Suicide Squad: Kill the Justice League

Uma mão cheia de nada e outra com coisa nenhuma

A nossa jornada com este jogo começou bem antes do seu lançamento. Tivemos a honra de jogar antecipadamente, três meses antes, a convite da própria desenvolvedora e no papel de game testers. Na altura, após 4 longas horas de jogo, ficámos perplexos com a quantidade de emoções negativas que sentimos para com o jogo. Parecia que a Rocksteady nos prometeu uma mão cheia de coisas boas, mas o que recebemos foi somente uma mão estendida, sem nada.

O jogo Suicide Squad. Kill the Justice League no título já expõem parte do seu plot. Enquanto um dos membros do esquadrão (Harley Quinn; King Shark; Boomerang; Deadshot) somos levados para a cidade de Metropolis, que está a ser invadida pelo conquistador de universos, Brainiac, e os seus lacaios. As primeiras impressões da história, embora apressadas, transmitem muito bem a sensação de estarmos a ser enviados para uma missão suicida, com a Amanda Waller a coordenar todos os nossos passos. Contudo, logo nos primeiros instantes, a história perde-se. As falhas constantes à própria lore dos vilões da DC deixa muito a desejar. Havia espaço para aprofundar as emoções de cada personagem, logo à partida, mas a opção que nos foi dada é uma miscelânea de trocadilhos engraçados, ação e imensa confusão à mistura.

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Parece-nos que, numa observação mais maturada, alguém da Warner Bros. Games pensou numa história para um novo filme Suicide Squad, mas que, pela sua complexidade e dificuldade, transitaram a ideia para um videojogo. Como diz o ditado: “quando nasce torto, jamais se endireita”. Como base, a história até poderia funcionar, mas não na maneira que é apresentada. Pelo facto do jogo ser co-op e podermos jogar com as quatro personagens do esquadrão, não nos é possível encontrar um elo de ligação narrativa para com as mesmas, quanto mais afetiva. As escolhas de grande parte dos jogadores, neste jogo, prendem-se mais por “eu achei a gameplay da Harley confusa, por isso joguei antes com o DeadShoot”. Logo à partida, qualquer fã da Harley desiste de jogar com esta personagem. É esse um dos principais fatores que nos fazem retrair do jogo.

Por outro lado, a maneira de como nos é exposta a premissa do jogo, em ter que matar todos os membros da Justice League (Batman, Flash, Green Lantern e Super-Man) é fortemente apressada. Quanto à Wonder Woman, esta desenvolve um papel secundário no jogo, aspeto também mal explorado pela direção narrativa. Deste último ponto, a própria Wonder Woman está sempre “afastada” do esquadrão, por querer levar a sua campanha a solo na tentativa de salvar os seus companheiros, por se encontrarem mentalmente dominados pelo Brainiac. Esse seu altruísmo, embora heroico, é desfasado da realidade do próprio jogo. Por mais cómico que pareça, transparece a ideia de que se a Rocksteady tivesse feito um jogo só sobre a Wonder Woman a salvar a Justice League, talvez tivesse mais sucesso.

Várias personagens jogáveis, num estilo RPG mundo aberto, não é a melhor forma de aproximar o jogador aos sentimentos das personagens. Talvez percebendo essa falha, a empresa tenha forçado mais a barra no “desenvolvimento da narrativa do Suicide Squad, enquanto equipa”, contudo isso não basta. Faltou apelar mais ao sentimento. Não é viável, a nosso ver, apelar à nossa compaixão, o facto de expor que o King Shark tem “daddy issues” ou de que a Harley Quinn “não tem uma personalidade originalmente sua” e não explorar mais isso.

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Devemos apontar ainda para a crise do Legado que a Rocksteady nos deixou com os Batman Arkham, verdadeiras obras de arte que nos contam histórias sólidas na perspetiva do vigilante mais famoso da DC. Vimos imensos críticos a comparar estes jogos com o atual, e de como os antigos, a nível de ambiente, música e estilo de jogo superam Suicide Squad. Kill the Justice League. Podíamos também entrar nesse espírito comparativo, contudo, preferimos uma outra abordagem. Nos comics, a cidade Metropolis é sempre representada como uma cidade progressista, decorada com cores quentes. Ver a mesma, destruída e com várias máquinas alienígenas, mais do que causar um choque visual aos jogadores, é um verdadeiro puzzle de construções que não nos permite compreender a própria lógica da cidade. Se não existisse um HUD definido ou um radar mais trabalhado, muitos de nós acabaríamos por nos perder no labirinto de edifícios, estátuas e infraestruturas da cidade. O mundo aberto, no geral, é muito detalhado e pormenorizado. Contudo, do que vale ter infinitas horas de edição deste espaço, quando os jogadores são forçados a dar rush em side quests e a disparar contra vários aliens? Ninguém consegue fazer trinta coisas ao mesmo tempo, e poucos foram os que notaram nos diversos detalhes e trabalho da equipa artística.

Tendo tocado nas side quests, ao longo do nosso percurso, de maneira a eliminar os membros da Justice League, somos forçados a completar diversas tarefas para desbloquear novas habilidades. A desenvolvedora, de maneira a “inovar”, decidiu criar dificuldades específicas para cada. Por exemplo, numa missão só conseguimos fazer dano com granadas ou noutra só fazemos dano com headshoots. Não sabemos quem teve a “ideia de génio” em querer tirar poder de decisão e de diversão de um shooter de mundo aberto aos jogadores, mas quem o foi, deve ser responsabilizado pela modesta percentagem de 80% da frustração do jogo. Os outros 20% residem na amargura que a história nos causa. Por outro lado, as batalhas contra os heróis da Justice League, embora icónicas e interessantes, tornam-se insípidas. Tornam a ação muito fechada em si, com a necessidade de recorrer a habilidades especiais para fazer dano. Foram poucas as vezes em que nos rimos ou sentimos bem a jogar o jogo, e muitas as vezes em que bocejamos por causa do sentido repetitivo das Side ou Main Quests.

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Ao longo da nossa jornada, somos introduzidos a algumas caras conhecidas de outros vilões da DC que nos ajudam. A única introdução que achámos consideravelmente interessante, foi a do Pinguim. Todos os outros são quase “forçosamente” colocados na história e algumas acabam mesmo por romper ou quebrar com a narrativa dos jogos anteriores da Rocksteady.

Quanto à jogabilidade, para cada personagem jogável, existem habilidades especiais que são abertas à medida que vamos evoluindo, individualmente, cada uma por níveis. Tal aspeto torna-se fatídico, pois a experiência não é compartilhada para as outras personagens, tanto em modo co-op como a solo. Parece-nos que a empresa deliberadamente decidiu investir neste sistema de progressão para tornar, desnecessariamente, o jogo mais longo.

Quando ao registo multiplayer, temos a indicar que, quatro dias após o lançamento oficial do jogo, os servidores encontravam-se quase vazios, tendo imensa dificuldade em encontrar pessoas que queiram ou estejam dispostas a fazer missões ou a derrotar personagens, aspeto que pode ser problemático para o dito “futuro e sentido de continuidade do jogo”.

Como pontos positivos, destacamos o grande detalhe colocado nas personagens, no mundo aberto; a trilha sonora; as piadas ou momentos cinemáticos que pareciam ser retirados de um filme realizado pelo James Gun e os gráficos usados, que numa consola de última geração são um deleite para o olhar de qualquer jogador que aprecie tais detalhes.

Quanto aos pontos negativos, reforçamos mesmo o nosso desagrado pelo sentido repetitivo que o jogo apresenta; pela rapidez imposta na história; pela justificação apressada dos “universos paralelos” de maneira a justificar o jogo enquanto lifeservice que receberá futuras adições e pela constante confusão narrativa de tudo.

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Suicide Squad. Kill the Justice League esteve para ser lançado em 2022, foi constantemente adiado, até 2024. Tal condição já seria um indicador de que algo não estaria totalmente bem. O melhor para a Rocksteady teria sido, a nosso ver, em repensar o jogo por completo. Dar a mesma experiência de um Batman Arkham de mundo aberto, com excelentes Side e Main Quests, e não o promover de uma experiência frenética co-op,em que rapidamente cansa os jogadores pela sua repetitividade.

Posto isto, não podemos deixar de mostrar o nosso desagrado para com a empresa desenvolvedora, sendo que o Suicide Squad. Kill the Justice League, mundialmente, está a ter uma receção negativa por parte dos fãs da DC e dos jogadores no geral.

Suicide Squad: Kill the Justice League

Suicide Squad: Kill the Justice League
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6.5
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Francisco Costa
Um apaixonado pela cultura Geek que adora tecer comentários e criticas às mais novas formas de arte! Sou uma pessoa um pouco reservada, mas sempre pronto para debater, por largas horas (ou em escassos minutos) qualquer assunto!. Tenho como hobbies favoritos o desenho e a fotografia de rua.

Colaboraram neste artigo

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