A Sometimes You já é conhecida no mundo gaming por proporcionar experiências indie muito interessantes. Alguns títulos como Energy Cycle, Drowning, OVIVO e Vasilis são alguns exemplos de jogos que me têm cada vez mais agarrado a esta editora. Apesar do meu interesse inicial ter sido nos troféus de platina fáceis, acabei por querer conhecer mais quando me apercebi que não estava só a pagar por uma platina, mas também por um jogo bom.
Hoje venho-vos falar do mais recente título deles, Summertime Madness. Mas não posso deixar de vos convidar a darem uma vista de olhos no seu reportório, onde podem encontrar muito conteúdo de qualidade.
Summertime Madness é um jogo de puzzle single-player em primeira pessoa. O jogo começa com uma introdução que nos agarra imediatamente ao enredo.
A cidade de Praga estava sob cerco, devastada pela guerra.
Edifícios estavam a cair, igrejas estavam a arder, e tudo estava para ser lavado para sempre.
Um pintor vivia ali, isolado do mundo exterior. Quanto pior eram os terrores da guerra, mais o artista pintava obsessivamente belas paisagens em contraste com o mal a que tinha assistido. Uma noite, uma figura misteriosa apareceu na casa aparentemente vinda do nada. O estranho caminhou lentamente pela sala, inspecionando as pinturas. Sentou-se então em frente do artista; para lhe oferecer um acordo.
A oportunidade de entrar numa das suas próprias criações, longe e livre de guerra. Mas ele teria de encontrar a sua saída antes da meia-noite, ou então a sua alma ficaria presa na tela para sempre. Sentindo-se sozinho, à beira da loucura, aterrorizado pelo cheiro da morte a rastejar das ruas, o artista apertou a mão do homem misterioso, aceitando o acordo.
Poucos momentos depois, a casa estava vazia.
Uma vez terminada a introdução, é possível escolher como se joga o jogo:
- Modo Clássico: 6 horas para terminar o jogo.
- Avançado: 3 horas para terminar o jogo.
- Explorador: Sem limite de tempo.
Uma vez escolhido o nosso modo de jogo, a personagem abre os olhos e encontra-se num mundo 3D belamente desenhado. Jogamos como o pintor, agora dentro de um dos quadros, que parece ter feito um acordo com a figura misteriosa, basicamente representando o diabo. À medida que caminhamos, temos que resolver puzzles e explorar o ambiente.

Em Summertime Madness, os puzzles em si envolvem muitas correrias para trás e para a frente e, infelizmente, os puzzles em si são mal pensados. E em vez da sensação de estarmos a ser desafiados, ficamos apenas frustrados. O primeiro puzzle, por exemplo, correr para trás e para a frente a girar a roda de um navio, abrir portas, fechar portas, puxar uma alavanca, tocar uma campainha… torna-se um pouco enfadonho. A mecânica exata do puzzle tende a ser muito fácil, mas envolvida em ridículas corridas de um lado para o outro, o que é apenas irritante e não muito divertido.
O jogo também não nos ajuda quase nada. Alguns puzzles são apenas confusos e não fazem sentido lógico e uma vez que não temos uma ideia do que se deve fazer, a sensação de simplesmente desistir e desligar o jogo cresce e cresce à medida que se joga. Mas nem tudo é mau!
Summertime Madness conta com uns visuais e som de alta qualidade. Muito ao estilo de uma mistura de RiME com Manifold Garden, é-nos apresentado um jogo que é visualmente belo e acolhedor. Não consegui deixar de identificar, com o meu conhecimento limitado, elogios e homenagens a diferentes artistas como M.C. Escher, Salvador Dali e Vincent van Gogh. Senti que, em conjunto com o gameplay, este jogo acaba por ser uma ode aos movimentos artísticos dos quais essas referências fizeram parte. Em sintonia, temos uma música calma e junção com o vento e ondas do mar que, se não fosse pelos puzzles frustrantes, nos envolvia e relaxava.

Summertime Madness pode não ser o melhor jogo da Sometimes You, mas merece, nem que seja, a leitura desta análise. Pode até ser o jogo que vocês estavam à procura, mas preparem-se para, eventualmente, puxarem um guia do YouTube para resolver os puzzles o mais rápido possível.