Uma nova entrada cinemática de Star Wars após quase uma década fora do grande ecrã, não reinventa a roda, mas sabe como a conduzir.
The Mandalorian and Grogu quebra a norma dos filmes da franchise, retirando completamente a “muleta” nostálgica de personagens clássicas para favorecer uma nova era de Star Wars. Era essa de eventos após o Return of the Jedi, mas antes do The Force Awakens que é um pouco mais explorada (com ação e aventura que tanto fazem parte deste universo que imensos fãs adoram).
Não existe qualquer dúvida que o sucesso do The Mandalorian no Disney Plus foi de uma magnitude sem precedentes, não só por introduzir este universo a novos fãs mas também por que foi um “pioneiro” no que toca streaming e a evolução de projetos feitos para o serviço destas plataformas. Mas uma grande questão fica, será esta série forte o suficiente para sustentar o peso do grande ecrã ?
Estamos perante um filme que oferece tudo o que promete. Não existe aqui uma aventura de proporções épicas ao contrário de outros filmes, mas isso é devido ao objetivo deste filme não ser esse. No final das contas, o filme (tal como o título indica) é sobre o The Mandalorian e o Grogu, e sem dúvida que estes são capazes de carregar o filme. Seria injusto não destacar a excelente introdução em live-action de Zeb, personagem de Star Wars Rebels (o primeiro projeto animado após a aquisição da Disney). Esta é, na verdade, a sua segunda aparição deste género, após um breve cameo na terceira temporada de The Mandalorian. A transição para o formato real foi perfeita, com segmentos no filme que espelham fielmente cenas tanto das animações como da própria série do Mandaloriano.

O único problema deste filme é funcionar, essencialmente, como um “episódio especial” da série, dando a sensação de ter sido concebido originalmente para o streaming. Longe de ser um mau sinal, isto reflete a transição atual de modelos e formatos cinematográficos impulsionada pelas plataformas digitais. Contas feitas, embora o formato assemelhe-se ao de um capítulo televisivo mais longo, o resultado final não irá desapontar os fãs.
A produção do filme em si está fantástica, com especial destaque para os efeitos práticos e os técnicos que trabalham com “animatronics” e fantoches, o Grogu e os Anzellans (aliens mecânicos pequeninos introduzidos no Rise of Skywalker). A coreografia das lutas está muito boa também, com um bom uso dos segmentos de ação do filme acompanhadas de mais um soundtrack excelente do compositor Ludwig Göransson, que já faz parte deste projeto desde o lançamento da série em 2019.
Apesar de uma entrada positiva, Star Wars: The Mandalorian and Grogu será, sem dúvida, polarizador. Com as expectativas em níveis elevadíssimos, alguns fãs poderão sentir-se desapontados pela ausência de personagens clássicas ou de combates icónicos com sabres de luz. No entanto, convém lembrar que o propósito do filme nunca foi esse. No meio da vasta lista de lançamentos previstos para este ano, este destaca-se como um excelente filme para toda a família, capaz de cativar tanto miúdos como graúdos.