoas mais importantes da minha vida. Além disso, é um jogo muito bom, por vários motivos. Primeiro, é simples. Cinco minutos chegam para ensinar ou aprender. Segundo, é divertido. Os combos que podemos fazer com as naves são sempre diferentes pois o baralho é enorme. Terceiro, é um ótimo jogo para duas pessoas e finalmente, quarto, é barato. Com estes ingredientes à mistura, nada faz um jogo melhor.

No entanto, também nem tudo é rosas. O estilo de deckbuilding pode não ser para toda a gente. Além disso, a arte do jogo também pode não agradar a todos. Por fim, este jogo entra na categoria dos “fillers”, ou seja, são aqueles jogos para jogar entre jogos. Não é, propriamente, o jogo mais estratégico que conheço. Pelo contrário, acaba por ser mais tático do que estratégico, pois temos de jogar com as cartas que vão aparecendo na fileira do mercado do que desenhar uma estratégia prévia à nossa jogada.

Star Realms
Star Realms
Muito Bom
Jogadores: 2 Duração: 00H20M (20 min min)
Lançamento: 2014
Temática:
Distribuição:
8.5
  • Positivo
  • Ótimo jogo para dois jogadores (ou mais, com as expansões);
  • Imenso conteúdo para testar, com ou sem expansões;
  • Jogo rápido e fácil de aprender.
  • Negativo
  • Tem imensas expansões!
  • Um pouco dependente do fator sorte.
Escrito por:
Joel Henriques
A crescer com o Pokémon desde os cinco anos, apresento-me como um amante incurável do mundo dos videojogos e jogos de tabuleiro. Tenho como objetivo principal, em cada artigo que publico, escrever de forma a transmitir uma opinião simples, mas completa, para que todo o tipo de jogadores sinta que seja como se estivesse, ele próprio, a jogar. Acima de tudo, divirtam-se!