Super Mario Galaxy é daqueles jogos que ainda tenho uma memória bem viva de como foi me aventurar pela primeira vez neste universo. Não o fiz na altura do lançamento, porque aí estava a passar por uma fase em que pouco ou nada me interessava no que diz respeito a videojogos (ainda hoje não percebo exatamente o porquê), mas quis o lançamento da sequela coincidir com o final dessa mesma fase e decidi começar pelo primeiro.
É por isso, por ter feito parte da minha reconciliação com toda uma indústria, que o guardo até com especial carinho no meu coração. Lembro-me até de ter ido resgatar uma Wii largada e esquecida pelo meu irmão mais novo, que dias depois de a ter recebido perdeu por completo o interesse, e comecei a aventurar-me em alguns clássicos da consola, sendo um deles, como já mencionei, Super Mario Galaxy.

Ainda que ao lado tivesse pousada uma PlayStation 3 acabadinha de comprar, e tivesse a adorar experienciar outros grandes nomes que haviam sido lançados na consola da Sony, acho que houve ali um clique com o Mario como há muito não sentia. Estava realmente a divertir-me e a relembrar outros tempos, em que cada novo cartucho ou disco eram experiências que começavam ainda bem antes de iniciar o jogo.
Claro que quando foi anunciado o lançamento deste título em Super Mario 3D All-Stars foi das compras mais rápidas que fiz na vida.
Nunca se esquece a primeira galáxia
Foi possível ver tudo bem definido, a correr de forma fluída, parecia que tudo ganhava uma nova vida ainda que as melhorias estivessem concentradas na resolução e uma coisa ou outra que não mudava drasticamente aquilo que conhecemos de Galaxy. Mas porque estou a falar desta versão e não da nova e atualizada opção que existe para a Nintendo Switch 2?
Ora bem, o choque que esperava ter ao entrar em Super Mario Galaxy na Switch 2, não o tive.
É certo que está bem melhor, acho que qualquer um vai conseguir ver que a resolução a 4K e a melhoria de texturas e alguns outros elementos gráficos fazem toda a diferença, mas na sua essência estamos a ver o mesmo jogo. Parece que o salto para esta nova consola não se fez notar assim tanto quanto esperava, talvez por estar mal habituado com o que havia recentemente visto em Zelda (como podem verificar aqui).

Não quero ser mal interpretado, pois a minha sensação ao jogar foi exatamente a mesma! Senti-me por momentos a recuar no tempo, onde tudo era bem mais simples e podia apenas perder-me por completo a explorar todo e qualquer planeta. Há um certo prazer em apanhar todas as estrelas e repetir as vezes que forem precisas um planeta até que esteja totalmente finalizado. Mesmo os bosses que vamos encontrando são simples mas desafiantes o suficiente para serem uma experiência completamente memorável.
Ou seja, o jogo propriamente dito está todo lá e continua a trazer ao jogador a experiência pela qual nos apaixonamos inicialmente, sinto é que foi uma oportunidade perdida para trazer algo extra e que podia fazer toda a diferença visualmente, para enriquecer um pouco mais o potencial que Super Mario Galaxy tem e que podia também demonstrar as capacidades desta nova consola.

Não há uma galáxia sem duas
A grande novidade desta nova versão da saga Galaxy é, finalmente, a inclusão do segundo título (que também deveria ter vindo logo no All-Stars!) e que a meu ver já conseguiu uma primeira impressão bem mais positiva que o anterior.
Talvez seja algo injusto esta comparação porque, tal como aconteceu com os lançamentos originais, a sequela obviamente que vai sempre trazer melhorias em relação ao título anterior. Ainda assim, as melhorias que aplicaram em Super Mario Galaxy 2 fizeram com que visualmente conseguisse encher mais o olho. Essas melhorias foram as mesmas, mas como também tínhamos uma experiência mais desenvolvida no segundo título, o resultado acabou por se mostrar superior.
Na altura em que este havia sido lançado, acabei por não lhe pegar, porque tinha também acabado de sair do primeiro e não queria logo repetir algo idêntico e depois com outras coisas que se foram metendo pelo caminho, acabei por o deixar esquecido até alguns anos mais tarde. Nessa segunda tentativa também não o terminei, só explorei algumas horas e acabou mais uma vez esquecido, mas foi o suficiente para olhar para este regresso e sentir que, ou era lançada uma nova versão, ou provavelmente nunca iria lá voltar.

Felizmente, o jogo foi lançado e pude finalmente experienciar algo que beneficiou enormemente dos avanços tecnológicos alcançados ao longo dos anos. Mesmo ao nível da jogabilidade, notei melhorias significativas nos controlos de movimento.
Lembro-me de que, tanto no primeiro como no segundo título, na Wii original, senti que a jogabilidade não era tão reativa nem tão responsiva quanto deveria. Por vezes, o sistema parecia perder completamente o alinhamento e, mesmo após o tentar corrigir, nunca voltava a funcionar de forma precisa. Mas é precisamente essa a magia de uma tecnologia que continua a ser explorada e aprimorada: quando regressa, vem mais refinada e todos saem a ganhar. O jogo, que permanece jogável, e o jogador, que passa a ter uma experiência mais fluida e divertida, sem frustrações desnecessárias com os controlos.
E acho que essa é a palavra-chave desta nova coleção, diversão! É diversão garantida para quem queira revisitar um clássico, e talvez o título mais inventivo e revolucionário de toda a saga Mario. É diversão para novos jogadores que nunca tiveram oportunidade de experimentar nenhum título da saga. E acima de tudo, é diversão de qualidade!