Suzume

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Reconciliação com o passado e a luta entre homens e deuses

Contem spoilers

Suzume é o último filme do diretor Makoto Shinkai, conhecido por imensos trabalhos de renome como Your Name, Weathering With You e 5 centimeters per second. Este é mais outro filme do género, com boa animação do ambiente que os rodeia e cores vibrantes das personagens, e uma história de romance com muitas emoções. 

Uma curiosidade. O diretor queria fazer um romance lésbico para sair do típico boy meets girls que ele tem feito, mas os executivos do estúdio não deixaram. Numa forma de vingança, o diretor manteve o romance principal como rapaz, mas transformou-o numa cadeira. Consequentemente, há cenas mais românticas com química entre Suzume e Chika.

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O diretor continua com o seu fascínio por desastres naturais, mistificando as suas causas com magia ou transportando as personagens para esse tempo (Your Name). Tendo como base a mitologia japonesa, onde desastres naturais eram pensados como originados de um peixe-gato que vivia debaixo de terra chamado Namazu or Ōnamazu, o peixe terramoto. Associado a este peixe, existe o deus Takemikazuchi que luta com o peixe-gato e acalma-o com a ajuda de uma rocha “kaname-ishi”. O mito explica que quando o deus perde a sua pedra, o peixe-gato tenta escapar e causar desastres naturais – parecido com os vermes do filme e as pedras pilares do oeste e este que não devem ser movidas.

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Uma menina que sonha sobre a mãe que já morreu, com vislumbres para o além. Passa por uma rapaz bonito que vai à procura de uma porta, ele é um fechador. Uma profissão herdada pela família que impedem que os vermes passem pelas portas para o nosso mundo. Quando os vermes caem no chão causam terremotos, podendo às vezes devastar cidades. Suzume ajuda o rapaz a recuperar a sua forma, após ser transformado numa cadeira pelo gato, sendo a pedra protetora que ela liberta. Juntos vão atrás do gato enquanto fecham portas e ficam em casa de pessoas, viajando pela zona costeira japonesa desde Kyushu a Tohoku.

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Dando destaque a Tóquio, que contém uma das portas mais antigas e de maior proporção, na qual o Souta se sacrifica para a fechar. Suzume não aceita e descobre uma maneira de o ir salvar ao além. Lembrasse dos sonhos dela que são uma memória de já ter ido a esse mundo. Ela vai até à sua cidade natal acompanhada da tia e de um amigo do Souta de carro.

A cidade natal de Suzume foi onde aconteceu um desastre a 12 anos atrás, que é verídico. Foi em Fukushima, numa planta nuclear que aconteceu um terremoto que contaminou a zona e, posteriormente, um tsunami destruiu a zona de residência de Suzume. A pequena Suzume andava à procura da mãe enfermeira entre os sobreviventes e encontrou uma porta para o além nos escombros. 

A Suzume adolescente conseguiu voltar a encontrar a porta, com a ajuda de uma cápsula do tempo que enterrou com um diário da altura. Ao encontrar o banco Souta, vê as memórias dele durante a viagem que tiveram e o desejo de ele não querer morrer, Suzume consegue salvá-lo. Ambos selam o verme, acabando definitivamente com os terramotos.

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Após salvarem o dia, a cadeira fica ao lado deles e vêem no prado do Além uma criança Suzume à procura da mãe. A adolescente Suzume percebe que, na verdade nunca viu a mãe, sendo ela própria que dá à cadeira a sua versão mais nova. Mas a conversa que há entre elas as duas é de partir o coração, como aceitar e confortar a sua versão mais nova e a si própria de que a mãe morreu e que tem de seguir em frente. Uma forma incrível e cheia de emoções que o diretor apresenta a personagem principal a lidar com o luto, apesar de já se terem passado alguns anos é algo constante na vida, principalmente numa figura que era o mundo inteiro dela.

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Este filme é mais um excelente trabalho do diretor Makoto Shinkai, mosntrando o fascínio dele por zonas abandonadas do Japão, quer seja por razões monetárias, como o parque de diversões, ou por desastres que aconteceram e não puderam reconstruir, como deslizamentos de terra, terramotos ou tsunamis. Sempre que há a abertura de um novo espaço no Japão, há uma grande celebração, mas para o seu abandono é apenas deixado ao esquecimento e as memórias das pessoas que o visitaram. Com este filme, esses espaços têm uma homenagem, incluindo também as memórias e os sentimentos que as pessoas tiveram quando viveram naqueles espaços.

Ao longo da história, há um desenvolvimento emocional de várias personagens. Uma delas o gato, que queria aproveitar a vida e não ser apenas um guardião protetor do mundo. Ele sentiu-se feliz quando a Suzume lhe perguntou se queria ser o gato dela, vendo a possibilidade de uma vida diferente em que podia brincar. Há uma transição desta personagem, de um gato fofinho “Daijin” para um gato assustador que amaldiçoa pessoas e anda a abrir portas que causam terramotos, no final, para um arrependimento de ter causado sofrimento à Suzume e de resignar novamente à sua profissão. 

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A relação entre Suzume e a tia, uma vez que ela foi adotada depois do falecimento da mãe, sempre pensou que talvez tivesse a impor-se demasiado na tia e a roubar-lhe a juventude para cuidar dela, como mãe solteira. Há uma cena em que essas emoções vêm ao de cima e elas admitem que a tia perdeu tempo a cuidar da Suzume e fez escolhas na vida dando prioridade a ela, mas foi uma escolha que ela fez por a amar. Este tipo de relações adotivas são sempre muito bonitas de ver e raras em filmes, foi exposta como uma história secundária que vai se enchendo de tensão e arrebentando com as emoções à flor da pele, mas com uma conclusão de deixar o coração na mão de felicidade. 

O tema do luto está presente em todo o filme, onde vemos a jovem Suzume a lidar com o luto a vida inteira. Ela teve orgulho da mãe como enfermeira que deu a vida dela para ajudar outras pessoas, igual ao Souta que arrisca a sua vida para fechar as portas. Suzume sabe que a vida é frágil e nem sempre somos nós que escolhemos quando morremos, desastres acontecem muitas vezes. Mas ela não culpa as pessoas que arriscam as suas vidas, na verdade tem orgulho e almeja ser igual a elas.

Suzume

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Ano: 2022
Tipo: filme
Estúdio:
8.5
Picture of Filipa Gil
Filipa Gil
Geek desde pequenina, primeiro pelo anime, depois jogos e séries. A minha maneira favorita de relaxar é dar binge a uma boa anime, série ou filme. Este hobby passou de umas horas por semana para uma grande parte da minha vida e guarda-fato.

Colaboraram neste artigo

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